06/11/2019 às 08h10min - Atualizada em 06/11/2019 às 11h57min

Servidores da rede estadual de ensino paralisam atividades em Uberlândia

Manifestação acontece nesta quarta-feira (6); atos públicos e suspensão das atividades em algumas escolas fazem parte das ações

BRUNA MERLIN E NILSON BRAZ
E.E. Presidente Tancredo Neves manteve atividades normalmente na manhã de hoje (6) | Foto: Nilson Braz
Servidores de Uberlândia aderiram, nesta quarta-feira (6), à Paralisação Estadual da Educação em Minas Gerais. Alguns atos públicos, além da suspensão parcial e integral das atividades em algumas escolas estaduais, estão previstos para ocorrer durante a mobilização. A paralisação na cidade está sendo organizada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE).  

O sindicato estimou que 20 escolas ficaram totalmente paralisadas e outras cinco tiveram uma adesão parcial, impactando aproximadamente 5 mil alunos de Uberlândia. Já o Estado informou que até o meio da tarde 91% das escolas estaduais tiveram funcionamento normal ou parcial.

 
De acordo com o presidente do Sind-UTE, Guilherme Faria, a manifestação tem como objetivo reivindicar o pagamento do piso salarial profissional, os atrasos nos salários e no 13º salário, pela continuidade de todas as séries iniciais na rede estadual e pelo direito da comunidade escolar eleger seus diretores.

“Os salários, que ficaram acordados em serem pagos em três vezes, não estão sendo depositados nas datas certas. Além disso, há uma perspectiva de que o 13º salário de 2019 seja pago em mais de três meses, sendo que a última parcela de 2018 foi paga em outubro deste ano”, informou o sindicalista. 

Faria explicou ainda que o projeto de transferência de turmas do 1º ao 5º da rede estadual para a municipal está aumentando o desemprego dos profissionais da área, representando grande perda para a classe. “Hoje o município já tem dificuldade para atender os alunos da própria rede e não existe um plano para conseguir atender os estudantes da rede estadual futuramente e isso causará um desfalque na Educação”, completou o presidente.

As ações de manifesto começaram ainda na noite desta terça-feira (5) com uma caravana para a cidade de Belo Horizonte. Os representantes da categoria participam de uma audiência pública, nesta manhã (6), com a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia para pontuar as mudanças que estão acontecendo e também para propor um encontro com o governador de Minas, Romeu Zema, para debater os impasses. 

Servidores no Legislativo
Em Uberlândia, a primeira atividade também ocorreu na manhã desta quarta, na Câmara Municipal.
Representados por Guilherme Graciano, a classe reivindicou apoio do legislativo municipal para com projetos que estão para ser discutidos no âmbito estadual. A reivindicação do sindicato é que o Legislativo local fiscalize o que está sendo proposto, uma vez que inflando a demanda do município, com os alunos que viriam da rede estadual, poderia comprometer o funcionamento das escolas municipais que, de acordo com eles, já teriam dificuldade de atender o próprio público.

“Escolas dos bairros Monte Hebron e Pequis são, hoje, administradas por organizações sociais, que terceirizam o serviço, justamente por dificuldade do município em assumir, enquanto secretaria de educação”, afirmou Graciano durante a sessão ordinária. 

Servidores foram ao plenário da Câmara para pedir apoio de vereadores | Foto: CMU/Divulgação


De acordo com ele, o Estado não foi claro sobre qual seria o quantitativo a ser municipalizado, mas que acreditam que o impacto será grande, estimando que aproximadamente de 4 a 5 salas, de cada escola estadual da cidade, perderiam seus alunos, que teriam de migrar para as escolas municipais. 

Além de protestarem contra a municipalização e turmas da rede estadual, colocaram em pauta outros projetos que estão sendo discutidos pelo Estado, que pretende retirar da comunidade escolar, a escolha dos diretores das escolas, além do atraso e parcelamento de salários. 

O Vereador Ronaldo Alves (PSC) comentou a participação do sindicato na sessão de hoje e disse achar válida a reivindicação por fiscalização. “Eu vejo que isso daí [a municipalização de algumas turmas estaduais] é, sem dúvida nenhuma, um retrocesso na educação, da forma que o Estado, através da Secretaria de Educação, tem proposto. Nós temos que entender um pouco mais. Esse projeto, que estava sendo encaminhada para a Assembleia Legislativa, foi retirada de votação, justamente por não haver um entendimento ainda”.


MUNICÍPIO
A Preifeitura de Uberlândia se manifestou sobre a municipalização por meio de nota. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, ainda não foi recebido, até o momento, nenhum comunicado oficial sobre a questão. Ressaltou também que uma medida desta natureza não atenderia à realidade de Uberlândia, uma vez que, pelo porte da cidade, a rede municipal e estadual precisam, necessariamente, atuar em conjunto para conseguir atender a demanda do ensino fundamental na cidade.

 

ESTADO
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que esta quarta-feira (6) é dia letivo calendário da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais e que acompanhará, ao longo do dia, a adesão das escolas estaduais à paralisação das atividades convocada pelo sindicato. Um balanço com os números da paralisação deve ser liberada no fim da tarde.

Sobre a municipalização, a SEE afirmou que a medida atende a uma demanda das próprias prefeituras e foi realizada em 13 escolas dos municípios de Andrelândia, Conceição do Mato Dentro, Itamarandiba, Aimorés, Guanhães, Itajubá, Ribeirão das Neves, Carmo do Rio Claro, Caetanópolis, Ervália, Guiricema, Ubá e Campanha. 


"Ou seja, a municipalização dessas unidades de ensino está sendo realizada em diálogo com os órgãos municipais, em atendimento a um pedido dos prefeitos à Secretaria de Estado de Educação. É importante salientar que esse processo de transição será acompanhado de perto pela SEE/MG, que oferece, além do apoio pedagógico aos municípios que passarão a administrar essas unidades e o suporte de infraestrutura", informa a nota. 
 
Em relação ao pagamento do 13º salário e ao piso salarial dos professores, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) dará as informações após a reunião com a categoria, que teve início às 17h em Belo Horizonte. 

 


Veja a lista parcial de escolas paralisadas na região:
  • E.E. Antônio Thomaz Ferreira de Rezende
  • E.E. Teotônio Vilela
  • E.E. Messias Pedreiro
  • E.E. Professor José Ignácio de Sousa
  • E.E. do Parque São Jorge (turno da manhã)
  • E.E. Bom Jesus
  • E.E. Professor Leônidas De Castro Serra 
  • E.E. Ignácio Paes Leme (turnos da manhã e da tarde)
  • E.E. Professora Katy Belém 
  • E.E.Maria Conceição Barbosa de Sousa (turno da manhã)
  • E.E. Ederlindo Lannes Bernardes
  • E.E. Enéias Vasconcelos (turnos da manhã e da tarde)
  • E.E. Mário Porto (turnos da manhã e da tarde)

Escolas paralisadas em outras cidades:

  • E.E.Governador Juscelino - Capinópolis
  • E.E. Paes de Almeida - Araguari
  • E.E. Professor Antônio Marques - Araguari
  • E.E. Madre Maria Blandina -  Araguari 
  • E.E. Dona Eleonora Pieruccetti - Araguar
  • E.E. José Carneiro da Cunha - Araguari (turnos da manhã e da noite)


* A reportagem foi atualizada às 17h46 desta quarta-feira (6).




 

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