19/04/2019 às 09h00min - Atualizada em 19/04/2019 às 09h00min

WhatsApp é o meio mais usado para aplicar golpes

Especialista de Uberlândia dá orientações para desconfiar de publicações falsas no aplicativo

NÚBIA MOTA
Fraudes cometidas por meio de phishing correspondem a 49,6% do número de detecções | Foto: Divulgação
De acordo com o último Relatório da Segurança Digital no Brasil, produzido pelo DFNDR Lab, laboratório especializado em crimes virtuais, em 2018, 46% da população Android no país recebeu, acessou ou compartilhou links maliciosos, o que representa 60,4 milhões de potenciais vítimas. Cada usuário brasileiro foi, em média, vítima de 31 ataques. O Diário de Uberlândia conversou com um especialista no assunto para orientar os usuários de aplicativos de mensagens, principal plataforma usada pelos farsantes para aplicar golpes. 

Segundo o estudo, as fraudes cometidas por cibercriminosos por meio de phishing via aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, correspondem a 49,6% do número de detecções realizadas no ano passado. Phishing deriva do verbo em inglês fishing (pescar) e é um crime que induz a vítima a fornecer dados, a compartilhar algum link perigoso/falso com seus contatos e pode ser enviado também por e-mail. Geralmente, usa-se como isca falsas promoções, descontos, vagas de emprego ou convites para participar de sites de conteúdo adulto.

“Todo mundo é refém”, disse a funcionária de uma empresa de Uberlândia, responsável pela área de Tecnologia da Informação (TI), que recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um colega do suporte de banco de dados de uma outra empresa contratada do Paraná e que teve o celular clonado, possivelmente depois de acessar um phishing.

Para facilitar a comunicação, assim como em todo ambiente de trabalho, ainda mais por se tratar de cidades distantes, os funcionários do setor criaram um grupo no aplicativo, mas certo dia, um dos participantes chamou a colega no particular pedindo dinheiro emprestado.

“Ele disse que precisava fazer uma transferência para um amigo e que no outro dia me repunha. Achei estranho, porque a gente nem era tão íntimo assim. Mas logo depois, no grupo, me avisaram que o celular dele tinha sido clonado. Até ele que é de uma área de tecnologia passou por isso”, conta a funcionária que preferiu não ter o nome divulgado.


O especialista em tecnologia mobile e desenvolvimento digital Bruno Ducatti alerta para que as pessoas sempre desconfiem de mensagens com promoções com preços muito atrativos ou com descontos muito altos na dívida, além de demostrar pressa para que o cliente efetive logo o pagamento.
 
“A cada dia, os estelionatários evoluem para as pessoas caírem e por isso têm várias modalidades. Começou com e-mail, SMS e agora está sendo muito usado o WhatsApp.  Mas tudo depende da pessoa ficar atenta para não cair no golpe. Não faça nada com ansiedade, pesquise nos meios oficiais para saber se aquela informação é verdadeira, não baixe software, não abra link, nem insira dados, cuidado com link encurtado e com mensagem com erro de português. Nenhuma empresa vai te falar ‘pague agora’ ou ‘não pode pagar nunca mais’ e dificilmente um site de e-commerce só tem boleto como forma de pagamento. Pode desconfiar”, explicou Bruno.

Homens representam 75% das vítimas
Em 2018, houve um aumento significativo de ataques que utilizavam temas relacionados a conteúdo adulto. Por causa disso, 75% dos usuários que receberam ou acessaram links maliciosos eram homens, contra 25% de mulheres.

Entre os três ciberataques mais populares do ano, dois usaram temas de conteúdo adulto para atrair vítimas. Ao todo, foram 14,2 milhões de acessos e compartilhamentos ao golpe mais registrado no período, que consistia em convites para participar de um site pornográfico de encontros.

Em segundo lugar, supostos temas de futebol para WhatsApp totalizaram 13,4 milhões de detecções, seguido do falso convite para participar de grupos no mesmo mensageiro, com 4,2 milhões de acessos. No geral, os links maliciosos induziam o usuário a fornecer dados pessoais, realizar pagamentos a serviços fraudulentos e a conceder permissões de envio de notificações, de acordo com o site DFNDR Lab, laboratório especializado em crimes virtuais.

Os únicos tipos de golpes aos quais mulheres se mostraram as maiores vítimas são aqueles envolvendo publicidades milagrosas, como emagrecedores e outros similares, falsos prêmios instantâneos, notícias falsas e phishing de e-mail e bancário, em muitas dessas categorias por diferenças pequenas, já que os perfis analisados do sexo masculino também atingiram taxas parecidas.
 
SERVIÇO

Desconfie de mensagens com os seguintes conteúdos:
- possuírem erros gramaticais ou ortográficos
- pedirem que informe qualquer tipo de dado pessoal
- sugerirem que clique em algum link
- solicitarem que repasse a mensagem a outros usuários
- informarem que será necessário pagar pela utilização do aplicativo

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