10/05/2019 às 08h49min - Atualizada em 10/05/2019 às 08h49min

Investigação aponta que cachorro Tigrão não morreu por maus-tratos na UFU

Cão morreu de asfixia após cair em buraco; episódio gerou revolta na comunidade acadêmica na última semana

CAROLINE ALEIXO E DANIEL POMPEU
Cão comunitário "Tigrão" foi encontrado morto em campus da UFU no último mês | Foto: Divulgação
O cachorro Tigrão, que vivia na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), morreu de asfixia e não de maus-tratos como se pensava. A conclusão veio da investigação realizada pela Delegacia Civil de Meio Ambiente de Uberlândia junto ao Ministério Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente. Após o corpo do animal ser encontrado na manhã do último dia 29, no campus Umuarama da universidade, parte dos estudantes e professores assumiu que o cão havia morrido após sofrer maus-tratos.

Segundo as investigações, o buraco onde o animal foi encontrado estava sendo utilizado em uma obra atrás do bloco 2D para colocação de um pilar de madeira. Na documentação que o Diário de Uberlândia teve acesso consta que, após os exames no corpo de Tigrão, não foram encontradas fraturas no crânio ou mandíbula do animal e nem escoriações no couro do cachorro. Foram observados ainda ferimentos nas patas e unhas do animal, o que indica que Tigrão tentou sair do buraco antes de morrer por asfixia. A hipótese de sufocamento é reforçada pelo inchaço observado na língua do animal.

No mesmo buraco onde Tigrão foi encontrado também havia o corpo de um gato. As imagens das câmeras de segurança cedidas pela UFU para auxiliar no inquérito flagraram o momento em que o felino passava pelo local. Nas filmagens captadas, o cão é visto circulando pela mesma área alguns instantes depois. Ferimentos no gato comprovaram que Tigrão estava caçando o animal.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Daniel Azevedo, dois cenários são possíveis para a morte. O primeiro é que o felino entrou no buraco para fugir de Tigrão e o cão foi atrás, ficando preso. O segundo é que o cão pegou o gato fora, mas, enquanto carregava o animal, caiu no buraco. Azevedo também ressaltou que não foram ouvidos barulhos do animal pelos vigilantes que estavam no campus, situação que costuma ser comum em caso onde há maus-tratos contra animais. O caso, de acordo com o delegado, será arquivado. “Não tem nenhum indício de maus-tratos então a ocorrência vai ser arquivada”, afirmou.

ENTENDA
Após ser encontrado morto, manifestações foram realizadas nos campi Umuarama e Santa Mônica da UFU por parte da comunidade acadêmica e com cobertura da imprensa local. Como o corpo do animal foi encontrado desfigurado, os manifestantes acreditavam que o cãozinho teria sido vítima de maus-tratos e pediam a apuração para punição de eventuais envolvidos. 

Indignados, alguns manifestantes que cuidavam diariamente do cão comunitário chegaram a questionar o ato de possível violência. "A gente não entende como alguém seria capaz de fazer isso com ele. Quem faz isso com um cachorro também é capaz de fazer com uma pessoa”, disse uma das professoras na época.

Os manifestantes levaram cartazes com pedidos de justiça de respeito à vida animal. Os atos tiveram como objetivo pedir esclarecimentos sobre o fato e também  alertar para o problema
de abandono de animais nos campi da instituição. “É preciso fazer o controle populacional, fazendo a castração e levar isso pra fora da universidade. Porque aqui não é lugar de abandonar animais. A gente não está aqui abrigando e integrando animais à universidade, a gente está aqui para esses que foram abandonados, acolher e cuidar deles”, comentou a organizadora.

A Promotoria de Justiça recebeu o pedido para investigação da comunidade e chegou a coletar dados iniciais para averiguar se houve maus-tratos. Um laudo foi solicitado e a Polícia Civil procedeu com as investigações, concluindo que não houve crime. 


Atos de protesto foram feitos nos dois campi da UFU em Uberlândia na última semana | Foto:
Daniel Pompeu

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