29/03/2019 às 16h15min - Atualizada em 29/03/2019 às 16h15min

Por falha no sistema, novas empresas não emitem notas em Uberlândia

Falha em sistema para emissão de notas causa transtornos a empresários

NÚBIA MOTA
Problema foi relatado por empresários que aderem ao "Empresa Fácil" em Uberlândia | Foto: Núbia Mota
Há mais de um mês, várias pessoas que tentaram abrir o próprio negócio em Uberlândia estão com problemas com o Empresa Fácil, sistema informatizado da Prefeitura que possibilita a abertura de empresa pela Internet.

Até então, assim que se conseguia o alvará de funcionamento na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), o usuário recebia a senha automaticamente por e-mail em questão de minutos para acessar a plataforma e emitir nota fiscal para receber pelos serviços prestados. Mas agora, nem sempre o cadastro migra para o sistema da Prefeitura devido a uma falha já detectada pelo Município.

Segundo o diretor de receitas da Secretaria de Finanças, Geraldo Magela de Sousa, para remediar a situação, a Prefeitura mandou um ofício para a Associação de Contadores explicando como os escritórios de contabilidade ou novos empresários devem proceder, caso não consigam se cadastrar na nota fiscal da Prefeitura.

“Solicitamos a essas pessoas que tragam os documentos aqui no cadastro mobiliário. Eles não precisam agendar. Vamos fazer tudo manualmente”, afirmou Geraldo Magela.

Reginaldo Aparecido Mendes, diretor presidente da empresa de Processamento de Dados de Uberlândia (Prodaub), lembra que os antigos empresários estão emitindo nota fiscal normalmente. O problema está mesmo na constituição de novas empresas. “São problemas pontuais, porque o sistema está com alguma inconsistência”, afirmou.

Reginaldo informou ainda que o contrato com a empresa terceirizada de São Paulo, chamada DSF, que desenvolve o Empresa Fácil, está sendo finalizado e não vai ser renovado. Um novo sistema está sendo desenvolvido pela própria Prodaub e deve ser trocado no fim do ano. “Até lá, vamos trabalhando juntos aos contadores da melhor forma para resolver o problema”.

Na última terça-feira (26), a auxiliar de um escritório de contabilidade Maria Paula Oliveira Borges finalizou o processo de abertura de uma escola de idiomas e estranhou, pois já está acostumada a, assim que libera o alvará na Junta Comercial, receber um e-mail em poucos minutos com a senha digital.

“Eu liguei lá na Prefeitura e a moça me orientou que, se caso eu precisasse emitir uma nota urgente, para eu procurar o setor de cadastro mobiliário que eles iriam resolver o problema. Acredito que devem fazer manualmente né? É perder um dia, porque lá só abre depois do meio dia até as 5 [horas, da tarde]”, afirmou.

A empresária Margareth Castro chegou a ir à Prefeitura no último dia 19, para fazer o processo de forma manual, mas, segundo ela, não adiantou. Ela contou que a servidora que a atendeu estava com uma pilha de documentos similares e apenas disse que iria colocar seu caso na fila e era para ela “rezar” para que tudo se resolvesse logo.

O problema da usuária do sistema começou no dia 2 deste mês, na etapa final para concluir a  abertura da empresa, quando ela foi à Junta Comercial para liberar o alvará de funcionamento, mas não foi possível visualizar a razão social devido a um problema no sistema da Prefeitura.

“A funcionária da Jucemg disse que seria rápido, mas passou alguns dias e nada. Meu contador ligou pra ela de novo e ela pediu pra procurarmos a Prefeitura”, afirmou a empresária.

Já na Prefeitura, Margareth Castro procurou o atendente indicado pela Junta Comercial que, por sua vez, a mandou procurar por outra funcionária pública, dizendo que, se ela autorizasse, ele liberaria a senha manualmente para serem emitidas as notas fiscais.

“Quando cheguei e expliquei meu caso, ela pegou um bolo de papel e falou: ‘Você quer entrar na fila?’”. A empresária, não satisfeita, voltou no primeiro funcionário e questionou qual seria o problema do sistema e ele afirmou que a empresa de software responsável pelo serviço não renovou o contrato com a Prefeitura.

“Minha revolta é essa. Você trabalha, cumpre com suas obrigações, recolhe imposto, quer ser formalizado, faz a coisa certa e aí esbarra nisso. O que é ridículo. O dinheiro não gira. Como você paga suas contas?”, disse a empresária.

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