14/11/2019 às 17h44min - Atualizada em 14/11/2019 às 17h44min

Pesquisadores da UFU lançam novo método de diagnóstico do câncer de próstata

Projeto será implantado pela primeira vez em um laboratório privado da cidade; custo do exame por paciente é de aproximadamente R$ 100

DA REDAÇÃO
O sangue de pacientes com câncer de próstata passa pela centrífuga e pelo citômetro | Foto: Marco Cavalcanti/Divulgação
Cientistas do Instituto de Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) se preparam para lançar uma nova forma de diagnóstico do câncer de próstata. O método é chamado de biópsia líquida.

Segundo o professor que coordenou as pesquisas, Luiz Ricardo Goulart Filho, o exame analisa o sangue do paciente. No laboratório, o material passa por duas máquinas: uma centrífuga, que separa as suas partes, e um citômetro de fluxo, que conta e classifica essas partes. Assim, é possível observar a presença de células normais, que se desprendem dos órgãos no processo natural de renovação, e também a presença de células tumorais.

O resultado do exame sai em menos de três horas, com uma precisão de 96% a 97%. O custo aproximado é de R$ 100 por paciente. Ainda de acordo com Goulart, o método será implantado em um laboratório privado da cidade no mês de dezembro. O lançamento servirá como pesquisa de validação de estágio final clínico. “Provavelmente em abril ou maio [de 2020] ele será lançado no mercado definitivo nacional, e no internacional a partir de junho ou julho”, explicou o pesquisador.

A intenção dos pesquisadores é que a tecnologia também chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Depende de política pública. A gente tem que apresentar para o governo qual é o impacto econômico. Vai ter um impacto em termos cirúrgicos e de números de biópsias. Mais de 75% dos homens vão pra mesa cirúrgica fazer biópsia desnecessariamente”, analisa Luiz Ricardo.
 
INVESTIMENTO
A pesquisa foi financiada por meio de uma parceria público-privada, envolvendo recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e da empresa privada BioGenetics, de Uberlândia. O financiamento foi investido na manutenção do laboratório de nanobiotecnologia da UFU, que custa aproximadamente R$ 1,5 milhão, e nas bolsas dos 102 pesquisadores que participaram do projeto.

"É uma infraestrutura muito forte e muito cara. Para manter, precisa de muito investimento. Hoje, graças às empresas privadas que financiam aqui é que eu tenho condições de dar manutenção, senão, eu não teria, porque o governo não tem condições de dar manutenção para um laboratório desse porte”, finalizou o professor.






 

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