04/09/2019 às 12h56min - Atualizada em 04/09/2019 às 12h56min

Aluno de medicina da UFU recebe convite para ir a Harvard

Professor se emocionou com história do estudante de Uberlândia, que agora busca ajuda para realizar sonho

VINÍCIUS LEMOS
O estudante da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed-UFU) Márcio Henrique de Jesus Oliveira pretende viajar no início de 2020 para os Estados Unidos e passar o período de um ano em Harvard. Convidado por um professor e pesquisador brasileiro, a única coisa que o separa nesse momento do sonho de estudar em uma das principais universidades do mundo é questão financeira. Esse será o maior passo de superação em busca de educação para o jovem de 21 anos.

Seu objetivo é passar 12 meses na cidade de Boston, no campus médico da Harvard, onde será acompanhado por um médico pesquisador da instituição. O programa de estágio veio a partir de conversas entre o universitário e o médico patologista Paulo Hilário Nascimento Saldiva, que desenvolve estudos sobre a relação entre saúde humana e poluição atmosférica.

Paulistano, Márcio Oliveira deixou a capital paulista para cursar medicina na UFU e hoje está no segundo período dos estudos. Para que viva em Boston, ele precisa arrecadar até R$ 60 mil, levando em consideração todos os custos que terá na cidade americana e com os próprios estudos. “Esse vai ser mais um desafio”, disse.

Desde os 17 anos, Márcio buscou mudar a vida por meio dos estudos. À época, ele trabalhava em dois empregos, um hospital e uma pizzaria, conciliando com um cursinho preparatório para vestibular. Inicialmente ele fez um curso ligado à igreja que frequentava, depois conseguiu ser aprovado em um preparatório no qual os professores são estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o MedEnsina. Lá, ele conheceu o professor Marcus Agrela, o qual teve grande importância em sua vida acadêmica. “Eu fui privilegiado por ter alguém me apoiando. Se não fosse esse cara eu não sei o que seria da minha vida. Ele me mostrou o que é a Educação”, disse Oliveira.

Foi Agrela, já formado, que custeou parte dos estudos de Márcio ao colocá-lo em um dos pré-vestibulares mais caros de São Paulo. “Transitava, como diz os Racionais, entre viver o sonho e voltar para a triste sobrevivência. Pensava: ‘estou tendo oportunidade que muita gente não tem’, então só estudei”, disse sobre a rotina de estudos e de voltar para a casa dos pais em Itaquera, onde morava também com três irmãos.

Foram três anos de cursinhos, período no qual ele tentou uma série de vestibulares, conseguindo, no ano passado, o ingresso em instituições de diferentes estados, como São Paulo, Bahia, Santa Catarina e Minas Gerais. Acabou optando pela UFU.
 
HARVARD
Conhecido dos alunos e professores da MedEnsina, Márcio Oliveira foi apresentado a Paulo Saldiva, e a história de amor aos estudos e trabalho para superar dificuldades sociais e econômicas emocionou o pesquisador. “O Márcio é um exemplo de pessoa que venceu as dificuldades e circunstâncias da vida. Ele motivou a faculdade de medicina da USP. E deve haver vários Márcios perdidos por aí e espero que essa história os motive”, disse Saldiva. Foi essa força que levou ao convite para estudar em Boston.

Hoje, o pesquisador tenta ajudar Oliveira a conseguir, por meio de institutos, o custeio em Harvard. Uma dessas instituições é a Fundação Lemann, que entre outras pessoas ajudou nos estudos da deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP). “Não que todos que participam desse estágio se tornam pesquisadores, mas o método científico é bom para ensinar a aprender por si mesmo. É uma boa forma de se tornar um médico atualizado”, disse Saldiva. Caso não haja o financiamento, Márcio Oliveira pensa em montar uma vaquinha online para levantar o dinheiro necessário aos estudos, ao mesmo tempo que faz contatos para planejar seu estágio.

Ele conta que sempre teve apoio e que sem a oportunidade oferecida por colegas de sala e professores, teria imensa dificuldade de vencer a própria realidade em busca de estudos. Ele relembra a mensagem da pessoa mais importante nessa escalada entre o Ensino Médio em uma região pobre paulistana e a possibilidade de ir para uma universidade americana conceituada. “Quem transformou sua vida foi você mesmo (...) O que eu fiz foi depositar em você uma confiança que você correspondia e corresponde com muita perseverança”, citou Marcus Agrela em uma das várias mensagens trocadas com o amigo.
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