24/06/2019 às 10h00min - Atualizada em 24/06/2019 às 13h32min

Pós da UFU tem nota máxima em avaliação

Programa de engenharia mecânica atinge feito pelo segundo período seguido; apenas faculdade da UFRJ e da PUC-RJ tiveram avaliação semelhante

SÍLVIO AZEVEDO
Alunos em laboratório da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFU, cujo programa de pós-graduação é nota máxima | Foto: Sílvio Azevedo
Avaliados a cada quatro anos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), os programas de pós-graduação do país recebem notas que variam entre 3 e 7. São parâmetros que estabelecem um ranqueamento de programas e demonstram a qualidade das pesquisas e dos professores das universidades brasileiras. Na última avaliação feita, o programa de pós-graduação do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) alcançou nota máxima (7), feito só repetido por outras duas instituições: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Segundo a diretora da Faculdade de Engenharia Mecânica da UFU (Femec), Elaine Gomes Assis, é o segundo ano consecutivo que os programas recebem nota máxima. “É difícil conquistar uma nota 7. Mais ainda é manter. Além dos docentes, os discentes são muito importantes nesses resultados, pois vêm com propostas desafiadoras e correspondem”, disse.

Atualmente, são 200 alunos de mestrado e doutorado que desenvolvem trabalhos de pesquisas com apoio de 33 docentes nas áreas de Mecânica dos Sólidos e Vibrações; Transferência de Calor e Mecânica dos Fluidos; e Materiais e Processos de Fabricação. As atividades são realizadas nos 26 laboratórios da Faculdade de Engenharia Mecânica.

Desde sua criação, em 1984, com início das atividades em 1985, já foram realizadas várias pesquisas que também atraem os olhares de fora da instituição. Atualmente, estão sendo realizados projetos em parceria com empresas como a Petrobrás, Embraer, CPFL Energia (SP), Furnas, Fiat e White Martins.

Uma dessas pesquisas é a da Mecânica de Estruturas, que para 2019 recebeu um aporte da Petrobrás de R$ 19 milhões para a elaboração de quatro projetos que resolvam problemas operacionais da empresa. Segundo o docente Roberto Mendes Finzi Neto, o fato de o curso ter nota máxima na avaliação da Capes ajuda na hora de captar recursos.

“Quando um programa tem nota 7, as grandes empresas têm noção e certeza que os melhores profissionais da área estão localizados nessas instituições. Sempre nos procuram para desenvolver pesquisas importantes para resolver os problemas que eles têm na indústria”, disse.

O ineditismo também é um dos fatores na hora da escolha dos temas. A doutoranda Geisa Arruda Zuffi, 26, escolheu fundamentar sua tese na teoria de levitação acústica de campo próximo, algo nunca pesquisado no Brasil.

“É um projeto inovador com aplicabilidade muito grande. Pode transportar objetos que não podem ter contatos com eletricidade, serem magnetizados. Ele pode levitar, inclusive, animais e compostos químicos. Pode ser usado em transporte, armazenamento, construção de motores de rotação elevada. Acho muito importante e mais fácil trabalhar um assunto novo em um lugar conhecido”, explicou a doutoranda, que em breve vai a Israel para realizar a parte experimental na Technion, instituto de tecnologia que é referência mundial no tema.

IMPACTO SOCIAL
Para o coordenador do programa de pós-graduação da Engenharia Mecânica, Washington Martins da Silva Júnior, além de soluções para as grandes empresas, existem teses e projetos com impacto social importante sendo desenvolvidos nos laboratórios.

“Tem uma tese sobre detecção de câncer de mama usando detectores térmicos e sensores eletromecânicos que usam uma onda mecânica para identificar no tecido humano a localização, o tamanho e a evolução do tumor. Tudo isso sem usar radiação ou gerar desconforto para as pacientes”, afirmou.

