20/12/2019 às 14h53min - Atualizada em 20/12/2019 às 14h53min

Projeto ajuda a preservar nascentes com plantio de mais de 50 mil mudas

Desde 2008, 190 propriedades rurais foram atendidas em Uberlândia

SÍLVIO AZEVEDO
Projeto municipal recebeu investimento de R$ 1,5 milhão neste ano | Foto: Dmae/Divulgação
Como forma de preservar a fauna e a flora do cerrado, o projeto Buriti, do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), visita propriedades rurais próximas a nascentes dos rios Uberabinha, Araguari e Ribeirão Bom Jardim, que formam o sistema de captação de água de Uberlândia, realizando ações preventivas que garantam a manutenção e recuperação do bioma. Somente este ano, foram 23 propriedades rurais atendidas com o plantio de 53 mil mudas de árvores do cerrado, como paineira, pequi, jenipapo, angico, ipê, baru, jequitibá vermelho, mirindiba, além da instalação de mais de 62 mil metros de cercas lineares, protegendo uma área de 559 hectares, e outras ações preventivas.

Ao longo de 2019 houve um investimento de R$ 1,5 milhão no projeto Buriti. De acordo com o gerente ambiental do Dmae, Celismar Costa, o programa trabalha a parte degradada de áreas de preservação, em parceria com os produtores rurais.

“É feito todo o trabalho de cercamento, isolamento da área de preservação, recomposição vegetal, readequação de solo, curvas de nível, construção de barraginhas, readequação das estradas das propriedades para evitar processos erosivos que venham a levar assoreamento aos mananciais”, disse.

E o retorno dos proprietários das áreas rurais tem sido positivo. Ao mesmo tempo que ele, sem nenhum custo, se adequa à legislação ambiental vigente, há uma melhoria na qualidade do solo.

“É um investimento a longo prazo. Mas com essas ações, há uma melhora na situação climática, na umidade do solo e outros benefícios. Para o Dmae é um pouco mais rápido, pois a partir do momento que a gente isola uma área, já tem o fim de atividades, e isso já traz uma melhoria na qualidade da nossa água”, explicou Celismar Costa.

Dono de uma propriedade com 250 hectares na região do distrito de Tapuirama, Leandro Peruzzi foi um dos que aderiram ao projeto Buriti. Em suas terras foram instaladas cercas ao redor da área de preservação ambiental, onde passa o córrego Lajeado, e bolsas de contenção.

“Beneficia o produtor rural, porque precisamos da água, das nascentes. Para nós está ajudando 100%. Mas é um trabalho para a população inteira, porque estamos preservando as nascentes, não deixando contaminar nem assorear. É um trabalho para todo mundo”.

Diferente de outros proprietários que até certo ponto resistiam em participar do projeto, Leandro Peruzzi quer deixar um legado para os filhos. “Essa resistência existiu com produtores mais antigos, que não tinham essa visão de ter água no futuro. Eu tenho 42 anos, quando trouxeram essa proposta, me dispus a participar. Eu tenho dois filhos e se a gente não ajudar a preservar agora, chegando na época deles não terá água potável, só contaminada”. 

O produtor rural que estiver dentro de uma das três áreas de atuação do programa e quiser ser contemplado, deve entrar contato com o apoio técnico do Dmae através do telefone 3233-2564 ou pelo email [email protected]

 “Essa preservação se faz necessária primeiramente para garantir a sobrevivência do produtor rural, com a busca de uso racional e busca de novas tecnologias. Isso vai garantir que todo mundo tenha água necessária e com qualidade”, disse Celismar Costa.


 

 
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