05/04/2019 às 18h05min - Atualizada em 05/04/2019 às 18h15min

Movimento Social Good Brasil busca estimular empreendedorismo social

Uberlândia vai receber ações do projeto ao longo do ano; confira a agenda

NÚBIA MOTA
Ações começaram com reuniões que culminarão em cinco encontros até julho em Uberlândia | Foto: Divulgação
Há 2 anos, nascia em Uberlândia uma célula do Social Good Brasil, um movimento internacional com o conceito de usar a tecnologia e outras ideias inovadoras para fazer o bem e resolver os problemas da sociedade. Em 2017 e 2018, a comunidade acadêmica e profissionais já inseridos no mercado de trabalho ficaram bem engajados, mas Gustavo Andrade, mobilizador social do programa na cidade, quis mais.  

Neste ano, ele foi ao encontro de novos grupos como deficientes físicos, deficientes visuais, negros e todo mundo que queira participar voluntariamente, democratizando os trabalhos e, consequentemente, aumentando o impacto das ações.

As ações começaram com reuniões, que culminarão em cinco encontros em maio, junho e julho, durante a Jornada do Agente (veja agenda abaixo). Para participar, é preciso ir aos chamados eventos inspiradores, quando são convidados empreendedores sociais, e onde são levados conhecimentos de tecnologia e de inovação social.

Já teve encontro na Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (Aparu), no Centro de Referência da Cultura Negra Graça do Aché e na Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia (Adeviudi), onde foi apresentado um aplicativo de leitura de livros que transforma o QR code do título em áudio. “Fizemos tudo isso, para ter, lá na Jornada, um grupo diverso, que realmente vive o problema social, e unir com pessoas da universidade, porque nos outros anos todos ficaram só imaginando, pois nunca passaram por isso”, disse.

Agora, os encontros estão na fase de reunir pessoas do mercado e da universidade, por isso, ontem, os participantes estiveram no Sebrae e, no dia 25, às 18h30, estarão no bloco 3Q do campus Santa Mônica, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

De acordo com Andrade, o primeiro objetivo das reuniões é promover uma imersão de autoconhecimento, de olhar para dentro, para descobrir onde se pode ser útil de acordo com as próprias habilidades, para depois saber qual problema está próximo e precisa ser resolvido.

Com a união dos dois fatores, são divididos grupos e desenvolvidas soluções para os problemas apontados. Em 2017, por exemplo, foi criado um armário de troca, onde eram colocados livros, roupas, principalmente voltados para moradores de rua. No mesmo ano, foi feito um painel solar para o carregamento de celular em praças públicas.

Todas as ideias são baseadas nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. Entre elas são erradicação da pobreza, agricultura sustentável, educação de qualidade, igualdade de gênero, energia limpa e acessível, redução das desigualdades.

“Antigamente, as pessoas ficavam pensando: ‘eu vou trabalhar muito e ganhar muito dinheiro e depois eu vou trabalhar em causa social, mas dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Você pode usar as suas habilidades hoje, fazer a diferença e usar o seu trabalho para gerar impacto”, afirmou Andrade.

É o caso do empresário e biólogo Henrique Lomônaco, que passou a participar do movimento recentemente.  Já engajado nas causas sociais desde a época da graduação da UFU, quando, em 2009, criou um grupo de agroecologia nos assentamentos de Uberlândia, o Guará, percursor nessa área na cidade.

A partir de 2017, quando o projeto acabou, Lomônaco passou a empreender, para que os produtos agroecológicos não ficassem restritos a um grupo de pessoas.

“Queremos trabalhar de crianças a idosos, do pobre ao milionário. Esse é o meu ganha o pão. A agroecologia me gera recurso financeiro e alimenta a minha alma, do que eu quero, a mudança que eu quero na sociedade, a mudança nas pessoas. As pessoas fazem muitas ações equivocadas, por desconhecerem qual caminho a se seguir”, afirmou.

A empresa de Henrique, Cultiva Agroecologia, envolve economia, meio ambiente e sociedade, como forma de gerar riqueza, transformar o meio ambiente e ao mesmo tempo capacitar as pessoas para a conservação desses recursos.

“Temos, por exemplo, projetos de revitalização de praças públicas, não só para mudar a paisagem, mas mudar a consciência das pessoas que vão ali, de ter uma separação de lixo. Não adianta nada ter a lixeirinha do metal, do plástico, se ela não souber que ela tem que separar esse lixo. A informação é o coração do negócio. Vejo, no sinal, tanta gente pedindo dinheiro, sem perspectiva e eu vejo na agroecologia, uma fonte incrível para mudar essa miséria que a gente vê, tendo abundância do lado”, disse o biólogo.
 
JORNADA DO AGENTE

Confira abaixo as ações já confirmadas para o ano durante a programação da "Jornada do Agente". As atividades se iniciam neste mês e vão até julho. 
 
25 de abril
Painel inspirador, às 18H30, no bloco 3Q da UFU
 
18 de maio
Olhar pra dentro: essência protagonista, das 8h às 12h, no Social Bank
 
1º de junho
Olhar pra fora: intervenções criativas na cidade (planejamento), das 8h às 17h, no Sebraelab
 
29 de junho
Mão na massa, 10h as 17h, na rua
 
14 de julho 

Celebração, 14h, no Vertical Escalada

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