05/01/2020 às 09h27min - Atualizada em 05/01/2020 às 09h50min

Preço do dólar muda comportamento e setor registra queda em destino internacional

Além de queda na procura pelos destinos internacionais, agências de Uberlândia constatam alternativas para dispensar o uso da moeda

BRUNA MERLIN
Agente de viagens em Uberlândia aponta diminuição nas vendas | Foto: Arquivo pessoal
Hoje, o preço do dólar no Brasil está na casa dos R$ 4. Um valor considerado alto por boa parcela dos brasileiros, especialmente aqueles com planos de aproveitar as férias de início de ano. E esse fator tem se tornado o principal motivo para mudanças no comportamento de compra no setor de turismo. Os consumidores que sonham em conhecer países que giram em torno da moeda estão procurando alternativas para fugir do valor alto do câmbio.

O professor de pós-graduação em economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Fábio Terra explica que a alta no dólar não foi do dia para a noite, mas muitas pessoas e empresários não estavam esperando. “Vários fatores influenciam essas mudanças. O valor da moeda começou a crescer no início de 2019 e passou de R$ 3,30 para R$ 4. Não são dados aterrorizantes, mas também não são motivadores para alguns setores”, avaliou.

O segmento de turismo está sentindo essas consequências a cada dia. O agente de viagens da La Nave Turismo de Uberlândia, Lucas Resende, apontou que a empresa teve uma queda de 20% a 25% na procura por viagens para os países do continente norte-americano. Ele acredita que os clientes ficam com receio de fechar o negócio devido ao cenário atual.

“É notória essa queda na procura por viagens internacionais. Nesses tipos de destinos, o consumidor sempre planeja o passeio para o futuro, sendo assim, ele fica receoso de assumir um compromisso porque ele não sabe como estará o cenário econômico do país daqui dois ou três meses por exemplo. São coisas que atrapalham muito o nosso mercado”, ressaltou Resende.

Ainda de acordo com o agente de viagens, o problema nem sempre é a falta de dinheiro ou a insegurança de ficar endividado, mas sim a situação que gera desmotivação. “Quem planeja uma viagem para o exterior geralmente tem esse recurso, mas essas mudanças no valor acabam mexendo na motivação do planejamento que nem sempre é fácil”, frisou.

A situação é um pouco diferente para o gerente de vendas da CVC do Triângulo Mineiro, Sebastião Donizeti Rosa. De acordo com ele, não houve queda na procura por viagens internacionais na sua empresa, mas o comportamento de compra mudou.

 
“Nós não tivemos uma variação nas vendas de viagens para o exterior. O que nos compromete muito é quando o dólar fica oscilando porque as pessoas ficam com medo de fazer negócio”, contou.

Sebastião aponta que os destinos mais procurados na CVC como Orlando, devido aos parques da Disney, Cancún e as regiões banhadas pelo Mar do Caribe ainda continuam sendo muito requisitados pelos consumidores, mas algumas mudanças foram percebidas. Com o dólar em alta, o tempo de viagem diminuiu em média 10 dias, os clientes estão preferindo hospedagens e passeios mais simples e baratos, além de economizarem nas compras.

Para 2020 o cenário é incerto. O professor Fábio esclarece que muitas coisas podem acontecer já que o ano será marcado por eleições nos Estados Unidos, mas ele acredita que não haverá um choque cambial com alterações bruscas. “O valor irá circundar no que ele está hoje. Não acho que ele possa sair de R$ 4 para R$ 5, mas o câmbio pode cair para R$ 3,80 ou chegar até R$ 4,60”, disse.
 
ALTERNATIVAS
Para despistar o alto valor do câmbio, os viajantes estão procurando outros destinos, e as agências apostam em promoções com o objetivo de conquistar a clientela. Paraísos brasileiros, navios e outras opções na América do Sul estão ganhando mais espaço no calendário de viagens dos brasileiros.

