05/06/2019 às 13h40min - Atualizada em 05/06/2019 às 13h40min

Energia solar gera economia e ajuda o planeta

Investimento se paga em média após três anos e há financiamento disponível para algumas empresas

ADREANA OLIVEIRA
Instalação realizada há três meses na loja no bairro Brasil | SolarLab Energia/Divulgação
O empresário Wanderson Martins estava insatisfeito com o aumento no valor da conta de energia elétrica de sua loja. Um custo fixo que subia a cada mês. Após fazer uma pesquisa no mercado e se planejar financeiramente, decidiu que era hora de investir na energia fotovoltaica. Isso foi há pouco mais de três meses. E o resultado já é real. A conta de energia de fevereiro foi de R$ 341, 60. A de maio R$ 57,61.

“E este é o valor de uma taxa fixa que temos. Hoje já produzimos energia suficiente para nosso consumo e temos excedente. O resultado foi tão bom que a instalação na minha casa já está sendo feita também”, afirmou ele que comentou que chegava a abrir mão de alguns confortos na loja para economizar na energia e agora terá como investir mais.

O empresário e engenheiro Breno Assis acompanhou o Diário e Uberlândia em visita à loja de Martins, no bairro Brasil e explicou à reportagem detalhes do projeto. “A instalação nesta área, que é de 300 metros quadrados, foi feita em pouco mais de 20 dias e utilizamos 10 placas fotovoltaicas e há espaço para uma expansão”, disse Assis, que desde agosto do ano passado abriu a própria empresa de instalação de módulos fotovoltaicos, a SolarLab Energia. “Eu e meu sócio viemos de outras empresas do ramo e percebemos a necessidade da expansão”.

Para ele, a tendência é que a energia solar seja cada vez mais acessível para mais pessoas. “É um investimento que se paga em média em três anos e já existem financiamentos para empresas voltados para esta atividade. Em países como a China, por exemplo, já não são aceitos mais projetos que não contemplem energia solar ou tomadas elétricas”, explicou.

O cliente acompanha toda sua produção de energia por meio de um aplicativo. Assis mostra o relógio da loja que é bidirecional e registra a energia consumida e injetada na rede. O que sobra é lançado como excedente na conta. Neste mês, por exemplo, a loja que visitamos injetou mais energia do que consumiu e no dia da entrevista possuía um crédito de 103 KW/h.
 
RECONHECIMENTO
Uberlândia é a primeira cidade do Brasil em geração de energia fotovoltaica, segundo atualização de maio do ranking da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A cidade está à frente de cinco capitais: Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE) e Cuiabá (MT).

Conforme o relatório, o município registrou em torno de 12,5 megawatts (MW) de potência, o equivalente a quase 2% do que é produzido pelo setor no país e cerca de 8,5% do que é originado em Minas Gerais, também o estado com melhor resultado no ranking, com 151 MW instalados.

O ranking da Absolar considera a geração de energia solar por micro e minigeração distribuída. Conforme a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a microgeração distribuída corresponde à central geradora de energia elétrica, com potência instalada menor ou igual a 75 quilowatts (kW), conectada na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras. Já a minigeração distribuída diz respeito a unidades com potência instalada superior a 75 kW e menor ou igual a 5 MW. No Brasil, a potência desses dois tipos de centrais já soma 735,5 MW.
 
ECONOMIA
Energia Solar
O empresário Wanderson Martins e o engenheiro Breno Assis | Foto: Adreana Oliveira
 
Ainda de acordo com os dados da Aneel, em Uberlândia, os cerca de 12,5 MW de potência instalada estavam presentes, até 3 de maio, em 879 unidades geradoras e outros 1.109 consumidores eram beneficiados pela transferência de crédito da energia produzida. Os consumidores industriais são os principais usuários da fonte fotovoltaica, seguidos pelos do comércio e das residências.

“A energia fotovoltaica é viável para o grande e para o pequeno por isso é importante as pessoas pelo menos se informarem sobre o processo. Por meio do compartilhamento de energia é possível instalar os módulos na empresa e enviar energia para a residência, desde que esteja na mesma área da concessionária, no caso de Uberlândia, da Cemig”, explica o engenheiro Breno Assis.

Ele comenta ainda que a economia registrada na loja de Martins, onde a energia elétrica não é matéria prima para produção, pode ser mais significativa para outros segmentos, como de panificadoras, por exemplo, que têm contas de energia elétrica que podem chegar a R$ 6 mil mensais.

 
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