08/09/2019 às 10h34min - Atualizada em 08/09/2019 às 10h34min

De onde vem a sua roupa?

Consultora de moda de Araguari integra trio de apresentadoras de programa do GNT

ADREANA OLIVEIRA
Giovanna Nader conversou com o Diário de Uberlândia sobre o programa | Foto: Mari Caldas/Divulgação

Entrou na programação do GNT em agosto a série “Se essa roupa fosse minha” (SERFM) que traz para a televisão a temática da moda sustentável. O trio de apresentadoras é formado pela estilista Ana Paula Xongani, a consultora de moda sustentável Giovanna Nader e a figurinista Marina Franco. Giovana, mineira de Araguari, conversou com o Diário de Uberlândia sobre esse projeto e sobre como você pode ajudar o planeta e se sentir bem com a roupa que usa.

Radicada no Rio de Janeiro, Giovanna conta que o “SERFM” é uma iniciativa da Conspiração Filmes com a GNT e a marca Comfort. “A proposta era levar a moda sustentável para a TV e me convidara por eu já tratar desse tema e sou muito grata por fazer parte disso. A equipe é maravilhosa e nos permitiu, inclusive, colaborar no roteiro. O programa ficou a nossa cara, com a nossa linguagem porque é a nossa verdade, nós vivemos isso no dia a dia, não é só um discurso”, afirmou.

A moda sustentável entrou na vida de Giovanna muito “sem querer”. Há alguns anos ela trabalhava com consultoria de branding para marcas de moda – o outro lado da moda luxo mais tradicional – porém, não via muito propósito no que fazia e aquela tornou-se apenas uma atividade que lhe permitia pagar as contas.

Em 2013, ao lado de Raquel Etileno, ela criou o Projeto Gaveta, que consistia pura e simplesmente na troca de roupas, sem envolvimento de dinheiro ou marcas. “Percebi que era possível falar de uma moda mais justa, mais humana e sustentável. A partir daí a sustentabilidade tem se tornado pauta no mercado de moda e acompanho pessoas, iniciativas e projetos desse movimento pelo qual me apaixono mais a cada dia”.

Para Giovanna, nesse universo se fala da moda mais humana, ética, com valores pautados na transparência, diferente do que percebemos na moda tradicional. “Encontrei um propósito porque o mercado da moda é o mais poluente do mundo, tem muita coisa errada ali. É também o segundo mercado que mais escraviza pessoas. Quando lutamos por uma moda mais livre e mais humana a gente vê um brilho no olhar de saber que está fazendo uma moda que pode fazer feliz não só quem veste como também quem faz a roupa”.

A diretora do “SERFM”, Isabel Nascimento Silva, completa que a série repensa o jeito que a lidamos com o consumo. Também desmistifica o garimpo em brechós, mostrando que fazer compras num espaço como esse, por exemplo, pode ser, além de mais econômico e sustentável, uma experiência divertida. O projeto também levanta uma outra discussão e inverte a lógica clássica de que as mulheres devem tentar caber na “calça tendência da vez”. “gente tenta mostrar que na verdade é a roupa que tem que estar a nosso favor. Que roupa abraça o teu corpo? Que peça te dá mais poder para ser quem você é? E qual cabe no teu bolso?".

SERVIÇO
Episódios inéditos de “Se essa roupa fosse minha” vão ao ar aos sábados, 19h30 no GNT. Reprises às terças-feiras às 6h30 e 13h e sextas-feiras às 10h. Do total de 13 episódios cinco já foram ao ar e estão disponíveis e no Globosat Play, Net Now, Vivo Play, e Oi Fibra.
 
TRAJETÓRIA
Coração dividido entre Minas, São Paulo e Rio

Giovanna Nader morou em Araguari (MG) até os 17 anos, quando foi para um intercâmbio na Dinamarca. Desde menina sonhava em morar em São Paulo ou no Rio de Janeiro e ao voltar do intercâmbio foi direto para a capital paulista, onde graduou-se em Administração com ênfase em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

“Morei 13 anos lá. Amo aquela cidade que me moldou graças à sua riqueza cultural. Tem aquela atmosfera urbana que abraça diferentes tipos de pessoas e formas de pensamento. Só uma cidade como São Paulo abraçaria um projeto como o Gaveta”, disse ela sobre o festival de troca de roupas idealizado por ela e Raquel Etileno, como já citamos.

Casada com o humorista e ator Gregório Duvivier, mãe de Marieta, de 2 anos e oito meses, ela encarou com naturalidade a mudança para o Rio de Janeiro, onde o marido já morava. “Adoro morar aqui também. Apesar de ter um coração muito paulistano estou aprendendo a ter um estilo de vida mais tranquilo e quando bate a saudade vou para São Paulo”.

Dicas de Giovanna Nader para conhecer e praticar a moda sustentável

1 - Questione-se sobre a roupa que você está usando. Geralmente nos vestimos e não temos ideia de quem fez aquela roupa, quem a costurou. As etiquetas asiáticas “Made in China”, “Made in Bangladesh” muitas vezes significam roupas feitas a partir de mão de obra escrava e ninguém quer usar uma roupa feita por uma pessoa que estava sendo explorada por aquele trabalho.

2 - Preocupe-se com os tecidos que usa. Há tecidos muito maléficos ao meio ambiente como poliéster, polietileno - que vem do plástico e não se decompõem nunca. A maioria das roupas hoje em dia é confeccionada em poliéster, uma mistura de plástico sintético que não é nada agradável: pinica, pode dar mau cheiro no calor. Priorize sempre fibras naturais como linho, a lã o algodão e a seda.

3 – Use roupas de brechós, que consiste na maneira mais sustentável que existe de se consumir roupa. Já tem muitas peças produzidas no mundo e os brechós estão pipocando cada vez mais pelo país e se tornando moda não só pela estética, mas por terem peças únicas. Pode encontrar algo ali que ninguém mais tem, a partir da própria modelagem antiga, o carinho da costureira que muito se perdeu com a indústria da moda rápida, ou fast fashion.

4 – Pegue roupas da mãe, da avó, só não vale ter roupa parada no armário. Se você tem, comece a desovar, presentear outras pessoas.


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