24/04/2019 às 18h50min - Atualizada em 24/04/2019 às 18h50min

Ação pede criação de fundo para custear insumos no Hospital do Câncer de Uberlândia

Ação foi ajuizada contra o Estado, União, Município e a UFU com o intuito de garantir melhores condições aos pacientes

DA REDAÇÃO
Hospital do Câncer de Uberlândia é referência para mais de 80 cidades da região | Foto: Divulgação
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação civil pública contra a União, o Estado de Minas Gerais, o Município de Uberlândia e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), para garantir melhores condições de atendimento a pacientes do Hospital de Câncer da UFU. Entre os pedidos, está o da criação de um fundo de reserva de recursos financeiros para a aquisição de medicamentos quimioterápicos e para a manutenção dos equipamentos de tratamento de radioterapia.

A União e o Estado foram procurados, por meio da Advocacia Geral de cada esfera, e a reportagem aguarda retorno. A Prefeitura de Uberlândia informou que ainda não foi notificada. Devido ao final do expediente, a assessoria de comunicação da UFU não foi localizada para se manifestar sobre o assunto no início da noite desta quarta-feira (24).

A ação aponta que o atendimento é realizado totalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo referência para o tratamento da doença em 80 cidades do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e até de pacientes de outros estados, como São Paulo e Goiás. A unidade atende atualmente cerca de 7,5 mil pacientes.

Em 2015, o MPF recebeu representação do chefe do Setor de Oncologia alegando que a situação do Hospital das Clínicas impactava diretamente no tratamento oncológico. Entre os problemas, ele citou a inexistência de um pronto-atendimento oncológico, a diminuição no número de cirurgias, a dificuldade ou até mesmo impossibilidade de realizar determinados exames médicos, além da falta de manutenção preventiva dos equipamentos e, até, de medicamentos oncológicos.

O Grupo Luta pela Vida realizou, desde então, por meio de doações, a ampliação da estrutura física do HCa, com reformas nos setores de quimioterapia e de enfermaria e a construção do Centro de Cuidados Paliativos, Centro de Transplante de Medula Óssea e o Centro Cirúrgico Oncológico. As obras encontram-se em fase final, porém, de acordo com o HCa, não há recursos para a aquisição de equipamentos e contratação de profissionais.

Para o procurador da República Cléber Eustáquio Neves, autor da ação, há uma flagrante omissão dos réus na medida em que o SUS não cumpre a função de oferecer adequado e efetivo atendimento hospitalar a quem necessita e pouco faz para suprir as carências do hospital. “Tendo em vista a importância regional do HCa, é inegável o cabimento da presente ação, para que seja dado um ponto final nesta omissão dos direitos à vida e à saúde.”

O procurador ressalta o aumento progressivo de pessoas acometidas com câncer no Brasil: cerca de 600 mil novos casos anuais, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer. Somente o HCa, em 2017, recebeu 25% novos casos a mais em relação ao ano anterior. Segundo a ação, mesmo com esse aumento, a instituição buscou "oferecer um atendimento de ponta, com alta qualidade de seu corpo clínico, infraestrutura e equipamentos".

O problema é que a falta de recursos do Hospital das Clínicas-UFU acaba impactando também no HCa, conforme relatório apresentado por seu diretor. "Ou seja, faltam recursos para a aquisição de equipamentos e até para a contratação de profissionais. E enquanto a maioria dos pacientes apresenta o diagnóstico metastático e passa a receber apenas tratamento paliativo, outros têm o tratamento descontinuado por falta de medicamentos ou manutenção do aparelho de radioterapia”, diz Cléber Neves.

Segundo ele, "é imperioso e urgente que o Poder Público responsável pelo SUS providencie recursos para suprir as necessidades e carências do Hospital do Câncer de Uberlândia, de forma que ele possa continuar a prestar um atendimento de referência nacional e até internacional na prevenção, tratamento e pesquisa de novas terapias oncológicas".

PEDIDOS
O Ministério Público Federal pediu que a União, o Estado de Minas Gerais, o município de Uberlândia e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) adotem, no prazo de 60 dias, todas as providências para, ente outras medidas, instalar e colocar em funcionamento o Pronto Atendimento Oncológico (para adultos e crianças), além de contratar profissionais e adquirir mobiliários para o Centro de Medula Óssea, o Centro Cirúrgico Oncológico, a UTI e a Enfermaria Cirúrgica.

A ação ainda pediu que a UFU indique a quantidade de pacientes oncológicos atendidos no setor de Oncologia nos anos de 2017 e 2018 e quantos foram diagnosticados com câncer metastático no hospital.

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