26/03/2019 às 12h00min - Atualizada em 26/03/2019 às 12h00min

Mulheres lideram contratos do Minha Casa Minha Vida em Uberlândia

Construtora analisa que consumidoras têm se sentido mais confortáveis para buscar sozinhas o sonho da casa própria

DANIEL POMPEU
Promotora de vendas Carla Silva pegou chaves do imóvel nesta semana | Foto: AP Ponto/Divulgação
As mulheres vêm conquistando seu espaço em diversas áreas da sociedade nos últimos anos. Um setor que tem visto a mudança de perto é o de habitação. Cerca de 86% dos contratos fechados pelo programa Minha Casa Minha Vida, em todo o País, estão no nome de mulheres, de acordo com dados do Ministério da Integração Regional. Na AP Ponto, construtora que atua em Uberlândia oferecendo casas pelo programa do Governo Federal, mais de 60% das aquisições habitacionais também têm à frente mulheres.

“O que a gente tem visto ao longo do tempo é que há uma tendência de que cada vez mais as mulheres participem do programa. Elas não dependem tanto dos homens, como dizem por aí, para conseguirem a casa própria”, explica Wesley Gonçalves, gerente regional da AP Ponto.

Gonçalves avalia que, por estarem mais independentes, as mulheres têm se sentido confortáveis para buscar sozinhas o sonho da própria moradia. Mesmo quando são casadas, o gerente diz observar uma grande prevalência da participação feminina em todo o processo decisório e financeiro da aquisição. “Existe um movimento muito legal de empoderamento feminino [no setor].”

Uma dessas mulheres é Rita de Sousa, de 34 anos. Ela é mãe de duas filhas e trabalha há dois anos como açougueira. Sousa adquiriu recentemente um imóvel pela AP Ponto. Trabalhando desde criança, saiu de casa com 15 anos e desde então pagava aluguel. Para ela, a aquisição imobiliária significou um novo capítulo em sua vida.

“A emoção começou quando eu soube que o financiamento tinha sido aprovado. Daquele dia, até o dia que eu mudei para o meu apartamento, até hoje, que eu chego lá dentro, a emoção continua, porque eu lutei para ter esse apartamento, mas lá no fundo mesmo eu desacreditava que eu conseguiria.”  

Financeiramente, o processo foi desafiador. Ela conseguiu o financiamento pelo Minha Casa Minha Vida na Caixa Econômica Federal. “Eu não tinha um real para dar de entrada. O dinheiro que eu tinha e tenho é o dinheiro que eu ganho por mês.”

Divorciada, Rita de Sousa diz que recebeu pouco incentivo para adquirir um imóvel. Os colegas e amigos diziam que seria preciso ter mais dinheiro para pagar as parcelas. Sousa insistiu e hoje mora com as filhas na casa própria. A determinação ela atribui à mãe, que ela viu lutar durante toda a infância para sustentar a família. “Quando eu quero uma coisa, só Deus para me impedir.”

Sousa diz que, como mulher, sofreu durante os anos uma pressão social para encontrar um parceiro e só então construir um patrimônio, principalmente com relação à casa própria. “Descobri que não precisava de ninguém para fazer as minhas coisas, ter as minhas coisas e para ser quem eu sou.”

História semelhante é a de Carla Silva, promotora de vendas de 29 anos, que pegou a chave de seu primeiro imóvel nesta semana. Atualmente planejando a mudança, ela conta que o desejo é antigo. “Eu estou planejando comprar meu imóvel desde os 23 anos, quando eu casei.” O casamento acabou não dando certo, ela se divorciou aos 27 anos, mas o sonho da casa própria perdurou. Agora ela irá morar no próprio apartamento apenas com seu gato de estimação.

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