08/07/2019 às 15h55min - Atualizada em 08/07/2019 às 15h55min

Comércio em Uberlândia espera segundo semestre melhor

Caged aponta para saldo negativo em geração de empregos, mas ano ainda não é considerado perdido

MARIELY DALMÔNICA
Melhora pode ajudar a alavancar, inclusive, a abertura de vagas no comércio | Foto: Diário de Uberlândia
Mesmo que o primeiro semestre de 2019 e o ano passado não tenham sido de bons faturamentos para quem trabalha com vendas, a expectativa é que o mercado reaja neste próximo semestre, principalmente nos três últimos meses do ano. A melhora pode ajudar a alavancar, inclusive, a abertura de vagas no comércio, que registrou saldo negativo neste ano.

De acordo com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 46.823 pessoas foram admitidas durante o segundo semestre do ano passado, mas o saldo de vagas de emprego durante o mesmo período foi de apenas 1.457, se somado todos os setores. O setor de serviços foi o que mais gerou vagas de trabalho, como em anos anteriores. De julho a novembro, houve um saldo de 1.108 em vagas de emprego, mas em dezembro, o valor foi negativo, quando o total de admissões foi de 3.010 e total de desligamentos foi de 3.826.

Neste ano, de janeiro a maio, o setor de serviços seguiu como o maior empregador do Município, com 2.853 novos postos de trabalho. A indústria criou apenas 22 vagas de trabalho, a indústria de transformação criou 10 vagas, a indústria extrativa mineral teve oito novos postos de trabalho, a agropecuária seguiu com saldo negativo de 178 vagas, e o setor de comércio teve o pior resultado, com saldo negativo de 195 postos de emprego.

“A gente percebeu que o primeiro semestre foi bem difícil, nós trabalhamos com o quadro bem reduzido, tivemos que diminuir em quase 20% nosso quadro de funcionários”, afirmou Cicero Feitoza, gerente da loja Têxtil Abril em Uberlândia. Segundo o gerente, por mais que as vendas tenham caído no primeiro semestre, a expectativa para o segundo semestre está melhor.

Gerente da Têxtil Abril, Cicero Feitoza, espera recontratar funcionários ainda neste ano | Foto: Mariely Dalmônica


“Tivemos queda em todos os meses, menos em junho. Eu costumo dizer que o frio vem e aquece as vendas. Acredito que de outubro para frente a gente volte a contratar e termine o ano com um quadro maior de funcionários”, afirmou Feitoza. Segundo o gerente, a meta é contratar o mesmo número de funcionários que trabalhavam na loja no ano anterior e voltar ao quadro completo até meados de novembro.

Para Bânia Poli, coordenadora da Fundação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia, deve haver um aumento de 1% nas oportunidades de emprego nos últimos três meses de 2019. “No ano passado, mesmo com a expectativa baixa, tivemos esse aumento, que deve se repetir neste ano. Porém, o mercado está muito estável, não temos altos e baixos como antigamente, e o que vai acontecer ainda é pouco claro”, disse.

Segundo ela, neste primeiro semestre, houve uma maior demanda em áreas específicas, como no setor de tecnologia, logística e eletricidade. “Ainda não temos o aquecimento esperado, mas estamos mantendo o número de oportunidades”, afirmou Poli.

GERAÇÃO DE EMPREGO
Mesmo com os indicadores negativos do Caged, dados do Sistema Nacional de Emprego (Sine) indicam uma luz no fim do túnel. Segundo o órgão, em Uberlândia, o setor de vendas é o terceiro que mais abre vagas neste ano.

Segundo Ana Paula Menezes, assistente administrativa do Sine de Uberlândia, a área que mais se destaca durante 2019 é o setor de telemarketing. Foram oferecidas 422 vagas no primeiro semestre deste ano, 574 no segundo semestre de 2018, e 954 no primeiro, uma demanda atípica, segundo Menezes.

Depois de telemarketing, a área de linha de produção é a segunda com maior demanda. Foram oferecidas 292 vagas no primeiro semestre deste ano, 323 no segundo semestre de 2018 e 512 no primeiro. A terceira maior demanda é no setor de vendas. “No primeiro semestre deste ano foram 239 vagas. No segundo de 2018 foram 2002, e em 2017, na mesma época, foram 115. A expectativa é que neste ano aumente, porque na época de Natal aumenta muito a contratação de vendedores”, disse Menezes.

Ainda segundo ela, o total de vagas do segundo semestre do ano passado foram de 3.717, e no primeiro semestre deste ano, 3.724 vagas foram divulgadas. “O número está bem aproximado, mas como vai abrir alguns supermercados na cidade neste segundo semestre, deve aumentar o número de vagas”, afirmou Menezes.
 
INDÚSTRIAS
De acordo com dados da Pesquisa de Indicadores Industriais de Minas Gerais, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o setor de indústrias teve resultados negativos durante o segundo semestre do ano passado e nos últimos meses de 2018.

Segundo os resultados de dezembro de 2018, o setor foi influenciado pela greve dos caminhoneiros e pelas incertezas relacionadas ao cenário eleitoral, e teve um recuo de 0,3% na geração de empregos no estado, queda que se repete desde 2017. O faturamento durante o ano passado foi baixo, mas positivo. Houve um avanço de 3,8%, o maior desde 2010.

Neste ano, segundo dados de abril, o faturamento real da indústria retraiu 2,5%. De acordo com a pesquisa, foi o terceiro mês consecutivo em que a indústria teve queda neste segmento. Já o emprego cresceu apenas 0,3% de março para abril. 

Segundo o empresário João Pelegrini, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Uberlândia (Sindmetal), o cenário das indústrias é incerto, mas os empresários seguem esperançosos, principalmente para este segundo semestre. “Nos dedicamos muito neste ano, até agora conseguimos melhorar pouca coisa em relação a 2018, mas esperamos que os próximos meses sejam melhores. Nós do sindicato estamos nos preparando, nos atualizando, é importante ficar atento às mudanças”, afirmou o presidente do sindicato.

Ainda de acordo com Pelegrini, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) tem investido em cursos profissionalizantes para os empresários. “Temos que ter qualificação. Há dois anos estamos trazendo palestras e cursos, porque o cenário é ainda mais difícil para quem não está preparado. O ‘mundo digital’ é muito rápido, nós temos que nos ajustar”, disse.

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