09/06/2019 às 09h00min - Atualizada em 09/06/2019 às 09h00min

Mortes em acidentes crescem 50% em Uberlândia

Dados correspondem aos trechos urbanos e nas rodovias estaduais no primeiro trimestre deste ano

VINÍCIUS LEMOS
Até março, houve 3.417 acidentes na cidade e nas rodovias estaduais de Uberlândia | Foto: Arquivo
O número de pessoas que morreram em rodovias estaduais que cortam Uberlândia e em vias da zona urbana cresceu 50% no primeiro trimestre de 2019, passando de oito para 12 mortos, ante igual período do ano passado. Os números são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que, por outro lado, mostram redução na quantidade total de acidentes em igual período na ordem de 2,6%. A maior causa de colisões ainda é a imprudência, segundo apuração do Diário de Uberlândia, mas a falta de infraestrutura nas rodovias é um fator que não pode ser desprezado.

Até março, houve 3.417 acidentes na cidade e nas rodovias estaduais de Uberlândia. Na maior parte deles, 2.365 casos, não houve qualquer tipo de vítima com ferimentos ou morte. Isso mostra uma pequena queda, na ordem de 0,37%, no comparativo com o primeiro trimestre de 2018, quando houve 2.374 registros do tipo. Outro dado que apresentou queda no início de 2019 foi o de acidentes com vítimas não fatais, os quais geraram 1.040 registros até março. Isso significou uma diminuição de 7,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, quando a Sesp recebeu 1.129 apontamentos.

Na região de Uberlândia, a 9ª Companhia de Meio Ambiente e Trânsito (CiaMAT) da Polícia Militar (PM) é a responsável pelo trânsito pela fiscalização de mais de 1 mil km de malha viária. Ao todo são 27 rodovias, sendo oito delas apenas no Município de Uberlândia. As principais em Uberlândia são as rodovias MGC-452 e MGC-497. Na cidade, a PM divide a responsabilidade de verificação do trânsito com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran). 

Com essa extensão de responsabilidade e frequência no acompanhamento de ocorrências, o comandante da 9ª CiaMAT, major Davi de Brito Júnior, afirmou que a imprudência e falta de atenção são os causadores da maior parte das infrações e também de acidentes. Faróis desligados, falta cinto de segurança, condução sem licenciamento e o descaso na manutenção dos veículos são as principais falhas que podem levar a acidentes.

“Os faróis ligados dão mais visibilidade aos veículos ainda que seja dia e o uso do cinto é fundamental para segurança de quem está no carro, por exemplo. São regras a serem seguidas, mas elas devem ser respeitadas e deve haver conscientização. A normatização serve de conscientização de início, mas é preciso que o condutor perceba que isso é bom para ele mesmo. A normatização não tem que ser tudo”, afirmou o major Davi.

Ele ainda lembra que há outras situações de segurança que comumente não são respeitadas, como o limite de velocidade ou a proibição de ultrapassagem em certos trechos, e o período de descanso após longos períodos na direção, que reduzem a atenção do motorista ou podem levar a extremos como cochilos ao volante. “Um segundo de cochilo pode causar um acidente”, disse o comandante.

Para mitigar problemas, a PM trabalha, nas rodovias estaduais, a partir da análise de dados sobre problemas recorrentes e os locais onde acontecem. Daí, são montadas operações e outras estratégias de prevenção e fiscalização. A presença de viaturas como forma de dar visibilidade e evitar até mesmo cometimento de crimes, além de ações de conscientização dos motoristas fazem parte da rotina da polícia nas rodovias.

ESTADO
No primeiro trimestre de 2019, a Sesp registrou 62,2 mil acidentes em rodovias estaduais e cidades mineiras. Desse total, 381 teve pelo menos uma vítima fatal. A maior parte, entretanto, foi sem vítimas, somando 44,6 mil casos. Fecham os números outros 17,1 mil acidentes com feridos, mas sem mortes.

Em todo o ano de 2018, o Estado registrou 14.222 acidentes em Uberlândia, cerca de 2,2 mil a mais que em 2017. O que puxou a estatística na cidade e nas rodovias estaduais que passam por aqui foram os acidentes sem vítimas. Se em 2017 eles foram 6.853 casos, em todo o ano passado houve quase 3 mil a mais, chegando 9.754 casos. Ao mesmo tempo, acidentes com feridos somaram 4.429 registros, com redução de 13%, e casos com mortos diminuíram quase 5% e somaram 39 registros em 2018.
 
