01/05/2019 às 08h30min - Atualizada em 01/05/2019 às 08h30min

Vagas de emprego devem ser extintas nos próximos anos

Mercado de trabalho está passando por mudanças; veja o que dizem profissionais de Uberlândia

MARIELY DALMÔNICA
Fabiana alerta que é preciso empreender sem tirar os pés do chão | Foto: Sebrae/Divulgação
Desde 1985, o Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio no Brasil. Por mais que Uberlândia tenha motivos para celebrar com resultados positivos em relação a novos postos de trabalho, em média, 180 pessoas procuram diariamente por vagas no Sistema Nacional de Emprego (Sine) na cidade. Algumas dessas vagas, porém, podem deixar de existir em médio ou longo prazo, na avaliação de especialistas que apontam para uma rápida mudança no quadro de empregos em todo o mundo.

Neste ano, Uberlândia tem registrado resultados positivos em relação a novos postos de trabalho. Só em março 569 novos postos de trabalho foram criados na cidade, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) - 558 vagas pertencem aos setores de serviços e 182 a agropecuária.

No total, o Município registrou 8.407 admissões e 7.838 demissões no mês de março. Nos últimos 12 meses o total de admissões foi de 98.297 e de desligamentos foi de 96.014. Desde o início de 2019, 2.138 novas vagas foram preenchidas.

Apesar dos números positivos, a realidade do mercado de trabalho tem mudado. Enquanto muitas vagas de emprego estão surgindo, como operadores de drones e de máquinas de impressão em 3D, outras podem ser extintas, como o trabalho de agente de viagens.

Segundo o professor de Engenharia de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Igor Peretta, onde a máquina puder substituir o ser humano, ele vai ser substituído. “Como vamos inserir essas pessoas no mercado? A gente tem dois caminhos, sucatear o trabalhador ou o caminho que eu defendo: trazer para a próxima geração uma aproximação com a máquina”, afirmou o professor. Segundo ele, as pessoas precisam estar inseridas no meio para que a tecnologia não as ‘atropele’.

De acordo com Peretta, alguns trabalhos, ainda existentes, são desgastantes para o ser humano, mas simples para as máquinas. “Antigamente a pessoa aprendia a ser ferreiro e morria sendo ferreiro, eu acredito que isso não existe mais. Dizer para um motorista de aplicativo ou para um piloto de avião que o filho dele pode ter esse mesmo emprego é complicado”, disse o professor.


 
Igor diz ser necessário aproximar nova geração das máquinas | Foto: Arquivo pessoal 

EMPREENDER
Com a mudança no cenário trabalhista, muitas pessoas têm aberto o próprio negócio, na maioria das vezes porque estão desempregadas e não encontram vagas de trabalho na área em que procuram. “Acreditamos que nos próximos 20 anos 40% dos empregos que existem hoje não existirão. Quem antes fazia um trabalho rotineiro precisa procurar novas opções, buscar empreender naquilo que sabem fazer bem e gostem de fazer”, afirmou Fabiana Queiroz, analista do Sebrae em Uberlândia. Segundo ela, também é importante empreender em uma área que tenha mercado.

No último ano, o número de Microempreendedores Individuais (MEI) também cresceu em Minas Gerais. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), nos últimos 12 meses, o crescimento de MEIs no estado foi de 21,6%, o que representa 941 mil pessoas. 

Para a analista, o crescimento do empreendedorismo também está ligado às mudanças de gerações. “Cada vez mais as pessoas precisam estudar, se especializar, desenvolver habilidades e conhecer o mercado para ter mais liberdade em mudar de segmento”, disse.

Ainda segundo Queiroz, é preciso empreender sem tirar os pés do chão. “Um empreendedor deve correr riscos calculados, exigir de fornecedores, ter uma rede de relacionamentos com clientes, trabalhar com planejamento e sempre fazer contas”, afirmou.
 
Falta de experiência faz com que demanda de vagas seja alta
De acordo com Amélia Sampaio, assistente administrativa do Sistema Nacional de Emprego (Sine) em Uberlândia, por mais que a procura por uma vaga de trabalho seja alta, muitas não são preenchidas por falta de experiência na área ofertada ou até mesmo pela não conclusão do candidato no ensino médio.

“Temos 400 vagas abertas, que variam entre áreas para limpeza, atendente de telemarketing, operador de caixa em supermercado. Já as áreas operacionais têm muita procura, mas poucas vagas”, afirmou Sampaio.
Boa parte das pessoas atendidas no Sine está em busca de trabalhos em construção civil, linha de produção e serviços gerais, de acordo com a assistente administrativa. “Mas são ofertas mínimas”, afirmou.
 
Diferença salarial entre homens e mulheres é notável
Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU), a participação de mulheres no mercado de trabalho formal no município vem superando indicativos de outros lugares. O estudo, chamado de “A Mulher no Município de Uberlândia-MG: Trabalho, Educação e Demografia”, utilizou informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

De acordo com a pesquisa, enquanto a mulher tem atuações mais expressivas em áreas ligadas à administração pública, saúde, ensino e instituições financeiras, outros setores como a construção civil não chegam a registrar nem 10% de participação feminina.

A administração pública é o setor que mais emprega mulheres. O setor, que detinha 10% das vagas de emprego formal em 2000; 11% em 2005; 9% em 2010 e 6% em 2015, é único onde a participação feminina na ocupação dos postos de trabalho superou a participação dos homens em todos os anos selecionados. Em 2000, as mulheres ocupavam 63% dos postos de trabalho, enquanto os homens ocupavam 34%; em 2005 e em 2010, esses percentuais passaram para 64% e 36%, respectivamente, e, em 2015, chegaram a 73% e 27%.

A desigualdade salarial também foi um fator analisado durante o estudo. A conclusão foi que, quanto maior o grau de instrução do trabalhador, maior a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Em 2006, um homem com ensino superior completo recebia, em média, R$ 6.579, enquanto a mulher com a mesma qualificação recebia R$ 3.669. A diferença diminuiu em 2017, quando um homem passou a receber, em média, R$ 6.370, e a mulher, R$ 4.530.

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