20/11/2019 às 10h11min - Atualizada em 20/11/2019 às 10h11min

Uberlândia recebe simpósio sobre igualdade de gênero

Evento da SOS Mulher promove discussões sobre diferentes tipos de feminismos e masculinidades na UFU

IGOR MARTINS E SÍLVIO AZEVEDO

Refletir sobre a importância da igualdade entre os gêneros e evitar a reprodução de estereótipos, preconceitos e discriminações. É com esse objetivo que acontece o V Simpósio Regional SOS Mulher e Família de Uberlândia, divididos em dois eventos na quinta-feira (21) e sexta (22), na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Campus Santa Mônica.

O evento promove discussões relacionados à violência conjugal, familiar e de gênero. A edição atual trata sobre um tema fundamental para os dias atuais: o feminismo e as masculinidades existentes na sociedade. A ideia central é promover debates e possibilitar caminhos de enfrentamento às violências contra as mulheres, além de levar ao público discussões para a compreensão da realidade vivida por grupos minoritários ou excluídos que vivem em situações específicas de violências.

As atividades começam nesta quinta, com o Pré-Congresso, na Tenda Paulo Freire, no Centro de Convivência da UFU. Alunos do 2º e 3º período de medicina da universidade ministrarão práticas de cuidados alternativos para homens e mulheres, como reiki, massagem, medicina integrativa, auriculoterapia, além de danças circulares e rodas de conversas sobre feminismo e masculinidade.

O V Simpósio da entidade começa na sexta, às 8h, no bloco 5S da faculdade. A presidente da SOS Mulher e Família, Aline Schwartz, participará de uma mesa-redonda com parte da equipe de atendimento da instituição. Segundo ela, o evento abordará diversos pensamentos dentro do feminismo, como o feminismo negro, transfeminismos e feminismos interseccionais. “O tema desse ano se trata dessa abordagem dos diferentes tipos de feminismo existentes. As mulheres têm que falar por si. Será um encontro desse feminismo diverso”, afirmou.

Schwartz acredita ainda no entrelaçamento entre a masculinidade e o feminismo, mostrando a construção cultural do homem e o que pode ser feito para que os índices de violência diminuam. “Haverá também uma conversa sobre agressão aos homens LGBTQ+ e uma palestra com Rafael Barbosa, que trabalha com agressores na ONG. Será explicado como nós acolhemos estes homens e como desconstruímos as agressões realizadas por eles”, disse Schwartz, em entrevista ao Diário.

FEMINISMO INTERSECCIONAL
Um dos temas abordados durante o V Simpósio Regional será o feminismo interseccional, ministrado por Karina Palácio Cunha, conselheira da União de Mulheres no Estado de São Paulo. O termo diz respeito às diferenças e intersecções de violências e opressões sofridas pelos diferentes tipos de mulheres.

A ideia do feminismo interseccional, de acordo com Karina, é a de olhar para as mulheres não como um sujeito universal, mas como várias mulheres com diferentes demandas. “Nós observamos [as mulheres] sob a perspectiva de gênero, raça, classe e de sexualidade”, disse a ativista dos direitos das mulheres.

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Karina afirma que a sociedade não deve enxergar a mulher como algo atrelado exclusivamente à biologia. Segundo a co-coordenadora do curso de Promotoras Legais Populares, as pautas reivindicadas pelas mulheres negras são diferentes das mulheres brancas, e que por sua vez, procura reivindicações diferentes de mulheres trans, por exemplo. “Isto é o que será abordado durante a nossa mesa: os feminismos plurais que existem atualmente”, disse.

CASOS DE VIOLÊNCIA
Dados divulgados pela entidade apontam que entre fevereiro e dezembro de 2018, mais de 2.000 casos de violência foram registrados no SOS Mulher. Destes, mais de 1.600 foram agressões a mulheres, o que representa aproximadamente 80%. Outro diagnóstico mostrado pela instituição, a alegação para os facilitadores das violências são o uso de drogas, infidelidade, situação financeira, alcoolismo e o machismo, em 13% dos casos.

Segundo a ONG, 50% das violências no período foram consideradas psicológicas e morais, 25% físicas, 17% patrimoniais e 8% sexuais. 33% das vítimas voltaram a conviver com o agressor.

O evento conta ainda com as participações e mediações de psicólogos, assistentes sociais, advogados, especialistas em direitos humanos, doutores em saúde mental e terapeutas.

PROGRAMAÇÃO

PRÉ-CONGRESSO
ONDE:
Tenda Paulo Freire (Centro de Convivência, UFU Santa Mônica)
QUANDO: Quinta-feira (21), das 14h às 18h
ATIVIDADES: práticas de cuidado para homens e mulheres (reiki, massagem, medicina integrativa, auriciloterapia, cuidados estéticos, dentre outros) e rodas de conversas

 
SIMPÓSIO
ONDE: Auditório do bloco 5S (UFU Santa Mônica)
QUANDO: Sexta-feira (22), das 8h às 17h30
8h – Credenciamento e café
8h30 – Apresentação musical: Camila Araújo e Rogério Soares (Viena Musical)
8h40 – Abertura: mesa de apresentação com parte da equipe de atendimento e da diretoria da SOS Mulher e Família
9h30 – Mesa: feminismos plurais
11h – Debate e proposições de políticas públicas e projetos de leis
11h30 às 13h30 – horário para almoço
13h30 – Solenidade de assinatura de acordo de cooperação técnica com o reitor da UFU, Valder Steffen Júnior
13h45 – Apresentação Cultural – Juliana Felício, Cláudia Cruz e Raquel Pereira
14h – Mesa: entre o rosa e o azul e as possibilidades infinitas de cores
15h30 – Café
15h45 – Segunda parte da Mesa: entre o rosa e o azul e as possibilidades infinitas de cores
17h – Debates e proposições
17h30 – Encerramento
19h – Confraternização: JuntXs e MisturadXs (Ovelha Negra Pub Bar, na Avenida Nicomedes Alves dos Santos, 115)









 

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