08/11/2019 às 08h42min - Atualizada em 08/11/2019 às 08h42min

Pesquisas da UFU buscam melhorar mamografias

Mapeamento feito por alunos também detecta distribuição desigual de mamógrafos

SÍLVIO AZEVEDO
Pesquisas estão sendo desenvolvidas no curso de Engenharia Biomédica da UFU | Foto: Divulgação
Estudantes de graduação, mestrado e doutorado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) trabalham em pesquisas que buscam dar mais eficiência aos exames de mamografia, fundamental no combate ao câncer de mama, doença que, só neste ano, deve ter 57,9 mil novos casos, segundo estima o Instituto Nacional de Câncer (Inca). As pesquisas estão sendo desenvolvidas no curso de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sob coordenação da professora Ana Cláudia Patrocínio, que trabalha na área de imagens médicas há 23 anos. Entre as descobertas, está que a qualidade dos exames pode ser melhorada e que o acesso das mulheres ao mamógrafo no Brasil ainda é desigual.

Um dos trabalhos realizado pelos alunos é o de processamento de imagem, que envolve quantificar ruídos no raio-x, tentar eliminar ou diminuir esses ruídos, até a parte de realce das imagens para melhorar a visualização do médico no diagnóstico.

Um dos grandes influenciadores na qualidade das imagens obtidas na mamografia são os equipamentos utilizados. É aí que entram os trabalhos da pesquisa dos alunos da UFU. “O que a gente está fazendo, o processo completo, é aferir essa qualidade e tentar melhorar para que o médico consiga melhores resultados. Quando a gente pega uma imagem com baixa qualidade de contraste, a ideia é que as técnicas em que a gente passa por software auxiliem a melhorar e a igualar, em sensibilidade de visualização, a uma imagem de qualidade boa”, explicou Ana Cláudia Patrocínio.

Para validar os resultados obtidos durante o período de pesquisas, os estudantes contam com apoio de uma médica radiologista da própria universidade. “Ela fez a avaliação de qual a preferência visual do médico, porque além da imagem ser de boa qualidade, a gente tem que chegar num consenso no que o profissional acha melhor para visualizar, qual a melhor maneira de realce que ele consegue detectar estruturas ou lesões”, disse a professora.

Outra pesquisa busca melhorar a qualidade das imagens diminuindo a exposição das mulheres à radiação durante o raio-x, que é um dos grandes fatores de risco para o aparecimento de câncer. A proposta é utilizar técnicas chamadas Wavelet e Deep Learning para aprimorar as imagens com menor radiação possível.

DESIGUALDADE
Os alunos também fizeram o mapeamento da distribuição de mamógrafos no Brasil e em Minas. A pesquisa considerou equipamentos disponíveis na rede pública e privada, ou seja, no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Sistema de Saúde Suplementar (SSS).

Os números apresentados mostram que Minas Gerais tem mais mamógrafos que o determinado pela legislação brasileira, mas que os aparelhos são mal distribuídos nas regiões do Estado. Outro dado mostra que apenas uma pequena parte atende aos parâmetros estabelecidos pelo Programa Nacional de Qualidade em Mamografia (PNQM).

Na região Triângulo Norte, onde se encontra Uberlândia, 51,85% dos municípios não têm acesso a mamógrafos a uma distância de 60 km ou menos de 60 minutos de viagem, como diz o Critério e Parâmetros Para o Planejamento e Programação de Ações e Serviços de Saúde do SUS. A maior parte dos equipamentos estão em Uberlândia, mas apenas 7,4% funcionam com aprovação do PNQM, a menor porcentagem do estado.

“A gente tem cadastrados 34 equipamentos na região Triângulo Norte e a maior parte deles está em Uberlândia. E muitos dos que estão aqui não funcionam. A gente ficou bem assustado porque é uma das regiões mais ricas do estado. Imagina as demais”, disse a professora.












 
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