17/09/2019 às 17h15min - Atualizada em 17/09/2019 às 17h15min

Ministério Público analisa denúncias sobre perseguição política no IFTM

Representações são de servidores que ocupavam cargos de direção e foram exonerados; reitor é questionado sobre a situação

VINÍCIUS LEMOS
Campus do IFTM Uberlândia é um dos três que tiveram diretores e coordenadores dispensados | Foto: Arquivo/Diário de Uberlândia
O Ministério Público Federal (MPF) analisa duas representações que apontam perseguição política nos campi do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) em Uberlândia e Uberaba. As denúncias feitas às procuradorias da República das duas cidades são de servidores que ocupavam cargos de direção em pró-reitoria e coordenação e foram exonerados. Eles alegam perseguição devido à derrota do candidato à reitoria apoiado pelo atual reitor, Roberto Gil Rodrigues Almeida.

Na representação feita no MPF em Uberlândia, são apontados 12 atos de exoneração e dispensa considerados problemáticos e que teriam fundo político. Esses atos aconteceram desde o fim do processo eleitoral no instituto, que aconteceu entre 10 e 27 de agosto de 2019. As dispensas aconteceram em cargos dos campi Uberlândia, Uberaba e Campina Verde, também na pró-reitoria de Ensino e na própria reitoria.

De acordo com o documento protocolado no fim da semana passada no MPF, é pedido que a procuradoria analise os atos que constituem, em hipótese, “abuso de autoridade, assédio moral em ambiente de trabalho e ação contrária à prática democrática no IFTM, praticada pelo atual Reitor”. A representação ainda diz que “no uso de suas atribuições (Rodrigo Gil) vem executando alguns atos que a priori nos causa preocupação e motiva a busca de esclarecimentos (...) por supormos que o mesmo vem fazendo uso de abuso de autoridade, retaliação e perseguição política”.

Na disputa pela reitoria do IFTM, Gil deu seu apoio ao candidato Marco Antonio Maciel Pereira. Além deste, também foram candidatos Elisa Antonia Ribeiro, Watson Rogério de Azevedo, Marcelo Ponciano da Silva e Deborah Santesso Bonnas. Esta venceu a disputa com 31,4% dos votos e Marco Maciel ficou em terceiro lugar, com 10,94% dos votos.

Todas as exonerações seriam de pessoas que foram candidatas à reitoria ou fizeram campanha aberta para candidatos que concorriam com Maciel. Em Uberaba, uma das dispensas teria acontecido ainda durante o pleito. Outras cinco exonerações, tanto na cidade vizinha quanto em Uberlândia, teriam acontecido de maneira a não respeitar o cargo de diretor do campus, não sendo comum que o reitor dispensasse cargos de coordenação como de Pesquisa, Pós-graduação e Produção do Campus Uberaba e de direção de Ensino, Pesquisa e Extensão do Campus Uberlândia.

“Diante disso, solicito ao Ministério Público Federal uma busca por informações e esclarecimentos, na condição de que acreditamos que uma instituição de ensino, em primazia, deve ter sua gestão aberta e democrática de modo que os seus servidores possam divergir de ideias e, mesmo assim, não serão perseguidos politicamente, como o que supomos estar acontecendo no IFTM”, diz a representação.

DISPENSADOS
Candidato que recebeu 24,57% dos votos para a reitoria do Instituo Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), Marcelo Ponciano, que é professor  efetivo na instituição, perdeu o cargo de diretor do Campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico. “Pessoas que me apoiaram foram exoneradas. Eu mesmo fui exonerado e achei estranho porque, quando decidi sair candidato, eu avisei ao (Roberto) Gil e ele me deu carta branca. Não me deu apoio, mas disse que eu teria carta branca (para concorrer)”, afirmou Ponciano.

O professor afirmou ter tentado conversar e que agendou duas reuniões com o reitor para esclarecer os motivos da dispensa. Entretanto, os dois agendamentos foram desmarcados, e não houve sequer uma resposta informal sobre a decisão.

A falta de comunicação também atingiu Poliana Cristina de Oliveira Cristo Diniz, que foi exonerada do cargo de coordenadora geral de Ensino, Pesquisa e Extensão. “Ficamos sabendo, todos, por meio do Diário Oficial da União. Não houve comunicação anterior e não sabemos os motivos dessas decisões”, disse.

De acordo com as duas pessoas ouvidas pela reportagem, as dispensas chamam a atenção ainda por faltar menos de três meses para o fim do mandato do atual reitor, e também pelo fato de que, até o momento, nenhum outro servidor foi colocado nos cargos, o que, conforme afirmam, dificulta o trabalho do próprio IFTM.

O OUTRO LADO
Procurado pelo Diário, por meio de seu gabinete, o reitor Roberto Gil Rodrigues Almeida preferiu não se pronunciar, no momento, sobre as alegações feitas nas duas representações junto ao Ministério Público Federal. 
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