06/06/2019 às 10h00min - Atualizada em 06/06/2019 às 10h00min

Tecnologias que transformam vidas

O mercado mudou e o brasil está demorando a aprender como lidar com essas transformações

ADREANA OLIVEIRA
Nossa geração vive um momento histórico que alguns historiadores consideram a Terceira Revolução Industrial. Graças aos avanços tecnológicos do século XX e XXI, somos impactados mais rapidamente no nosso dia a dia de formas inimagináveis há dez anos para a maioria de nós. Para discutir um pouco sobre como se integrar a esse cenário, na última semana, os alunos da disciplina Tópicos Especiais em Comunicação e Tecnologias do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com a Agência Intelecto, da mesma instituição, promoveram a mesa redonda “Propriedade Intelectual e Economia Colaborativa”. 

Com mediação da professora Raquel Timponi, o evento contou com a participação de Fabiana Grandeaux, gestora de Ciência e Tecnologia da Intelecto, e Anna Paula Graboski, empresária e empreendedora social, CEO da Landix, fundada pelo seu pai, com foco em mobilidade corporativa, com atuação no Brasil e em expansão internacional.

O Diário de Uberlândia traz um recorte do que foi discutido na noite considerando que um futuro sustentável depende de uma economia vista de uma forma mais dinâmica. Desde 2004 as universidades brasileiras tiveram que criar um Núcleo de Inovação Tecnológica, o da UFU é a Intelecto, surgida em 2006. Só neste ano, até o dia 29 de maio, a agência havia entrado com 17 pedidos de registro de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) e a burocracia é o que mais trava esse processo de saída da universidade até o impacto real no cotidiano da sociedade.

“Há um período médio de 7 anos para registro de uma patente mas temos exemplos aqui, da área de biotecnologia, por exemplo, cujo pedido deu entrada em 2008 e a finalização deu-se neste mês”, exemplificou Fabiana que completa que alguns projetos em parceria com empresas às vezes começam a funcionar antes de o registro sair.

Para haver inovação o primeiro passo é a descoberta, ou seja, a revelação de algo até agora ignorado mas que já existe na natureza; depois vem a invenção, a concepção resultante da capacidade de criação do homem que soluciona o problema de alguém ou de um grupo e por fim a inovação, que só é reconhecida após ser implementada no mercado.

“Nem sempre essas invenções são altamente tecnológicas, mas causam impacto na vida das pessoas, como a cadeira de rodas que fica na vertical, permitindo ao cadeirante ficar de pé, os tubetes biodegradáveis para plantio e os organizadores de gaveta, todos registrados por brasileiros”, contou.

Para Anna Paula Grabosky esse trâmite todo para o registro de uma patente não cabe mais nos dias atuais. “É preciso reconhecer o trabalho do pesquisador e claro, remunerá-lo, mas deve se pensar em uma outra forma de fazê-lo. Tem muita gente hoje que abre mão de patentear algo para que mais pessoas trabalhem no desenvolvimento da ferramenta com a qual todos vão ganhar dinheiro”, afirmou.

Anna Paula estuda o impacto nas tecnologias exponenciais na economia. “São vários nomes como economia compartilhada, economia colaborativa, economia de impacto social... na verdade é só uma tentativa de enquadrar o que não é enquadrável”, disse.
Ela tem uma visão positiva do futuro e não o que se tenta pregar em grande escala de que neste novo cenário não haverá mais trabalho. Para ela, os robôs vão trabalhar para que nós tenhamos mais qualidade de vida. “Vivemos em um mundo de hipercapitalismo onde não necessitamos de instituições gigantescas para gerar renda ou trabalho essa é a grande diferença desse modelo. Você não precisa ser detentor dos meios de produção para ser um burguês”, explicou.

A empreendedora social afirma que com uma boa ideia, com a tecnologia disponibilizada em um aparelho celular – que custando R$ 3 mil ou R$ 100 pode ter a mesma utilidade –qualquer um pode produzir conteúdo, gerar valor, qualquer coisa pode ser vendida ou comprada sem precisar de uma grande corporação como intermediária”, comentou ela.

“As tecnologias exponenciais são todas aquelas que depois do advento da internet onde todo conhecimento do mundo está na palma da sua mão, independentemente se você é rico, pobre, japonês ou brasileiro. Não existe limites para o que pode ser criado com Inteligência Artificial, Internet das Coisas e aí por diante”.

A regulamentação desses serviços está atrasada e tem gerado discussão. Anna Paula cita o exemplo do aplicativo Uber que virou até verbo. “Falam em uberização das coisas porque não conseguiram criar outra palavra. O número de possibilidades dessas tecnologias é infinito. O grande ponto da economia compartilhada é a desintermediação entre o vendedor e o consumidor. Se há cinco anos você dependia de um serviço em que o motorista de táxi não tinha hora para chegar, trabalhava em um carro ruim e se você não conhecia a cidade podia fazer rotas mais longas só para lucrar mais, o Uber acabou com isso”, afirmou.

Para Anna Paula, há pouca gente discutindo esse novo cenário. O comportamento das pessoas muda em alta velocidade criando novos mecanismos e novos modelos econômicos e isso não se trata de ser de direita ou de esquerda. “Brinco que o Uber torna o mundo comunista, mas no padrão capitalista. Todo mundo tem acesso a coisas muito boas a preços justos. Eu não tenho condições de ter um carro de R$ 100 mil e nem preciso, mas qualquer um com um celular e um aplicativo pode ter acesso a ele quando quiser. Mais gente tem acesso à energia solar porque a cada dois anos a capacidade de um chip dobra e seu custo dobra pela metade e os computadores estão em todas as ciências”, finalizou.

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