10/09/2019 às 13h33min - Atualizada em 10/09/2019 às 13h33min

Combate à dengue segue mesmo durante estiagem em Uberlândia

Nessa época se trabalha a remoção dos ovos num estágio anterior do mosquito

VINÍCIUS LEMOS
Visita de agentes de Zoonoses em residência no bairro Morumbi | Foto: Vinícius Lemos
Mesmo sem a chuva, que é o principal facilitador para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, as equipes do Programa de Combate à Dengue seguem o trabalho em imóveis de Uberlândia para retirada de ovos do inseto. O período de estiagem reduziu o número de notificações, que nas últimas semanas não passaram de cinco por dia, segundo o Centro de Controle de Zoonoses.

Desde o dia 5 de agosto não é registrada uma chuva de intensidade suficiente para ser captada pelo Laboratório de Climatologia da Universidade Federal de Uberlândia. Antes disso, a última precipitação na cidade foi em 17 de maio. Neste período, segundo o coordenador do programa de combate ao mosquito, José Humberto Arruda, a tarefa das equipes da Zoonoses tem um foco diferente, mas com o mesmo tipo de objetivo: evitar o nascimento do Aedes.

“Uma das fases mais difíceis de combate é a fase de ovo e nesse período de seca intensificamos a retirada desses ovos. Esperamos que quando voltar o período chuvoso haja um menor número de ovos que vão se tornar mosquitos. Assim poderá haver uma infestação menor ou que ela aconteça de maneira mais lenta”, disse.

A grande diferença, ainda segundo Arruda, é que em época de chuvas o combate é feito a focos consolidados, como pontos com água e em busca de quebrar a transmissão de um indivíduo para outro. Nesse momento há condição de trabalhar a remoção em um estágio anterior do mosquito.

Números do Boletim Epidemiológico de Monitoramento de Dengue, Chikungunya e Zika, da Secretaria de Estado de Saúde, apontam mais de 32 mil casos prováveis de dengue em Uberlândia. Ao todo, 18 mortes foram confirmadas como sendo em decorrência da doença no Município. A incidência segue muito alta, com 4. 806,46 casos suspeitos para cada 100 mil habitantes. Os dados foram atualizados nesta segunda-feira (9) e mostram que no Estado de Minas Gerais há 474.693 casos prováveis de dengue e 132 mortes.

Pelo menos para Uberlândia a tendência é de redução do número de notificações, com o período de estiagem. Em junho, por exemplo, o Município chegou a ter mais de 40 mil casos suspeitos de dengue. De acordo com Arruda, o ano de 2019 entrou em uma situação difícil em relação à doença por fatores como a entrada do vírus tipo 2 na região, calor e chuvas intensas, além de dificuldade de combate, uma vez que as equipes não conseguiam entrar nas residências para verificação. “Em alguns bairros encontramos 40% dos imóveis fechados. Sendo assim, o diferencial é a postura do cidadão. Se você passa numa residência, faz a limpeza e só pode voltar daí a 40 dias, quem tem responsabilidade é o morador para limpar os quintais”, afirmou.

AÇÃO NO MORUMBI
Durante toda a manhã de segunda-feira (9), as equipes do Programa de Combate à Dengue estiveram no bairro Morumbi, na zona leste de Uberlândia. O objetivo, além da verificação de rotina, era fazer o bloqueio em locais em que a doença foi notificada. Foram usadas bombas para aplicação do veneno em algumas ruas do bairro.

Moradora do bairro, Maria do Socorro Ferraz Alves afirmou que teve dengue há cerca de 5 anos e, portanto, sabe da importância de deixar que as equipes entrem nas casas e façam a fiscalização. “Na época meu marido me ajudou, há dois anos eu perdi meu marido, hoje se eu passar mal vou estar sozinha. Eu tenho compromisso agora, mas estou recebendo o pessoal da Zoonoses”, explicou.
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