03/08/2019 às 10h00min - Atualizada em 03/08/2019 às 10h00min

Estado reduz turmas do EJA em escolas de Uberlândia

De 22 unidades e três anexos no primeiro semestre, agora só 10 têm o ensino

VINÍCIUS LEMOS
Modalidade é oferecida a jovens e adultos que desejam retornar aos estudos | Foto: SEE/Arquivo
O número de escolas estaduais com turmas novas de Educação de Jovens Adultos (EJA) caiu para menos da metade no segundo semestre de 2019, se comparado ao que era oferecido no início do ano. De acordo com professores e pessoas ligadas a esse tipo de ensino oferecido na rede estadual, a situação não só dificulta a vida dos alunos que podem recorrer ao EJA, como ainda diminui vagas de trabalho. Além disso, o critério para escolha das escolas que puderam abrir turmas é considerado obscuro.

Até o primeiro semestre, 22 escolas e três anexos mantinham o EJA em Uberlândia. Muitas delas, com mais de uma turma para o ensino médio. Agora, o Estado autorizou que 10 escolas abrissem 11 turmas do ensino, com um total de 350 alunos sendo atendidos.

Como definido pela própria secretaria de Estado de Educação, o EJA visa atender jovens e adultos que não tiveram oportunidades de estudos na idade própria e desejam completar os ensinos fundamental e médio. A idade mínima para matrícula no ensino fundamental é de 15 anos e no médio, 18. Os jovens e adultos que desejam retornar aos estudos devem entrar em contato com as escolas autorizadas a oferecer o curso presencial de EJA para se matricular apresentando o histórico escolar e documentos pessoais.

Entretanto, para o atual semestre, não foi divulgado amplamente as escolas autorizadas nem os motivos que levaram às escolhas. O presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) em Uberlândia, Guilherme de Faria Graciano, informou que as escolas não podem fazer listas de espera e, assim, não poderiam demonstrar a demanda em sua região de atendimento. Outro problema é que sem novas turmas, o EJA em alguns anos pode ser extinto naquelas escolas.

“Sem novas turmas de primeiro ano, você não renova o EJA, mesmo que haja demanda, pois o segundo e o terceiro ano vão se formar daqui um ou dois semestres e a escola não terá mais a quem oferecer o ensino, pois não pode receber mais ninguém”, explicou.

Na avaliação de Graciano, o número reduzido de escolas leva a outras duas situações, que são menor qualidade de ensino e maior dificuldade de atração de alunos. Ainda segundo ele, menos escolas leva a uma maior concentração de alunos por sala, o que dificulta as aulas devido ao grande número de estudantes a serem atendidos por cada professor. Dessa forma, o ensino seria precarizado. Além do mais, jovens e adultos com interesse de voltar a estudar poderiam ser desencorajados caso a escola mais próxima à sua casa não abra vagas e ele tenha que se deslocar para um bairro distante.

Um exemplo é a Escola Estadual Teotônio Vilela, que não abriu novas turmas de primeiro ano. Além da sede no bairro Planalto, a escola ainda atende EJA no anexo do bairro Morada Nova, um dos locais mais distantes do Centro de Uberlândia. “Só se leva em consideração o quantitativo e não o qualitativo e nem o aspecto pedagógico. Me parece parte da política de corte de orçamento na Educação”, disse Guilherme Graciano.
 
OUTRO LADO
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação respondeu ao Diário por meio de nota, mas não esclareceu quais são os critérios que estabeleceram as 10 escolas que irão oferecer o EJA neste segundo semestre de 2019. A nota reitera os números de 350 alunos atendidos em 11 turmas e afirma que a “abertura de novas turmas EJA nas escolas estaduais é planejada, por meio do plano de atendimento, a partir das demandas encaminhadas pelas unidades escolares”. Contudo, conforme apurado pela reportagem, pelo menos outras oito escolas estaduais teriam demanda para que novas turmas fossem abertas, mas foram impedidas.

O Diário ainda questionou ao Estado qual era o limite mínimo de alunos interessados para que as turmas fossem abertas, quais eram as escolas que receberiam novas turmas, o motivo de não haver autorização para determinadas instituições, além de outras perguntas, e nenhuma delas foi respondida.
 
ESCOLA PERDEU DUAS TURMAS 
Há oito anos o professor de Geografia Ronaldo Pereira dá aula na modalidade EJA na Escola Estadual Professor José Inácio Castilho. Ele conta que foram pelo menos duas turmas fechadas na escola, além de não ser permitida uma nova turma de primeiro ano do ensino médio.

“A ideia é restringir o número de turmas, até porque se tiver nove, 10 ou 11 que querem estudar, têm o direito. Se tem 19 pessoas querendo estudar, mas não completou as 20 vagas, então não abre. Esse é o ‘X’ da questão. Eles mudam as regras e não dão prazo para que as matrículas aconteçam. Nós recebemos a notícia de que não abriria novas turmas na semana passada”, disse.

Além do impacto para o aluno, ele explicou que com menos aulas, ele absorve turmas de outro profissional, já que se trata de servidor efetivo, forçando contratados a serem dispensados. “Ainda pode acontecer de eu ter que mudar de escola, que dá um transtorno funcional. O Governo quer economizar na criação de turmas, mas não percebe que afeta todo mundo”, disse.

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