14/07/2019 às 12h30min - Atualizada em 14/07/2019 às 12h30min

Psicólogos passam a oferecer sessões online em Uberlândia

Atendimento pode ser feito por chamada de vídeo ou mensagem de texto; pacientes aprovam nova forma

GIOVANNA TEDESCHI
Ferramenta é utilizada pela psicóloga Tatiane Medeiros, de Uberlândia, para sessões online | Foto: Arquivo Pessoal
Imagine o seguinte: você está num tratamento muito profundo com um psicólogo, mas uma nova oportunidade de trabalho exige que você se mude de cidade. Também pode acontecer de você precisar de terapia, apesar de viver em um país cujo idioma não domina. Ou ainda: você mora em uma região em que não se sente confortável com nenhum dos profissionais disponíveis, apesar de querer ajuda psicológica. Graças à tecnologia, todos esses problemas podem ser superados atualmente por meio de terapias online como já ocorre em Uberlândia.

A modalidade foi o primeiro tipo de terapia pelo qual passou Fabíola Souza, de 38 anos, psicóloga que vive em Patrocínio. “Eu me formei em 2014 e não tinha feito terapia ainda. Um dos motivos era que, por ser uma relação muito íntima [entre terapeuta e paciente], eu não me sentia à vontade com nenhum profissional aqui da cidade, já que conheço a maioria deles, por estar no meio”, explica.

Souza menciona também um segundo motivo para fazer terapia por meio virtual: se identificou bastante com uma psicóloga de Uberlândia, que conheceu pela rede social Instagram. “Eu estava com um conflito pessoal, já com vontade de fazer terapia e a procurei”, conta. O atendimento, que ocorreu em 2016, durou 6 meses e era feito por chamadas de vídeo.

Fabíola Souza é psicóloga e fez terapia online por 6 meses em 2016; atualmente ela também usa tecnologia para atender pacientes | Foto: Arquivo Pessoal

Em maio de 2018, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou a resolução nº 11/2018, que atualiza uma norma de 2012 sobre atendimento online e demais serviços realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância. O novo texto afirma que o psicólogo precisa se cadastrar no site do CFP e preencher um formulário com dados pessoais e profissionais. Antes, era preciso possuir um site próprio para utilizar a modalidade.

Outra mudança que ocorreu com a nova resolução é extinção do limite de sessões: antes, o máximo permitido era de 20 atendimentos. Além disso, crianças e adolescentes podem ser atendidos, mas com autorização dos pais. A nova norma também veda o atendimento online de pessoas e grupos em situação de violação de direitos ou violência. 

A psicóloga Tatiane Medeiros mora em Uberlândia e realiza atendimentos online há cinco anos com pacientes de diversas partes do País. “Eu comecei a fazer porque alguns clientes que moravam na cidade se mudaram e queriam dar uma continuidade a um atendimento que já haviam iniciado. Também tive uma demanda de brasileiros que moravam fora do país, que estavam buscando alguma forma de orientação psicológica, e receberam indicações do meu trabalho”, explica.

As consultas são realizadas por chamada de vídeo. “Não gosto de fazer atendimento por escrito ou apenas por áudio. Na psicoterapia a gente precisa ver o paciente por causa da comunicação não-verbal. Ver as expressões, como ele está reagindo, o que está acontecendo ali, porque muito do que acontece não é verbal”, afirma a psicóloga.

De acordo com Medeiros, há muito mais vantagens do que desvantagens na terapia online. A acessibilidade, como em casos de pessoas que moram em cidades que não têm psicólogos ou que possuem deficiências, é um desses benefícios. “Penso também na questão de tempo: tem empresários que não conseguem fazer um deslocamento, mas conseguem tirar uma hora dentro do escritório para fazer a terapia”, diz. A psicóloga também cita casos em que pacientes estão viajando ou com algum problema de saúde e utilizam o atendimento pela internet como uma forma de não interromper o tratamento.

Pensando em desvantagens, Medeiros cita duas: o acesso à tecnologia, já que o atendimento pode ficar prejudicado por causa da baixa qualidade de áudio e vídeo, e o fato de alguns pacientes ficarem confortáveis demais com o uso da internet. “Às vezes, por causa da questão de estar ali em casa, as pessoas se acomodam mesmo. O atendimento psicológico exige dedicação e deve dar um pouco de trabalho mesmo”, opina.
 
CONEXÃO
Ana (nome fictício), de 41 anos, vive em Uberlândia e contratou uma plataforma online para se consultar com psicólogos. Ela utiliza chamadas de vídeo uma vez por semana, mas tem acesso livre para enviar mensagens, áudios e vídeos quando precisa. “Com a correria do dia a dia, com o excesso de conflitos, dúvidas e decisões que vivenciamos, ter em mãos um suporte em que podemos recorrer a qualquer momento é muito mais cômodo e facilitador”, diz. Ela cita outra vantagem: não tem que esperar dia e hora para ser atendida e recebe o feedback no mesmo dia, sem precisar se deslocar.

“Eu já fiz presencial com três psicólogas diferentes. A principal diferença que senti é a disponibilidade para me consultar quando quero, pois tenho muita dificuldade em falar. Em muitas sessões presenciais, eu ficava travada sem conseguir me abrir e saía de lá muito frustrada, com isso juntavam meus conflitos e minha frustração. Com a terapia online, consigo falar no meu tempo”, afirma ela, que diz ter uma evolução gigantesca após 6 meses do tratamento pela internet.

“A gente consegue uma conexão tão grande com a pessoa do outro lado que essa barreira não faz diferença, de verdade”, diz Souza, de Patrocínio. Após passar por uma boa experiência, ela realiza sessões pela internet com seus próprios pacientes atualmente. São geralmente pessoas que se identificam muito com sua forma de trabalho ou que já foram atendidas presencialmente e se mudaram. Apesar disso, a prioridade são os atendimentos presenciais.

Perguntada sobre a privacidade da terapia online e o medo do vazamento de dados, a psicóloga diz se sentir segura. “Não existe nenhuma plataforma completamente segura, mas eu nunca vi vazar nada”, conta. Ana também afirma estar segura: acredita que a tecnologia é avançada o suficiente.

Por fim, Souza dá um conselho para quem quiser fazer terapia, seja online ou presencial: “Marque sessões com diferentes profissionais para saber qual se adequa mais a você, com qual você vai ter mais afinidade, porque muito do tratamento funcionar depende do vínculo”, diz. Ela conta também que as sessões online costumam ser mais baratas, o que pode facilitar a busca por um psicólogo para quem tem orçamento reduzido. É possível encontrar sessões a partir de R$ 60 na internet.

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