01/07/2019 às 08h44min - Atualizada em 01/07/2019 às 08h44min

Uberlândia conta com opções para destinação correta de lixo eletrônico

Descarte desenfreado de aparelhos é problema mundial; cidade trabalha com ecopontos e cata-treco

SÍLVIO AZEVEDO
Quando um equipamento eletroeletrônico quebra ou esgota sua vida útil, qual a destinação certa? Muitas vezes encontramos geladeiras, fogões e televisores descartados irregularmente em lotes vagos, nos rios, poluindo o meio ambiente e gerando sérios riscos à saúde da população. Em Uberlândia, o lixo eletrônico pode ser descartado de maneira correta, solicitando o serviço de Cata-Treco da Prefeitura de Uberlândia, ou deixando o material em um dos 13 ecopontos espalhados na cidade.

Um relatório apresentado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) mostra que o Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico (e-lixo) da América Latina, e se contar todo o continente americano, fica atrás apenas dos Estados Unidos. Ainda segundo dados da ONU, cerca de 20% de todo o e-lixo produzido no mundo é reciclado. No Brasil, a situação é degradante, com apenas 3% sendo destinados corretamente para os centros de reciclagem.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico, João Júnior, são recolhidos 200 kg de lixo eletrônico por dia em Uberlândia. Os mais comuns são televisores (50%) e computadores (15%). “Tanto o material recolhido pelo Cata-Treco como os deixados no Ecoponto são destinados a uma cooperativa que realiza a separação do que dá para ser reciclado. Os que não tem destinação na reciclagem são encaminhados para o aterro sanitário, como resíduo comum”, disse.

Outra alternativa é encontrar empresas que façam um trabalho de destinação correta de todo o lixo. Uma dessas empresas é a Codel, que fica no bairro Aparecida, região Central, e recebe uma média de 3,5 mil kg de todo tipo de eletrônico, desde uma pilha até computadores, geladeiras, impressoras, ar-condicionado, fogão e celulares. No local são realizados dois processos, o de reciclagem e o reuso.

“No reuso a gente compra equipamentos de empresas que estão realizando a troca de lotes. Pegamos esses equipamentos, fazemos uma manutenção necessária, dá a revisão e coloca de volta no mercado com preços mais acessíveis. Caso o equipamento não tenha potencial de reuso, vai para o processo de reciclagem padrão”, explicou o diretor administrativo Leonardo Brune Fernandes Vinhandel.

Empresa de Leonardo Vinhandel faz destinação correta de materiais eletrônicos | Foto: Sílvio Azevedo

Já no processo de reciclagem padrão há o desmanche do equipamento, a triagem dos componentes e a destinação correta. O eletrônico, por padrão, possui metais ferrosos e não ferrosos e plástico, mas também tem madeira, borracha e vidro em menor quantidade.

“A sucata de ferro vai para siderúrgicas, junto com a sucata de metal não ferroso. Placas são enviadas para fora do país, com o maior foco na extração de metais precioso, e o plástico volta para a cadeia produtiva. Mas tem os materiais mais complexos, como pilha, bateria, lâmpadas, toners e cartuchos de impressoras, que não são reciclados e exigem uma destinação mais adequada”, disse Vinhandel.

A empresa realiza a compra de sucata de equipamentos de informática e placas de eletroeletrônicos. Mas quem deseja descartar pilhas, baterias, lâmpadas, toner e cartuchos de impressoras, mídias (fita cassete, VHS, disquetes) e TVs de tubo precisa desembolsar uma quantia.

O analista de sistemas Públio Santos Scheucher, 34, tem consciência de que o destino mais correto do lixo eletrônico não é jogado em qualquer lugar. Por isso recolhe materiais na empresa que trabalha e com amigos e familiares para serem reciclados.

“Geralmente, aos sábados eu levo diversos equipamentos, inclusive os que encontro jogados na rua. A quantidade de materiais gerados e descartados de forma irregular é gigante, sendo que muitos podem ser reaproveitados. O meio ambiente agradece”, disse.

Entrega de TVs antigas cresce em Ecopontos
Um dos grandes vilões do meio ambiente são as TVs e monitores de tubo que, com o lançamento equipamentos mais modernos, finos e com uma tecnologia avançada, acabaram ficando obsoletas. “Com o fim do sinal analógico, houve um aumento na quantidade de TVs deixadas nos Ecopontos. Todas foram destinadas para a reciclagem, pois há componentes que podem ser reciclados”, disse o secretário de Meio Ambiente, João Júnior.

Esses televisores, após desmontados, geram plástico, placas, cobre e alumínio. Todos resíduos recicláveis. O grande problema desse eletrônico é o tubo de imagem. Um dos compostos presentes é o chumbo, tornando-o um item não reciclável. Os destinos para essa peça são o aterro industrial ou o co-processamento, num forno de cimenteira onde é queimada e gera energia térmica.

Outro reaproveitamento é o de pisos de cimento, onde os tubos são triturados, formando uma argamassa e vai para a indústria. Porém ainda não é uma destinação com 100% de adequação comprovada.

LEGISLAÇÃO
Para tentar diminuir os impactos do descarte irregular e do manejo indiscriminado de materiais com alto risco de contaminação, o Governo Federal criou em 2010 a Lei nº 12.305, determinando que fabricantes, distribuidores e comerciantes são responsáveis por estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Após a regulamentação, alguns fabricantes possuem um canal de comunicação para atender a norma ou direcionar o consumidor ao local de descarte mais próximo através de um serviço de atendimento ao consumidor.
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