29/06/2019 às 08h59min - Atualizada em 29/06/2019 às 09h42min

UFU investiga mais 17 casos de fraude a cotas

Alunos de diversos cursos já foram informados da investigação do MPF e apresentaram defesa

SÍLVIO AZEVEDO
Coletiva abordou o I Encontro de Formação das Comissões de Heteroidentificação da UFU| Foto: Sílvio Azevedo
A Comissão de Denúncias da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está investigando 17 casos de suspeita de fraude no ingresso através do sistema de cotas. A informação foi divulgada em uma coletiva de imprensa realizada na tarde de ontem (28). A reunião contou com a presença da presidente das comissões de Heteroidentificação da UFU, Jane Maria Santos Reis, da Comissão de Denúncias, Guimes Rodrigues, e do procurador da República Onésio Soares Amaral.

A tentativa de entrada na faculdade através do sistema de cotas segue critérios definidos pela comissão de Heteroidentificação, que são fenotípicos, com análise das características físicas do candidato que se autodeclara preto, pardo e indígena. Os 17 alunos de diversos cursos já foram informados da investigação e apresentaram defesa. O próximo passo, segundo Guimes Rodrigues, é a entrevista presencial.

“Em seguida, a comissão nomeia um servidor que encaminhará um parecer sobre a situação do denunciado para outros cinco membros do conselho, que dará um parecer final e repassará ao reitor para que sejam tomadas as medidas de exclusão do aluno ou arquivamento do processo”, disse.

Em dezembro, o Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia entrou com uma ação civil pública contra dois alunos, uma de psicologia e outro de medicina, solicitando a anulação das matrículas e os respectivos desligamentos da universidade. Outro pedido foi realizado em abril, contra outro estudante, do curso de Engenharia Química, por fraude no sistema de cotas ao se autodeclarar negro na inscrição.

Também participaram da coletiva a promotora de justiça do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), Lívia Maria Sant'Anna Vaz, da diretora de políticas de ações afirmativas e estudantis da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Daniele dos Reis Fleury, que são convidadas para o I Encontro de Formação das Comissões de Heteroidentificação da UFU, que iniciou ontem e segue até o fim do dia de hoje.

COMISSÕES
A UFU começou a oferecer ingresso através do sistema de cotas a partir de 2013, mas a comissão foi criada para avaliar a autodeclaração somente em 2014. “Fixada a comissão, apresentada ao judiciário, do trabalho de cumprimento da lei, soubemos de casos anteriores à criação das comissões e está em processo um levantamento. Mas levantamos casos nos cursos de Direito, Medicina, Enfermagem e Engenharias, que estão sendo trabalhados”, afirmou Onésio Soares Amaral.

Dos candidatos que tentam entrar através do sistema de cotas, cerca de 35% dos pedidos são indeferidos. Os casos mais complicados são os que se autodeclaram pardos, segundo Jane Maria Santos Reis. “Não é o pardo do IBGE, da declaração da escola. É o pardo que possui características fenotípicas negroides. É analisado a textura do cabelo, tonalidade da pele, características faciais, sobretudo formato do nariz e dos lábios.”

 
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