30/04/2019 às 18h56min - Atualizada em 30/04/2019 às 18h56min

Manifestantes pedem punição aos responsáveis pela morte de cão em campus da UFU

Suspeita é que Tigrão tenha sido vítima de maus-tratos; MP investiga o caso

DANIEL POMPEU
Alunos e professores se reuniram nos campi da UFU em ato de protesto nesta terça-feira (30) | Foto: Daniel Pompeu
Estudantes e professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) realizaram nesta terça-feira (30), nos campi Umuarama e Santa Mônica, manifestações após a morte do cachorro Tigrão. O cão foi encontrado na segunda-feira (29) pela manhã enterrado atrás do bloco 2D, no campus Umuarama, após três dias de buscas pelo animal. As informações são da professora do Instituto de Biotecnologia, Ana Maria Bonetti, que cuidava diariamente do animal, oferecendo água, comida e cuidados veterinários quando necessário.

De acordo com ela, o corpo foi encontrado desfigurado, com indícios de maus-tratos, o que contribuiu para gerar revolta nos estudantes da universidade. Outro cão, conhecido como “Orelha”, desapareceu em 2017 no campus Umuarama e também havia suspeitas de maus-tratos. Um funcionário terceirizado confessou ter sumido com o animal, que reapareceu alguns dias depois.

Segundo Bonetti, Tigrão costumava circular entre o bloco 2D e a biblioteca da UFU no campus Umuarama. Durante a noite, acompanhava os vigilantes na ronda pela universidade. O cão, assim como outros que vivem nos campi, são considerados animais de estimação comunitários por muitos dos estudantes e funcionários da UFU.


 
“A gente não entende como alguém seria capaz de fazer isso com ele. Quem faz isso com um cachorro também é capaz de fazer com uma pessoa”, disse Bonetti. Para ela, o maior problema são os altos índices de abandono de animais nos campi da UFU. Quando o animal passa a viver na área, a comunidade faz o possível para atender as necessidades dos bichos, segundo Bonetti.

A professora afirma que já entrou em contato com o Ministério Público Estadual (MPE) para pedir a apuração da morte do animal e se houve maus-tratos. Durante a manifestação, um abaixo-assinado pela investigação do caso estava sendo reunido para ser enviado ao órgão. O promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Breno Lintz, disse ao Diário de Uberlândia que iniciou uma investigação preliminar por maus-tratos e está coletando dados sobre o caso do cãozinho.
 
MANIFESTAÇÕES
Janaína Gonçalves é aluna do curso de Direito e uma das organizadoras das manifestações que aconteceram ontem à tarde. A estudante se dispôs a ajudar na divulgação do ato após ser comunicada da morte de Tigrão por uma professora que atua no campus Umuarama. De acordo com ela, o intuito da manifestação é expressar a indignação pela morte de um cão que havia estabelecido um vínculo com a comunidade e deixar claro que é preciso encontrar o responsável.


Cão foi encontrado morto nesta segunda-feira (29) em campus da universidade | Foto: Divulgação

Gonçalves considera a morte do animal como parte de um problema maior de abandono de animais nos campi da UFU. “É preciso fazer o controle populacional, fazendo a castração e levar isso pra fora da universidade. Porque aqui não é lugar de abandonar animais. A gente não está aqui abrigando e integrando animais à universidade, a gente está aqui para esses que foram abandonados, acolher e cuidar deles”, explicou.

De acordo com a estudante, o objetivo agora é encontrar o culpado pela morte de Tigrão. Ela e outros manifestantes apostam nas imagens de câmeras de segurança da UFU para esclarecer o caso. A assessoria de Comunicação da universidade informou que as imagens já estão sendo analisadas por profissionais para tentar esclarecer o caso.
 
ABANDONO
O crescente número de animais abandonados nos campi da UFU motivou o MPMG a ajuizar ação civil pública no ano passado contra o Município e a universidade para que medidas fossem tomadas para resolver a situação. Na ação, foi destacada a omissão da UFU em resolver o problema dos animais, que frequentemente avançam em frequentadores dos campi ou são vítimas de maus-tratos.

Em janeiro deste ano, a universidade elaborou um plano a ser apresentado ao MP que propõe, entre outras medidas, cadastramento, castração, vermifugação e posterior disponibilização dos animais para adoção. A UFU também anunciou, na época, um projeto para captação de recursos para instalação de bebedouros e comedouros em locais estratégicos dos campi.
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