RODOVIAS
Os principais problemas das rodovias mais movimentadas que cortam Uberlândia estão ligados à falta de conservação e à falta de acostamento, como no caso da MGC-497, rodovia que liga Uberlândia à cidade de Prata que é considerada a mais perigosa.

O professor doutor em planejamento urbano e de transportes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) William Rodrigues Ferreira afirmou que a MGC-497 já tem fluxo suficiente para que o acostamento seja uma obrigação. A manutenção da pista também é problemática na opinião dele, com desgaste do pavimento e buracos que complicam a vida do motorista em uma rodovia estreita e quase sem área de escape.

Já a MGC-452, na saída para Araxá, sofre principalmente com o desgaste da sinalização horizontal, falta de roçagem, o que acaba levando à cobertura de placas ao lado da pista. Segundo William Ferreira, entre as vias de responsabilidade do Estado, o contorno da cidade é o de melhor situação. O trecho de maior cuidado apontado por ele é aquele entre a BR-050 e o bairro Shopping Park. O cruzamento com o bairro São Jorge é uma área de conflito e exige cuidado e estudos por ser de grande movimentação e por ter pista simples. “Não há geometria nem segurança adequadas nos trechos de entradas e saídas oficiais para que seja atendida a demanda do local”, disse Ferreira.

A avaliação geral do especialista é que a situação viária em Uberlândia é melhor que a média do Estado e do País, mas não é uma malha de excelência.
 
ANO PASSADO
Os números da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) mostram que os trechos urbanos são os mais arriscados e neles aconteceram a maior parte das mortes em 2018. No ano passado 24 pessoas morreram em vias urbanas de Uberlândia, enquanto 14 pessoas perderam a vida nas rodovias. Uma morte foi registrada em local não especificado.

Para William Ferreira, professor doutor em planejamento urbano e de transportes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a explicação para esse dado está na concentração de veículos e pessoas nas cidades em comparação com as rodovias. Ele lembrou, por outro lado, que os acidentes nas estradas podem trazer mais sequelas.

“O trânsito na cidade traz mais mortes até pela quantidade de veículos, contudo na rodovia não se trata só de uma questão de letalidade, mas sequelas permanentes. Os acidentes nessas vias são com velocidades geralmente maiores e quando há sobreviventes, há ferimentos graves”, disse.

A maior parte dos mortos nas vias é de homens, sendo que 32 deles foram vítimas no ano passado no Município de Uberlândia.
 
TREVO DA COALBRA
Depois de perder o filho e a nora em setembro de 2018 em um acidente na MGC-452, no cruzamento com AMG-1110, Elisângela Gelma movimentou o Estado e a Prefeitura de Uberlândia para que algo fosse feito para melhoria do trevo conhecido por vários acidentes. Para isso, ela teve ajuda de outras famílias e setores do Município.

Recentemente, eles conseguiram que redutores de velocidade fossem instalados no cruzamento, conhecido como trevo da Coalbra. “Se existissem antes, meu filho estaria vivo”, disse Elisangela.

No dia 22 de setembro de 2018, o carro dirigido por Paulo Felipe Guimarães, de 25 anos, bateu de frente com um caminhão que levava uma carga de 5 toneladas. Tanto o motorista do automóvel, quanto a namorada dele, Aline Francisca Barcelos Costa, de 19 anos, morreram no local. O jovem tentou fazer uma conversão saindo da rodovia MGC-452 para acessar a via, que leva à chácara da família dele, onde acontecia as comemorações de aniversário da mãe de Guimarães. O caminhão pegou fogo. Além de abaixo assinado, foram feitas manifestações no local, pedindo uma solução.

“Os quebra-molas são um paliativo, deveria haver um trevo”, lembrou Elisângela Gelma, que ainda espera que haja uma solução definitiva enquanto a família se recompõe. “Aquela dor insuportável passa. Há dias piores com lembranças mais fortes do acidente. Mas a gente tem que aprender a reviver com a situação”, afirmou.
 
 
ACIDENTES DE TRANSITO - UBERLÂNDIA
  2017 2018 2018 (jan. a mar.) 2019 (jan. a mar.)
Sem vítima 6.853 9.754 2.374 2.365
Com vítima não fatal 5.111 4.429 1.129 1.040
Com pelo menos uma vítima fatal 41 39 8 12
Total 12.005 14.222 3.511 3.417
 
Fonte: Observatório de Segurança Pública Cidadã/Reds/Sesp
 
 

 
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