17/10/2019 às 13h42min - Atualizada em 17/10/2019 às 13h42min

Estudo mostra entraves na área socioambiental de Uberlândia

Levantamento constata que nem todos os projetos locais têm viabilidade financeira

SÍLVIO AZEVEDO
Resultados foram apresentados nesta semana para representantes de instituições | Foto: Divulgação
Com objetivo de mapear negócios, projetos e instituições que atuam gerando resultados nas áreas ambiental e social, o grupo Impulso Coletivo realizou um mapeamento de iniciativas de impacto em Uberlândia durante todo o mês de agosto deste ano. Os resultados foram apresentados na última terça-feira (15) para diversas entidades que promovem ações socioambientais na cidade.

A pesquisa encontrou 72 iniciativas de 60 instituições entre Organizações Não Governamentais (ONGs), institutos, empresas, pessoas e projetos não formalizados de áreas como memória e ressignificação, meio ambiente, educação, saúde, promoção das diferenças, empreendedorismo e direitos humanos.

“A gente sabe que Uberlândia tem muitas entidades, organizações e empresas realizando trabalhos sociais e ambientais muito relevantes, mas que ainda não estão conectadas, realizam poucas coisas em conjunto, competindo por recursos quando poderiam otimizá-lo. O mapeamento foi uma primeira ferramenta que a gente usou para validar essas percepções e começar a nos conectar mais com essa rede”, disse Thayne Garcia, idealizadora e fundadora do grupo.

O Impulso Coletivo é formado por pessoas ligadas a instituições que atuam com negócios de impacto e inovação social. Entre as empresas representadas estão o Sebrae e o Social Good Brasil, Organização da Sociedade Civil parceira da Fundação das Nações Unidas, que incentiva o uso de tecnologias, dados e competências do futuro para o bem comum para a geração de impacto socioambiental positivo.

De acordo com o consultor do Sebrae Ariel Machado Sanches, muitas iniciativas se baseiam nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, no entanto nem todos os projetos têm sustentabilidade financeira, apesar do potencial de produto e serviço que gere impacto econômico, empregabilidade e geração de receita para o Município.

“O mapeamento foi justamente para constatar que o que a gente previa era realidade. Eles têm certa dificuldade de ter uma estratégia de sustentabilidade, monetizar seus projetos e isso é uma dor latente desses empreendimentos. Com o lançamento do monitoramento, tivemos a oportunidade de estar com os empreendedores, apresentar os resultados e ouvir como eles podem contribuir e o que acham que precisa acontecer quando se fala de ecossistema de impacto”.

Ainda de acordo com Ariel, outro ponto encontrado dentro do programa é a dificuldade de muitos empreendedores com a manutenção dos projetos devido a falta de mão de obra remunerada, o que faz com que dependam da ajuda de voluntários.

“As pessoas se engajam com atividades voluntárias, contudo, com o passar do tempo, elas vão assumindo outros compromissos com sua vida financeira pessoal. Quando a gente fala de sustentabilidade financeira é que os negócios de impacto consigam remunerar seus colaboradores”, disse Ariel.

Outra forma de trabalho do grupo Impulso Coletivo é fazer o network entre as empresas e instituições que atuam no mesmo segmento. “Um dos pilares do nosso trabalho será provocar conexões. Será como agrupar todos os projetos, as iniciativas que atuam com um ODS, porque entre eles têm muito o que contribuir”, disse Ariel Machado.

A partir desse mapeamento e a apresentação dos resultados de Iniciativas de Impacto de Uberlândia, o Impulso Coletivo pretende desenvolver um plano de atuação que auxilie esses empreendimentos a se tornarem sustentáveis, bem como atrair investidores que se interessem nos negócios de impacto.

“Uma vez que os negócios atingem um nível de maturidade, a nível de gestão, de estratégia, de governança, os investidores sentem mais confiança de aportar recursos nessas iniciativas”.

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