29/03/2019 às 17h15min - Atualizada em 29/03/2019 às 17h15min

Drones ganham espaço na agricultura local e otimizam produção em Uberlândia

Femec 2019 conta com oficina para ensinar sobre usos e acesso à tecnologia

DANIEL POMPEU
Marco oferece oficinas para instruir produtores rurais na utilização da tecnologia | Foto: Divulgação/Femec
Quem visitou a Feira do Agronegócio de Minas Gerais (Femec) 2019, no Parque de Exposições do Camaru em Uberlândia, notou um novo protagonista entre o maquinário pesado em exposição: o drone. O pequeno dispositivo tem ganhado cada vez mais atenção entre produtores rurais que buscam tecnologia para otimizar seu trabalho no campo.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) está oferecendo oficinas na Femec com o objetivo de ensinar sobre os diversos usos do drone no contexto agropecuário. A feira começou na última terça e termina nesta sexta-feira (29).

Alguns produtores, entretanto, ainda têm ressalvas com os chamados veículos aéreos não tripulados (VANT). Humberto Naves tem uma propriedade na região em que produz soja, milho e leite. Ele não tem o equipamento, mas diz que já viu um vizinho utilizando para monitorar a lavoura. Para Naves, a aquisição gera mais facilidade, mas ainda considera o drone um recurso supérfluo. “É bom, mas tem outras coisas mais urgentes para fazer.” Os preços salgados também são considerados um obstáculo para o produtor.

Já para Agmar Ferreira, que cria gado em uma fazenda, o drone pode ser benéfico ao produtor rural futuramente, mas hoje ainda é pouco acessível. “Eu vi sendo usado por cima da soja, olhando. Mas eu não entendo nada, não saberia mexer naquele controle”, diz. Ele reconhece que em seu caso, o recurso poderia ser utilizado para monitorar o pasto e evitar roubo de gado, mas a dificuldade de manejar a tecnologia ainda é um obstáculo.

Casos como o de Ferreira são o que motivam o instrutor do Senar, Marco Alziro Carvalho, a oferecer oficinas para instruir produtores rurais na utilização da tecnologia. Carvalho é especialista em geoprocessamento ligado à análise de imagens aéreas de plantas, uma das possibilidades de uso do drone.

O monitoramento de lavouras, um dos usos mais comuns, acontece a partir da circulação do drone sobre a plantação. A depender da tecnologia, a câmera acoplada consegue identificar problemas pontuais em algumas regiões do plantio e saná-los sem precisar utilizar produtos em toda a área. A prática é chamada de agricultura de precisão.

De acordo com o instrutor, o principal desafio para a popularização do recurso ainda é o conhecimento. “Falta mais é conhecimento, falta mais capacitação. O investimento é grande sim, mas ele tem que saber qual é o custo benefício para cada situação.”

Segundo Carvalho, a média de preço de um drone com câmera básica varia entre R$ 6 mil e R$ 12 mil. A esse preço são adicionados R$ 20 mil se a câmera for multiespectral, que registra imagens de calor, por exemplo. Já o drone pulverizador pode passar dos R$ 100 mil, de acordo com Carvalho. Ele defende, entretanto, que o retorno para o produtor vale a pena.

“Em relação à produtividade o retorno é imediato. Ele não sabe por que colheu menos grãos esse ano. Tem um problema lá que é desconhecido. Com o drone, o mapeamento [do problema] é rápido”, argumenta.

O instrutor do Senar diz que as oficinas sobre o assunto na Femec são, em regra, lotadas. “A procura pelo novo, pela agricultura de precisão, está igual uma esponja seca.”
 
CUSTO-BENEFÍCIO
Os VANT têm ocupado a parcela do mercado que oferece recursos para monitoramento do terreno e plantio na agricultura. Ilídio Pereira é um dos que aderiu à nova tecnologia. Ele é produtor de soja e adquiriu drones através de uma empresa israelense que ofereceu o recurso. “A tecnologia é diferente. Reconhece a praga que tem na lavoura, a área que está afetada. Isso economiza bastante tempo pra gente.”

Pereira diz que o custo-benefício é muito grande. A fazenda agora tem toda a produção baseada no auxílio de drones com câmeras. “Ele faz a verificação da coloração das folhas. Se tem algum ponto que queremos verificar, o drone vai naquele ponto.”

O produtor explica que os próprios drones já oferecem o diagnóstico, a solução e aprendem, através de Inteligência Artificial, ao longo do tempo com o estudo de cada setor na fazenda. Ele ressalta que a tecnologia é mais útil em propriedades de grande porte, onde tradicionalmente seria preciso maior deslocamento para fazer a verificação da lavoura.

Pereira defende que o retorno da medida ultrapassa a questão financeira. “Você utiliza menos pessoas, você tem um foco maior dentro da sua área de produção. Existe um retorno financeiro, mas quando você pensa em qualidade do seu produto, dinheiro já é consequência.”

Além disso, há, segundo o produtor rural, uma transformação mais profunda na lógica da agricultura ao ser motivada por um cuidado mais específico com problemas na plantação.

“Hoje em dia você não precisa ter uma tonelada de agrotóxico pra jogar na sua fazenda, porque você sabe a área que está afetada. A tecnologia te ajuda na questão da saúde, a questão da produção, você produz mais. Temos que aprender a evoluir, é isso que o Brasil precisa". 
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