30/08/2019 às 16h56min - Atualizada em 30/08/2019 às 16h56min

Voluntárias de Uberlândia confeccionam enxovais para famílias carentes

Grupo existe há mais de cinco décadas ajudando mães em situação de vulnerabilidade social

ADREANA OLIVEIRA
Divina Guerra Pereira, Iracilda Ferreira, Maria Natalina, Ozana Borges, Selma Ferreira da Silva e Guilhermina Maria Ferreira | Foto: Adreana Oliveira

Era um retalho, um pedaço de pano que, para muitas pessoas, teria como único destino a lata de lixo, e olhe lá, talvez nem fosse feito o descarte correto no compartimento para recicláveis. Mas esses pedacinhos de pano nas mãos de costureiras habilidosas tornam-se grandes o suficiente para abrigar uma pessoa inteira... nos primeiros dias de vida.

Voluntárias do Centro Espírita Caminho da Luz, no bairro Martins, há pouco mais de 50 anos, entre as várias obras de assistência social, confeccionam enxovais para mães em situação de vulnerabilidade social. No pequeno cômodo dedicado à costura, às vezes falta espaço para o material, mas tudo se ajeita – o que não falta é amor e comprometimento com quem precisa.

Nesse caso, fica claro que o pouco não existe. A solidariedade jamais será algo pequeno. “Eu comecei esse trabalho com meus filhos ainda pequenos, hoje meus netos me acompanham vez ou outra, quando venho pra cá”, conta Ozana Borges, chamada pelas colegas de estilista dos bebês.

Há conjuntinhos de todas as cores e formas. O capricho é tanto, que não perde para marcas badaladas do mercado, e todas essas peças têm o complemento da bondade, do fazer o bem não importa a quem.

Guilhermina Maria Ferreira mostra outra parte do kit, que, além das roupinhas, vai com produtos de higiene doados por outra colaboradora. Cobertorezinhos novos ou usados também são repaginados e fazem a alegria das novas mamães, que têm uma preocupação a menos, graças às voluntárias que, dependendo do dia, chegam a 15.

Euclezina Maria de Oliveira, coordenadora do centro, presidido por seu marido, José de Oliveira Pinto, afirma que nada produzido ali é vendido, independentemente do projeto, e eles também fazem questão da autonomia. “Não temos nenhuma ligação com políticos. Eles até se oferecem para ajudar, mas não temos interesse em dar o retorno que sempre pedem”, comenta Euclezina.

Ela conta que o imóvel onde está o centro, na rua Eduardo Marques, foi doado há mais de 50 anos, e o Centro foi construído também por servidores voluntários com material de construção oriundo de doações da comunidade. “A gente não faz nem bazar. Fazemos bingos, rifas, e foi assim que construímos essa instituição, o Centro Assistencial Antônio Batuira Gonçalves, no Lagoinha, na mesma época.”

No bairro Martins, onde são feitos os enxovais, a reportagem do Diário encontrou um ambiente bem simples, sem luxo, mas muito bem zelado. Com as doações mais recentes, conseguiram trocar o telhado, mas a pintura teve que ficar para depois. No entanto, nada disso tira a alegria de quem está ali para ajudar quem precisa.

“Já ouvi de muita gente que as pessoas para quem fornecemos esses enxovais ‘tão bonitos’ não merecem itens de qualidade, não sei de onde tiram isso. As mães ficam tão felizes, algumas fazem questão de mandar fotos ou voltar aqui com seus bebês nas roupinhas que saem daqui. Não se coloca valor em uma coisa dessa. O sorriso sincero e a gratidão que temos de retorno delas são tudo aquilo de que precisamos”, diz Euclezina, 70 anos, envolvida em causas sociais desde os 17.

Se esse projeto chamou sua atenção e você quer ajudar de alguma forma, envie e-mail para: [email protected]


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