22/12/2019 às 09h53min - Atualizada em 22/12/2019 às 09h53min

Carne mais cara força comércio uberlandense a reduzir lucro

Produto puxou a inflação de novembro e teve a maior variação, de 11,77%

VINÍCIUS LEMOS
Flávia Cristina diz que não chegou a repassar os aumentos por completo | Foto: Vinícius Lemos
Os reajustes de até 60% nos preços das carnes desde novembro forçaram o consumidor a reduzir o consumo, o que consequentemente diminuiu o lucro no comércio. No último mês em Uberlândia, a inflação foi puxada pelos alimentos, mais especificamente pelas carnes. O item sozinho variou em mais de 10 vezes no comparativo entre outubro e novembro, chegando ao índice de 11,77%.

A administradora de um açougue na região central de Uberlândia Flavia Cristina de Souza Freitas disse que o aumento de carnes no último mês foi além do esperado e sem grandes justificativas. O reajuste foi surpreendente mesmo em uma época em que há aumento natural dos preços de cortes bovinos, suínos e de aves. “Normalmente nessa época acontece uma alta, depois de uma seca, agregado a isso tem a concentração de estoques em cidades turísticas no período de férias e o aumento da demanda pelas festas de fim de ano. Mas agora coincidiu com a abertura de mercado na China e Arábia Saudita, e isso que força a reestruturação da distribuição da carne no País”, explicou.

O aumento de 60% repassado pelos fornecedores foi justificado pela abertura do mercado externo, segundo Flavia Freitas. Ela afirmou não repassar por completo esse índice na ponta da cadeia, mas ressalta que houve aumentos de preços em geral. Ela tem a expectativa de que haja recuo após o Carnaval e até lá não descarta a possibilidade de haver redução no consumo de cortes nobres. “Por enquanto, o cliente tem reclamado, reduzimos nosso lucro, mas as vendas ainda não caíram. Se não houver diminuição dos preços isso pode acontecer”, explicou.

A cozinheira Karen Milvin disse que nas compras feitas na última semana reduziu pela metade cortes mais caros. “Não há como manter a casa só com carne de primeira. Tenho trocado mesmo”, disse. Com isso, ela disse ter mantido o gasto com carnes mesmo com aumentos que considera exagerados.
 
Preços mantidos
Mesmo com fornecedores trazendo produtos com preço até 40% mais caros, o gerente de uma churrascaria no bairro Santa Maria em Uberlândia conseguiu manter os preços das refeições. “Eu consegui comprar com preços antigos já sabendo que poderia haver aumento. Do dia 20 de novembro pra cá eu comprei só o necessário. Eu busquei parceiros que tinham valor mais em conta e não paguei os preços de hoje”, explicou Derli Bataglin.

O que ele percebeu é que produtos importados estão competitivos e fornecedores têm cortes estrangeiros para oferecer. Atualmente, ele tem optado por complementar os estoques com importados. Os ganhos do estabelecimento ainda não caíram com a estratégia montada, segundo Bataglin. Mas ele espera que em janeiro já haja recuo de preços para que não precise repassar os reajustes.
 
INFLAÇÃO
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Uberlândia do mês de novembro apresentou variação de 0,59%, segundo o Centro de Estudos, Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU). Em relação a outubro (0,06%), a variação foi de 0,52%. No acumulado dos últimos doze meses ela ficou em 3,02%, enquanto que a variação acumulada no ano de 2019 foi de 2,64%. O grupo que mais impactou o aumento nos preços foi o de Alimentação e Bebidas, sendo o item Carnes o de maior variação: de 1,57% para 11,77% na comparação entre os dois últimos meses.







 

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