24/05/2019 às 09h00min - Atualizada em 24/05/2019 às 09h00min

Doações de leite materno são insuficientes para suprir demanda do HC-UFU

São necessários seis litros diários para atendimentos em Uberlândia

DANIEL POMPEU
Doações de leite materno são menores do que o necessário para alimentar 40 bebês internados no HC de Uberlândia | Foto: HC-UFU/Divulgação
Uberlândia conta com um grupo de cerca de 40 doadoras ativas de leite materno. De acordo com Marília Neves Santos, coordenadora do Banco de Leite Humano (BHL) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), a instituição arrecada aproximadamente quatro litros de leite por dia, número aquém da demanda diária, de quase seis litros.

“Hoje, nosso estoque não consegue suprir 100% da unidade neonatal. São 40 bebês internados, está na lotação máxima. Então a gente faz campanhas para que consiga manter os estoques durante o ano”, disse. Ela destaca ainda que o período de maior dificuldade é no final de ano, quando as mães viajam e acabam deixando de doar.

Na tentativa de mostrar a importância desse tipo de doação, o BHL promoverá hoje, a partir das 16h no bloco G do campus Umuarama da UFU, um encontro entre doadoras de leite e mães de bebês que foram alimentados com o leite do estoque. A ação faz parte da Semana Nacional de Doação de Leite Humano, que iniciou no último domingo.

De acordo com Santos, é a primeira vez que o encontro é realizado no âmbito do HC-UFU. “As nossas doadoras têm muita curiosidade em saber qual é a realidade da mãe e do bebê prematuro que está recebendo o leite doado. A ideia foi colocar elas em contato para que possam conhecer as histórias umas das outras”, disse.

Ela informou ainda que 90% das doadoras fazem a extração em casa. Uma equipe do hospital passa semanalmente nas residências para recolher o leite doado. Aquelas que se interessarem em doar e que querem receber os equipamentos e orientações da equipe em domicílio podem entrar em contato com o BLH pelo telefone 3218-2666.
 
IMPORTÂNCIA
 A coordenadora explicou que o leite doado é utilizado quando o bebê está internado, seja devido ao estado prematuro ou de enfermidade. Nesses casos, nem sempre o leite da própria mãe é suficiente para alimentar o bebê. Mais do que nutrição, o leite age como um remédio, já que possui grande quantidade de fatores imunológicos passados pela mãe ou doadora. Neste sentido, Santos ressalta que o leite em pó, ou de fórmula, deve ser utilizado apenas quando a mãe não pode amamentar e não há um banco de leite disponível. “Nenhuma fórmula infantil garante os benefícios do leite materno”, disse.

Sarah Borges tem 22 anos e passou pela segunda gravidez no ano passado. No período de amamentação do primeiro filho, hoje com três anos, Borges produziu leite em excesso e parte dele começou a empedrar. Foi aí que veio a ideia de se tornar uma doadora de leite humano, ação que ela repetiu durante a amamentação do segundo filho. Ela fazia parte, até o início deste ano, quando ainda estava em fase de lactação, do grupo de doadoras do hospital. 

No caso dela, o ato de doar ajudou até mesmo em sua própria saúde. Ao ter doado o leite que os dois filhos não precisavam, Borges entende ter ajudado de forma crucial outros bebês. “A doação do leite materno é muito importante para os bebês que precisam. A cada 20 ml que você doa, você salva uma criança. Tem criança que às vezes precisa de 1 ml. Você não está tirando do seu filho para doar para outra pessoa, você está doando o excesso”, finalizou.

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