02/07/2019 às 13h30min - Atualizada em 02/07/2019 às 13h30min

Serviços funerários devem seguir valores tabelados pela Prefeitura de Uberlândia

Diário realizou uma pesquisa para saber qual o valor gasto para adquirir serviços de luto na cidade

MARIELY DALMÔNICA
Em Uberlândia, uma sepultura rasa custa R$ 250,02 nos cemitérios municipais | Foto: Mariely Dalmônica
A dor de perder um ente querido é imensurável, e muitas vezes, também vem acompanhada de um outro fator inesperado e ‘doloroso’. O custo com despesas como o velório e o enterro pode sair mais caro do que se imagina para quem está vivendo o luto. O Diário de Uberlândia entrou em contato com algumas empresas que oferecem o serviço funerário na cidade, mas nenhuma se disponibilizou a dar entrevista. A reportagem então conseguiu informações de dois planos funerários, um deles o Plano Pirâmide, ligado à funerária Ângelo Cunha.

Segundo informações fornecidas pelo atendimento do plano, ele inclui o titular, o cônjuge, filhos solteiros, pais e sogros, e para adquiri-lo é necessário pagar uma adesão de R$ 62,90.  Mensalmente, o mesmo valor deve ser pago, e se o contratante desejar incluir mais algum dependente indireto, é adicionado R$ 12,08 por pessoa. Neste plano, que não tem limite de idade, estão inclusas as salas velatórias, a taxa de sepultamento, o translado, a taxa de assistência funerária, uma coroa de flores, além de desconto em consultas e exames. O jazigo incluído no plano é provisório durante três anos no Cemitério Campo do Bom Pastor.

Outro plano disponível na cidade pertence ao Cemitério e Crematório Parque dos Buritis. O valor é de R$ 49,90 mensais e inclui todos os dependentes diretos. De acordo com informações fornecidas pelo Parque dos Buritis, o período de carência é de três meses. No plano, estão inclusos a sala para velório, a urna, o translado, a preparação do corpo, as flores, toda a parte de documentação e o sepultamento. Neste plano, o jazigo incluído também é provisório durante três anos no próprio cemitério.

O empresário Cristiano Naves perdeu a mãe há alguns meses e achou que não precisava se preocupar com os gastos, já que ela pagava um plano funerário. “Minha tia era a titular e colocou a minha mãe no plano. Como ela estava doente e não queria preocupar a família com os gastos, começou a pagar. A gente não gastou tanto, mas na nossa cabeça, achávamos que o plano já cobria tudo”, afirmou Naves.

Segundo o empresário, a família pagou R$ 250 pela coroa de flores, R$ 750 para a preparação do corpo e R$ 250 pela abertura do jazigo. “Essa taxa de abertura do cemitério é paga para a funerária, que te ressarce depois. Mas e se a minha mãe fosse a titular, como ela iria receber esse dinheiro?”, afirmou Naves, que foi informado que o plano não incluía todos os serviços porque a mãe era uma beneficiada, e não a contratante do serviço.

VALORES
De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico, João Batista Ferreira Júnior, a Prefeitura não tem registrado nenhuma reclamação sobre os serviços funerários. Segundo ele, as funerárias são fiscalizadas periodicamente, e anualmente, e os serviços cobrados por elas são reajustados pela secretaria.

A tabela com o último reajuste dos valores cobrados pelas funerárias de Uberlândia foi publicada na edição do dia 10 de maio do Diário Oficial do Município. “É determinado que esses valores sejam reajustados anualmente. Os decretos foram para todos os serviços funerários. Eles são tabelados, mas obviamente quem quiser algo mais caro, tem a opção”, disse o secretário.

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De acordo com os valores tabelados pela Prefeitura, gastos com o carro, a paramentação, a ornamentação, as velas, o tule do caixão e a urna variam entre R$ 286,94 e R$ 622,18. Urnas com capa de zinco variam entre R$ 433,64 e R$ 1.535,46 (este valor se refere a tamanhos especiais).

Os serviços complementares são tabelados separadamente. Neles, são incluídos o aluguel de salas velatórias simples, que tem o valor fixo de R$ 392,98, o aluguel de salas velatórias de luxo, que saem por R$ 523,96, a preparação do corpo, que custa R$ 392,97 e o translado intermunicipal e interestadual, que é de R$ 1,23 por km rodado.

A nova tabela de valores aplicados pelos dois cemitérios municipais de Uberlândia - São Pedro e Campo do Bom Pastor - passou a valer no primeiro dia deste ano. Nela, estão contemplados todos os serviços de sepultamento. Os preços dos jazigos variam entre R$ 1.000,24 e R$ 2.782,90, dependendo do número de gavetas e se o pagamento será feito à vista ou a prazo. O valor da sepultura rasa é de R$ 250,02, podendo também ser paga a prazo com o valor de R$ 312,53. O preço da exumação ou da inumação é de R$ 75 à vista e R$ 93,77 a prazo.

Os valores do serviço mortuário aplicados pelo Cemitério e Crematório Parque dos Buritis também foram tabelados e divulgados no dia 17 de maio deste ano, pela Prefeitura. Entre eles estão a inumação (R$ 138,40), a lápide (R$ 34,59), o uso rotativo de gaveta temporária (R$ 712,82), gaveta perpétua (R$ 1.425,63), jazigo perpétuo duplo (R$ 2.851,27), velório (R$ 249,13), exumação (R$ 138,40) e manutenção de jazigo perpétuo (R$ 249,13 por ano). O Parque dos Buritis também oferece serviço de cremação, que sai por R$ 3.564,10 de acordo com o decreto da secretaria.
 
ISENÇÃO
A Prefeitura também oferece o serviço de sepultamento para pessoas carentes, que possuem renda familiar até um salário mínimo. De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico, por mês, cerca de 20 enterros são feitos sem a cobrança de nenhuma taxa de serviço.

Em Uberlândia acontece uma média de 10 enterros diariamente. Em alguns períodos, o número passa de 300 sepultamentos por mês. De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (Sim) através do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (Datasus), mais de 3 mil pessoas morrem ao ano em Uberlândia. O último número divulgado foi referente a 2016, quando Uberlândia registrou 3.860 óbitos.
 
Na cidade acontece uma média de 10 enterros diariamente | Foto: Mariely Dalmônica

Sepultadores veem morte como algo natural

Amado (nome fictício) trabalha há seis meses no Cemitério Campo do Bom Pastor. Esta é a primeira vez que ele tem um emprego do tipo. “Nos primeiros dias é um pouco assustador, mas com o tempo a gente acostuma. Vejo como um trabalho qualquer”, afirmou. Além de fazer as aberturas e fechamentos dos túmulos, Amado também atua na manutenção dos jazigos do cemitério.

José (nome fictício) trabalha há mais de dez anos no mesmo cemitério como sepultador e jardineiro. Para ele, o trabalho de jardinagem é mais tranquilo que o de coveiro, já que envolve menos serviço braçal, e diz que nenhum deles causa ‘arrepios’ depois de tanto tempo em meio aos túmulos. Segundo ele, a profissão também já não assusta mais os amigos e familiares. “A gente abre o caixão, tira os ossos, guarda eles. Para nós que estamos aqui há tanto tempo, é algo normal”, disse José.
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