20/08/2019 às 18h24min - Atualizada em 20/08/2019 às 18h24min

Pesquisa da CDL mostra preocupação com violência em comércio de Uberlândia

Polícia Militar contesta números e destaca que houve redução de ocorrências

VINÍCIUS LEMOS
Estatísticas foram apresentadas em reunião com polícias e lojistas | Foto: Vinícius Lemos
Uma pesquisa feita pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia mostrou que 64% das empresas entrevistadas foram alvo de furtos ou roubos no ano de 2019. O resultado rendeu uma reunião com as polícias Civil (PC) e Militar (PM) na manhã desta terça-feira (20) em busca de ações para aumentar a segurança. O comando local da PM, entretanto, não reconheceu os números da pesquisa da entidade comercial e apontou que o levantamento policial, via registro de ocorrências, apresentou redução de crimes violentos em geral, como roubos e homicídios.

O levantamento da CDL não traz a quantidade de empresas pesquisadas – as entrevistas aconteceram entre 14 e 18 de agosto e dizem respeito a ocorrências no primeiro semestre do ano. A maior parte dos entrevistados, 54%, é do setor de comércio, e 46% são empresas de serviços. Os dados mostraram, segundo a entidade, que 45% das empresas entrevistadas foram roubadas mais de uma vez no período. A maior parte dos roubos envolveu equipamentos, com 34,8% dos casos, seguido de roubo de dinheiro e mercadorias, em 21,7% das ocorrências.

A pesquisa da CDL ainda pediu para que fosse feita avaliação do policiamento na região em que a empresa está instalada. A maior parte considerou o patrulhamento ruim, com 57,3% dos entrevistados. Outros 27,4% consideraram o policiamento bom. De maneira mais ampla, a pesquisa ainda levantou a avaliação da segurança pública em geral no Município e dessa vez a maior parte, 42,7% avaliou como boa a segurança local. Por outro lado, 41,1% considerou ruim o serviço em Uberlândia.

“Crimes de furtos e roubos aumentam e esse é o motivo da reunião: para saber o que fazer, a curto prazo, e como diminuir índices. Nós vamos pedir aumento de repressão e prevenção desses crimes. É muito importante que pelo menos se prenda o bandido. Se por acaso a Justiça soltá-lo, ele fica registrado”, afirmou o presidente da CDL Uberlândia, Cícero Novaes.
 
NÚMEROS DIVERGENTES
O comandante da 9ª Região de Polícia Militar (RPM), coronel Cláudio Vítor, chamou a atenção para a divergência entre a pesquisa da CDL e os números registrados no sistema policial. Os dados apresentados pela PM mostram redução de 31% nos roubos em Uberlândia. Neste caso são incluídos crimes cometidos contra comércio e população em geral. Ele ainda citou que crimes violentos em geral, em toda a 9ª RPM, caíram 26,85% entre janeiro e agosto de 2019, no comparativo com igual período de 2018.

Os crimes violentos incluem roubos, homicídios, estupros e outros. “Esses dados da CDL não correspondem à realidade dos números. Tivemos reduções importantes nos casos de crimes violentos e nos crimes contra o patrimônio. Reportamos a dados iguais ao ano de 2011. O fato é que um comerciante ou outro que tenha sido vítima de crime, ele passa a sensação [de insegurança] de um para o outro”, disse o comandante.

Ele ainda chamou a atenção para o fato de 41% das empresas não terem feito o registro de boletim de ocorrência em casos de furtos ou roubos, de acordo com a pesquisa da CDL. Segundo o comandante, isso afeta o levantamento da PM para o lançamento de equipes para a região, já que sem o registro os números não mostrariam incidência de crimes na região onde eles ocorrem.
 
CDL cobrou solução para ambulantes
Durante a reunião que discutiu a segurança de lojistas, a presidência da CDL Uberlândia pediu uma solução para o aumento de ocupação de praças e calçadas por ambulantes, principalmente na região central da cidade. Cícero Novaes ainda citou a criação de áreas de chácaras no entorno do perímetro urbano como outro problema que gera violência e negociações ilegais no Município. Ele pediu maior fiscalização das autoridades municipais.

“A concorrência é desleal com ambulantes, que não pagam impostos e trazem produtos sem procedência. Tudo ocorre, às vezes, por falta de fiscalização. A pessoa diz que não sabia que estavam lançando chácaras em determinados locais e as pessoas já ocupam. Aí não tem infraestrutura, e todo mundo, no final, reúne e fala ‘coitado, comprou e não sabia que não existia a estrutura, agora temos que arrumar o título da terra pra ele’. Você aumenta a capacidade de trazer a criminalidade. Quem vem, normalmente, não são pessoas necessitadas no geral, a maioria é de negócio escuso”, disse Cícero Novaes.

O secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos, João Júnior, informou durante a reunião que o Município tem articulado mudanças na legislação local para aumentar a fiscalização e propor espaços para que os ambulantes façam a comercialização de maneira formal. “Há uma legislação limitada. Desde dezembro trabalhamos para mudar a legislação e aumentar o poder fiscalizador”, disse o secretário.

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