Lucas Resende explicou ao Diário de Uberlândia que o setor de turismo é muito dinâmico e abre portas para a criação de alternativas que driblam a queda na procura por viagens internacionais. “Tivemos muito sucesso na Black Friday, vendendo viagens para o exterior pela metade do preço. Outras promoções para crianças, pacotes fora de temporada também são um empurrãozinho para ajudar nas vendas”, disse o agente de viagens da La Nave Turismo.

Países da América do Sul como Argentina são os mais escolhidos pelos brasileiros | Foto: Igor Martins

Ainda de acordo com Resende, os clientes estão preferindo viajar para os países da América do Sul onde o real brasileiro é mais valorizado. Argentina, Chile e Peru são os destinos mais requisitados pelos clientes.

Navios all inclusive, que fazem rotas pelos principais litorais brasileiros, também estão entrando no gosto dos turistas. A opção é favorável a quem quer investir um único valor para conhecer diversos lugares e aproveitar a comodidade completa da embarcação.

Os cantos do Brasil também estão conquistando cada vez mais os próprios conterrâneos. De uns tempos para cá, os brasileiros estão sabendo aproveitar mais as belezas que o país oferece. Além de  conhecer o que o país oferece de melhor, é uma ótima oportunidade para aumentar a movimentação da economia nacional.

As regiões Norte e Nordeste são as mais cobiçadas devido às praias paradisíacas de águas calmas. Atualmente, o destino mais procurado, tanto na La Nave Turismo quanto na CVC, é Porto Seguro já que existem voos direto de Uberlândia para a cidade baiana durante todo o ano e que duram cerca de 1h20 de viagem.

Para Resende, ainda existem diversas possibilidades para que as pessoas não desistam de viajar e de aproveitar o momento para conhecer novos lugares e experiências. “Às vezes, as pessoas pensam que viajar é uma coisa supérflua, mas é qualidade de vida. Viajar é conhecimento, distração e renovação. Muitas alternativas podem ser encontradas, mas nunca devemos deixar de tirar uns dias para pegar um avião, um ônibus ou um carro para conhecer novos locais”.
 
VIAGEM INTERNACIONAL
Se você sonha em conhecer países que utilizam o dólar como a principal moeda de comércio, mas está com medo de arriscar devido à alta do câmbio, algumas dicas dos especialistas podem te ajudar na hora de planejar a viagem e não correr riscos.

O primeiro passo, recomendado pelo gerente de vendas da CVC do Triângulo Mineiro, Sebastião Donizeti Rosa, é sempre procurar a consultoria de um agente de viagens. O profissional irá usar todo seu conhecimento para ajudar a programar a viagem da maneira como você quer e com o melhor custo/benefício.

Além disso, o agente pode ajudar a fazer contas com despesas que serão gastas nos passeios como deslocamento e alimentação. “Ele vai auxiliar na hora de escolher o hotel que fica mais próximo dos pontos turísticos que o cliente quer visitar para economizar no transporte, e também os melhores restaurantes de acordo com o perfil do viajante”, explicou o gerente.

Sebastião ainda ressalta que é importante saber como funciona o seguro viagem. Para ele, o recurso é indispensável principalmente em viagens internacionais. “O valor dos serviços hospitalares no exterior é altíssimo. O cliente pode chegar a gastar cerca de R$ 20 mil em um atendimento médico ou em uma cirurgia emergencial”, frisou.

O professor de economia Fábio Terra também destaca a importância de se planejar financeiramente. Segundo ele, muitas pessoas compram a viagem e ficam esperando o dólar baixar para trocar o dinheiro e isso pode ser um tiro no escuro.

“O ideal é trocar a moeda assim que comprar a viagem porque todo o gasto já será fechado. Se ficar esperando pode correr o risco de o câmbio aumentar e gastar mais do que o esperado”, comentou Fábio.

Por fim, o professor também orienta que o cartão de crédito deve ser utilizado somente para casos emergenciais já que o recurso cobra o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que atualmente está variando em torno de 6,38%.
 
Outras dicas que fazem diferença:
  • Planejar a viagem com no mínimo seis meses de antecedência
  • Diminuir o tempo de viagem
  • Preferir voos com escala
  • Preferir voos fora de dias de pico
  • Ficar atento a anúncios e promoções online


 
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