22/03/2019 às 14h14min - Atualizada em 22/03/2019 às 14h14min

Mais de 20 escolas suspendem atividades durante ato contra a reforma previdenciária em Uberlândia

Atividades retornam normalmente na segunda-feira (25) na rede de ensino

NÚBIA MOTA
Ao menos 24 escolas paralisaram as atividades totalmente em Uberlândia | Foto: Núbia Mota
Um mês e meio depois de iniciado o ano letivo, parte das 69 escolas estaduais de Uberlândia aderiu a uma paralisação nesta sexta-feira (22). A suspensão das atividades foi uma forma dos profissionais da Educação contestarem a proposta de reforma da Previdência. Conforme o sindicato que representa a categoria, ao menos 24 escolas estaduais tiveram todas as atividades interrompidas em virtude do ato de protesto. 
 
Algumas instituições de ensino fecharam os portões e apenas o setor administrativo trabalhou, outras funcionaram parcialmente, com alguns professores e alunos em sala de aula, e poucas, como o caso da Escola Estadual Tubal Vilela da Silva, no bairro Martins, não paralisaram. As aulas voltam ao normal a partir de segunda-feira (25). A rede municipal de ensino foi pouco afetada.

A copeira Andrea Cristina Vitor Peixoto, mãe de Edson Mariano Peixoto Neto, de 10 anos, aluno do 5º ano da Escola Estadual Seis de Junho, no bairro Aparecida, teve de deixar o filho com a irmã, no período da tarde. A instituição, segundo a secretaria, funcionou normalmente de manhã, mas a maioria dos professores não iria no segundo turno. Apesar do transtorno, Andrea apoia a manifestação dos professores e acha a causa justa. “Não sou a favor de greve, mas tem que protestar mesmo, porque o Brasil está uma vergonha. Só mexem no bolso no povo. A Seis de Junho é uma escola boa e os professores, uma classe sofrida. Eu apoio”, afirmou.

Em grande parte das instituições municipais, conforme apuração do Diário de Uberlândia, não houve adesão, mas na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Professora Stela Maria de Paiva Carrijo, no Lídice, alguns professores não trabalharam, e os alunos foram remanejados para outras turmas. 

A Secretaria Municipal de Educação informou, por nota, que quatro escolas municipais tiveram o atendimento alterado nesta sexta-feira (22), atingindo cerca de quatro mil alunos. As unidades educacionais são a Professor Jacy de Assis (Aurora), Doutor Joel Cupertino Rodrigues (Dom Almir), Professor Eurico Silva (Viviane) e Hilda Leão Carneiro (Morumbi).

A situação causou interrupção nas aulas, que deverão ser repostas em respeito ao cumprimento de 200 dias letivos estabelecidos pelo Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/96), do Ministério da Educação. A pasta ressaltou ainda que está verificando a necessidade de medidas administrativas diante da situação.


MOVIMENTO
Ontem, os movimentos sociais intensificaram as ações contra a reforma da Previdência e promoveram o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência. Em todo o país, com o apoio de sindicatos e centrais sindicais, foram realizados atos para alertar a população sobre as mudanças propostas pelo Governo Bolsonaro. À tarde, em Uberlândia, houve uma manifestação com movimentos sindicais na praça Tubal Vilela, no Centro.

De acordo Elaine Cristina Ribeiro, presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindi-UTE), 24 escolas estaduais pararam totalmente as atividades ontem. Além da manifestação contra a reforma da Previdência, os educadores pedem ainda um reajuste de 4,18% nos salários e o retorno dos atendimentos pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg). “Devem ter mais paralisações neste ano e [o movimento] é um ensaio para uma greve”, disse.

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