A tese da aluna Gabriela Lima Menegaz, com orientação do docente Cleudmar Amaral Araújo, está em fase de testes com modelos. “Os experimentos de termografia já foram aprovados pelo comitê de ética, mas os testes não começaram porque ainda tem desenvolvimentos para serem feitos no sensor”, explicou o coordenador. Um pedido de patente também já foi solicitado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Desde o início dos programas de pós, o número de pedidos de patentes já chegou a 56. Uma delas, a da produção da tecnologia de aparato de medição de umidade de grãos montado em uma colhedora para aplicação em colheita de parcelas, rendeu o recebimento de royalties pela universidade.
 
OUTROS CURSOS
Além da Engenharia Mecânica, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) oferece mais 52 programas de pós-graduação, que receberam notas entre 6 e 3 na avaliação da Capes. Os cursos mais procurados são os das faculdades de Educação e Tecnologia, Comunicação e Educação (Faced), Letras, Direito (Fadir) e Engenharia Elétrica (Feelt).

Quem passou pelo mestrado na UFU foi a engenheira elétrica Nayara Nascimento Moraes Damasceno, 33, que atualmente mora no Rio de Janeiro e trabalha na Petrobrás. Mestre em Ciências pela Feelt, ela disse que a experiência dos professores contou para a escolha do curso.

“Já conhecia os orientadores, que têm experiência no cenário nacional na área de engenharia biomédica, especialidade da minha dissertação. Ia ao encontro à minha meta de ser professora da UFU”, afirmou.

Com o tema ‘‘Desenvolvimento de um sensor para uso em interfaces para pessoas com limitação de movimento’’, Nayara Damasceno explicou que o trabalho acrescentou bastante conteúdo em sua vida acadêmica, ainda mais por ter trabalhado ao lado de outros profissionais da área de saúde, como médico, dentista e neurologista. “Gosto da multidisciplinaridade, da escuta de pontos de vistas diferentes, ver o mesmo problema de outra perspectiva.”

Atualmente trabalhando na universidade como coordenador da Divisão de Capacitação na Pró-reitoria de Gestão de Pessoas, Leonardo Moreira Ulhoa, 42, destaca que a qualidade dos projetos incentivou sua dedicação nos estudos.

“Escolhi a UFU porque é uma instituição pública, gratuita, com tradição na qualidade do ensino. Foi na UFU que tive a oportunidade, na graduação, de iniciar os trabalhos com pesquisa. Participei de grupos de estudos, de projetos de extensão e contribuição com a minha formação. E isso me orientou para o mestrado e doutorado”, explicou.

Ulhoa tem toda sua vida acadêmica ligada à UFU, com duas graduações, um mestrado e um doutorado. Formado em Geografia e Letras, ele explica como a educação superior colaborou com sua formação pessoal.

“Para além da formação, a educação contribuiu com o desenvolvimento da minha consciência e personalidade, estimulando o pensamento crítico e me levando a ser um cidadão mais reflexivo, capaz de posicionar frente a um mundo que eu considero complexo e diverso. Tudo que sou e que tenho hoje é pela UFU. Ela tem uma forte influência na minha formação, onde estudei e trabalho hoje”, disse Ulhoa, que também é professor de francês na Central de Línguas.
 
ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL
Atualmente são cerca de 6.300 alunos espalhados pelos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sendo que 921 recebem bolsas, concebidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), do Governo de Minas, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com o corte de verbas anunciado pelo Governo Federal em abril deste ano, 29 bolsas de quatro cursos serão cortadas, sendo 10 de Engenharia Civil, quatro de Direito, quatro de Ciências Sociais e 11 de História. O número representa 8,29% do total de bolsas. O corte será de R$ 522 mil.

“Esse corte prejudica alguns programas de pós-graduação que, neste momento, estão sendo penalizados por um critério que foi adotado. Eu acho que não era momento de realizar cortes. Era um momento de consolidar mais ainda a pós-graduação brasileira, que passa por um processo de expansão”, explicou o Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFU, professor Carlos Henrique de Carvalho.

O pró-reitor ainda endossou que o corte será somente para novos alunos. “Quem está com a bolsa não será atingido com o corte. Essa bolsa só desaparecerá do sistema após a defesa da tese, não sendo repassada para outra pessoa.”

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