17/10/2019 às 18h27min - Atualizada em 17/10/2019 às 18h27min

Aluna com câncer busca justiça para concluir curso em Uberlândia

Estudante do último período corre risco de ser reprovada por faltas e por não conseguir fazer provas na instituição; advogada enviou notificação extrajudicial à faculdade

BRUNA MERLIN
Elizabeth Cristina Almeida tem 22 anos e foi diagnosticada com linfoma | Foto: Reprodução/Facebook
Uma jovem de 22 anos, diagnosticada com câncer no sistema linfático, está mobilizando a população diante de um problema que enfrenta na faculdade onde estuda. Segundo a advogada da vítima, Mariana Envagelista Albibo Lopes, a instituição estaria negando ajuda à aluna para que ela conclua o curso. A situação ganhou destaque nesta quinta-feira (17) após amigos e familiares da jovem divulgarem o caso nas redes sociais.

Elizabeth Cristina Almeida cursa Direito na Esamc e está realizando o 10º período do curso. O diagnóstico da doença foi constatado no dia 23 de agosto deste ano, quando as aulas do último semestre da aluna já haviam começado.

O Diário de Uberlândia conversou com a advogada da jovem, que informou que o tratamento de quimioterapia foi iniciado três dias após o diagnóstico e a paciente está sendo submetida a seis ciclos do método, que serão realizados durante 21 dias. Devido à terapia, Elizabeth teve que se afastar da instituição para não correr riscos de ter o seu sistema imunológico afetado, mas continuou fazendo os trabalhos para concluir o curso.

Porém, com o afastamento, a aluna começou a acumular faltas e poderá ser reprovada. Como medida para tentar resolver a situação, Elizabeth conservou com professores e com a Coordenadora Pedagógica e pediu para que as faltas fossem reconsideradas. Também pediu que as provas e avaliações pudessem ser feitas em sua residência, mas não obteve sucesso.

“Ela está solicitando providências desde o dia 10 de outubro e até agora não houve um posicionamento. Alguns docentes da faculdade já até aconselharam trancar o curso no último período, sendo que ela já está com o Projeto de Graduação praticamente finalizado”, explicou Lopes.

Sem respostas da faculdade, a família da jovem, junto a advogada, resolveu conversar com a direção, mostrou atestados médicos e deu prazo de 48 horas para que a instituição se posicionasse sobre a situação. Após quase uma semana sem soluções, Lopes enviou uma notificação extrajudicial, na quarta-feira (16), para a unidade de ensino.

“É um descaso muito grande com a situação da Elizabeth. Isso é desumano. Ela sempre foi uma aluna aplicada, não reprovou em nada e falta apenas dois meses para se formar. Ela está devastada”, ressaltou a advogada.

Dentre os pedidos descritos na notificação estão que a estudante possa fazer provas em seu domicílio, receber as matérias dadas pelos professores em sala de aula e também a realização da apresentação do seu projeto de graduação no dia 30 de outubro para que os ciclos de quimioterapia não sejam afetados.

A reportagem questionou a advogada sobre quais serão as próximas medidas a serem tomadas em relação à situação. “Se não tivermos um retorno, pretendo entrar com uma denúncia no Ministério Público”, finalizou ela.

OUTRO LADO
Procurada pela reportagem, a faculdade Esamc afirmou que as informações divulgadas na matéria do Diário não procedem com a realidade dos fatos vivenciados pela aluna Elisabeth Almeida dentro das suas atividades acadêmicas na instituição.

Segundo a instituição de ensino, a estudante não atingiu o número de faltas que pudessem ocasionar sua reprovação por faltas. Ainda de acordo com a Esamc, a aluna não realizou nenhuma solicitação formal com requerimento protocolado na central de atendimento da instituição solicitando modificações no modo de realizações de provas e avaliações do meio presencial para o virtual. "A única solicitação que a mesma fez em atendimento telefônico à coordenação foi a de alteração da data de apresentação de seu trabalho de conclusão de curso, o que foi prontamente acatado pelo professor da disciplina e coordenação", diz a nota.

A faculdade relatou também que a notificação judicial não foi devidamente entregue e protocolada pela advogada de Elisabeth e que a profissional sequer apresentou procuração assinada pela aluna para atuar como sua representante legal, o que impede a instituição de dar quaisquer informações sobre a vida acadêmica da estudante.

"O que a instituição espera e desjea é que neste momento a aluna seja cercada de respeito e solidariedade e auxiliada por profissionais de forma responsável e ética", afirma a nota divulgada pela faculdade Esamc.


REPERCUSÃO
Alunos da Faculdade Esamc e amigos de Elizabeth se mobilizaram para divulgar o caso nas redes sociais e cobrar uma posição da instituição de ensino. Diversos posts no Instagram e Facebook com uma nota de repúdio foram publicados (Veja abaixo).


 Diversos estudantes da instituição publicaram a nota de repúdio em suas redes sociais | Foto: Reprodução/Instagram






 

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