29/04/2019 às 15h48min - Atualizada em 29/04/2019 às 18h07min

​Pastor é preso suspeito de violação sexual contra fiéis em Uberlândia

Polícia Civil identificou quatro vítimas do líder religioso até o momento; coletiva de imprensa foi realizada nesta segunda-feira (29)

DANIEL POMPEU*
Delegada Ana Cristina Marques explicou porque o crime não é considerado estupro | Foto: Bruna Merlin
O pastor Wagner Martins Pereira, 44 anos, fundador da Igreja Ministério Comunidade da Família, foi preso preventivamente na última sexta-feira (26) em Uberlândia. Ele é suspeito de praticar delito de violação sexual mediante fraude, ao ter realizado atos libidinosos contra uma fiel. Durante coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira (29), a delegada esclareceu que ele praticava o crime sob o argumento de cura espiritual e quebra de maldição. 

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, investiga o caso desde o início de março e afirma que mais três outras vítimas, todas mulheres, receberam propostas similares do pastor, mas não concordaram em participar do ato.

A delegada responsável pelo caso, Ana Cristina Marques Bernardes, explicou que o pastor utilizava a fé de vítimas que buscavam direcionamento espiritual para pressioná-las a permitir toques em partes íntimas sob justificativa de ato religioso.

“Ele pegava pessoas em situações de vulnerabilidade, pessoas que o procuravam para se queixar dessas situações [de desamparo] e ele aproveitava para dizer que teve uma visão. Ele fazia então uma sugestão, um convite, que a pessoa precisava participar daquilo [ato de cunho sexual] para se recuperar”, disse.

O homem realizava os cultos em sua residência, no bairro Lídice. O advogado de defesa dele informou ao Diário de Uberlândia que está se inteirando dos fatos e aguarda ter acesso aos autos para poder se manifestar. Ressaltou ainda que o caso está em segredo de Justiça.

INVESTIGAÇÕES
A polícia iniciou as investigações depois de receber uma denúncia de que ele teria cometido atos libidinosos contra uma mulher de 32 anos que era membro da célula. Foi instaurado o inquérito policial e identificadas outras três vítimas, que ainda serão ouvidas pela delegada.

 
“A gente não pode considerar um estupro porque não foi mediante violência, nem grave ameaça, é mediante fraude. Ele pratica um ato libidinoso com consentimento da parte, mas usando o argumento espiritual pra tentar convencer ela, enganar ela", explicou. 

No caso da primeira vítima, Pereira chegou a dizer que precisava ensiná-la a sentir prazer no casamento, de acordo com a delegada. Depois do primeiro ato, o pastor se aproximou novamente da vítima, alegando que havia tido outra visão. Desta vez seria necessário fazer fotos íntimas da mulher para melhorar sua autoestima, além de outro procedimento de unção similar ao primeiro. Ao registrar boletim de ocorrência, a vítima concedeu à polícia uma gravação em que o pastor discute os atos praticados.


Líder religioso teria fundado a igreja e cultos ocorriam em sua casa, segundo a polícia | Foto: Reprodução/Facebook


“Essa vítima especificamente, estava passando por um problema pessoal e ele propôs pra ela uma cura espiritual através de um processo de unção. E nesse procedimento ele tocou as partes íntimas dela, disse a delegada. 

Um mandado de busca e apreensão chegou a ser cumprido na casa do investigado no mês passado, onde foram encontrados indícios do crime, que não foram revelados pela polícia devido ao sigilo da investigação. Com esse primeiro caso, a polícia concluiu pelo indiciamento do suspeito conforme crime previsto no Artigo 215 do Código Penal Brasileiro. 

Martins teve a prisão preventiva decretada pelo Judiciário e foi levado para o Presídio Professor Jacy de Assis ainda no fim de semana. Se condenado, poderá receber a pena de dois a seis anos de reclusão. O processo tramita na  1ª Vara Criminal de Uberlândia e o réu já teve o pedido de liberdade provisória negado pelo juiz. 

As investigações continuam a fim de identificar outras eventuais vítimas do líder religioso. Para a delegada, a prisão foi necessária pela existência de múltiplas vítimas e pela continuidade dos cultos na igreja. Ela destacou ainda a importância de divulgar o inquérito para incentivar outras possíveis vítimas a denunciar o suspeito.

“Só queria deixar bem claro que se alguma outra vítima, que tenha frequentado o culto dele, que tenha recebido proposta dessa natureza, que se sinta encorajada de vir à delegacia, porque realmente esse é um processo criminal e nada tem a ver com a espiritualidade”, disse Bernardes.


* Colaboraram Caroline Aleixo e Bruna Merlin 

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