01/04/2019 às 12h07min - Atualizada em 01/04/2019 às 12h07min

Uberlandense integra equipe em curso sobre escorpiões que percorre vários estados

Profissional é consultor do MS e falará das diferentes espécies; número de animais capturados na cidade dobrou em Uberlândia

MARIELY DALMÔNICA
Veterinário sanitarista de Uberlândia ministrará teoria e prática junto a outros profissionais (Divulgação)
Em meio à proliferação dos acidentes com escorpiões em todo o País, um curso de Capacitação em Manejo de Escorpiões, promovido pelo Ministério da Saúde (MS), pela Secretaria de Vigilância em Saúde e pelo Departamento de Vigilância Epidemiológica passará por diversas cidades brasileiras nos próximos dias. No grupo de nove profissionais, está o veterinário sanitarista e especialista em saúde coletiva de Uberlândia, William Henrique Stutz.

O profissional ministrará teoria e prática em Fortaleza, Macapá, Foz do Iguaçu, Cuiabá, Apuí (AM) e outras cidades. O curso aborda as diferentes espécies de escorpiões, como deve ser feito o controle e as formas de captura do animal.

Segundo Stutz, que também é consultor do MS, a capacitação será oferecida para técnicos que coordenam programas de endemia e para profissionais que lidam com zoonoses.

“A parte teórica é dada pela gente, pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Butantan. Depois temos três dias de campo. No último dia fazemos uma avaliação, levamos os animais para o laboratório, identificamos as espécies e enviamos para os laboratórios”, disse.

Desde 2009, o Ministério da Saúde realiza esse tipo de capacitação nos estados. O objetivo é que cada estado multiplique as informações às regionais de saúde e aos municípios, para que todo o País tenha uma conduta única nas ações de combate.

O aumento frequente do número de casos de picadas de escorpião fez com que o grupo de especialistas criasse um Manual Nacional de Normatização de Controle de Escorpião há cerca de 10 anos. Agora, os especialistas estão revisando para lançar uma edição atualizada. “O que está acontecendo é nacional, não é só na nossa região. É assustador o número de óbitos no Brasil”, disse Stutz.

Em 2016, o Ministério da Saúde registrou 91.717 casos de acidentes com escorpiões em todo o País, e 115 óbitos. Em 2017, foram 125.173 casos e 81 óbitos. Em 2018, 155.351 acidentes foram notificados. Os óbitos do ano passado ainda não foram formalizados.

Em Minas Gerais, o número de casos registrados só aumentou nos últimos três anos. Em 2018, foram 35.368 casos; em 2017, 28.191 casos e 23 óbitos; e em 2016, 21.620 casos e 34 óbitos foram notificados.

Em Uberlândia não houve mortes nos últimos anos e o número de casos vem diminuindo. Contudo, o número de animais capturados mais que dobrou – de 3061 em 2016 para 7.211 ano passado. O índice de acidentes registrados foi de 262 casos em 2016, 
242 no ano seguinte e 172 casos em 2018. 

De acordo com o veterinário sanitarista, as mudanças climáticas e a derrubada dos biomas fazem com que esses animais se aproximem mais das residências. “Algumas espécies acham o que procuram, como água e alimento. Muita gente ainda tem o hábito de jogar lixo em terrenos baldios. Na chuva tem maior incidência e procriação. Ele reproduz sozinho, não precisa de acasalamento”, disse.

No Brasil, quatro espécies do animal oferecem risco, segundo Stutz. O escorpião amarelo, o marrom, a espécie preta, comum no Amazonas, e o amarelo do Nordeste. Ainda de acordo com o especialista, para evitar o aparecimento é fundamental fazer a limpeza correta dos quintais, não acumular entulhos, vedar ralos de banheiros e de áreas de serviço, vedar caixas de gordura e evitar presença de baratas, que são o principal alimento do escorpião. “Use venenos em gel, os outros só irritam o escorpião”, afirmou o veterinário.
 

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