27/12/2019 às 10h07min - Atualizada em 27/12/2019 às 10h07min

Pesquisa da UFU descobre composto contra o zika vírus

Nova substância é capaz de reduzir em 86% a multiplicação do vírus

SÍLVIO AZEVEDO
Resultado de pesquisa da UFU foi publicado pela revista internacional Nature | Foto: Alexandre Santos/Divulgação
Um grupo de cientistas do Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Uberlândia (ICBIM/UFU) identificou um composto sintético derivado do ácido antranílico capaz de reduzir a multiplicação do zika vírus em 86%. O resultado dos testes foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Durante a pesquisa, a célula infectada com o vírus foi tratada com o composto sintético FAM E3 e se mostrou capaz de inibir o zika. Seu desenvolvimento foi feito com base na estrutura natural de uma planta do cerrado.

Para realizar testes inibidores de vírus de doenças como o zika e chikungunya, os cientistas da UFU cultivam células desde 2015. “A pesquisa pegou as células e infectou com o vírus e tratou com o composto e comparamos com uma célula infectada que não foi tratada. E vimos que tem uma atividade inibindo 86% do ciclo replicativo do vírus”, explicou a coordenadora de estudo, Ana Carolina Gomes Jardim.

Na etapa seguinte, os pesquisadores fizeram mais ensaios para investigar em qual etapa do ciclo replicativo do vírus esse composto foi atuando.

“A gente percebeu que esse composto tinha uma atividade depois que o vírus entrou na célula. E nós fomos aprofundando esses ensaios até chegarmos num resultado que, muito provavelmente, tenha ação em uma proteína no vírus”, afirmou Ana Carolina Jardim.

Ainda de acordo com a professora, futuramente os resultados da pesquisa podem ser importantes para a produção de medicamentos no tratamento do zika vírus. “É a identificação de uma molécula que tem potencial terapêutico. Por ser uma molécula sintética, tem umas vantagens, como potencial de produção em larga escala. Pode ter potencial comercial também. Pode ser explorada de forma mais intensiva para saber se pode um dia ser aplicada como tratamento ou servir como um molde para desenvolver outras moléculas”.

O estudo foi desenvolvido em parceria com o Laboratório de Fisiologia Integrativa e Nanobiotecnologia Salivar (ICBIM/UFU), o Laboratório de Nanobiotecnologia, do Instituto de Biotecnologia (IBTEC/UFU), Instituto de Física da Universidade São Paulo (USP), campus São Carlos, coordenado pelo professor Glaucius Oliva. O composto foi sintetizado pelo Laboratório de Química Verde e Medicinal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de São José do Rio Preto, coordenado pelo professor Luis Octávio Regasini.

“É importante destacar também a colaboração dos professores Mark Harris, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e do professor Andres Meruts, da Universidade de Tartu, na Estônia. Nossa equipe foi até esses dois laboratórios para desenvolver treinamentos e parcerias para conseguir estabelecer os ensaios aqui no laboratório de Virologia e produzir esses dados”, disse Jardim.

A pesquisa foi desenvolvida com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e também do Fundo Newton, um recurso da agência britânica The Royal Society.












 
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