10/03/2019 às 07h20min - Atualizada em 10/03/2019 às 07h20min

Vias recapeadas e com buracos demandam manutenção em Uberlândia

Equipes tapa-buraco continuam ativas; reportagem conversou com a população e flagrou problemas

VINÍCIUS LEMOS
Na Getúlio Vargas,um buraco se abriu em cima da faixa de pedestres. | Foto: Vinícius Lemos
Mesmo com a estação chuvosa se aproximando do fim, as ruas de Uberlândia ainda apresentam buracos e exigem esforços da equipe de manutenção asfáltica do Município. A situação é perceptível nos bairros, na região central e até mesmo em ruas e avenidas que foram recapeadas há, aproximadamente, nove meses, que atualmente passam pelo primeiro período de chuvas em grande volume.

Motoristas e população ouvidos pelo Diário de Uberlândia disseram perceber que, em relação a anos anteriores, há menor número de buracos de maneira geral, ainda que a pavimentação sempre apresente algum problema nesta época. Procurada, a Prefeitura informou que tapou cerca de 62 mil buracos em 2018.

Principalmente na área central, região que concentra grande volume de veículos da cidade, o Diário de Uberlândia encontrou uma série de buracos em vias importantes. Chamou a atenção um caso na rua Duque de Caxias, no bairro Lídice, próximo ao viaduto sobre a avenida Rondon Pacheco. No local, um buraco está há 70 dias sem manutenção, pelo menos, segundo o sapateiro Rogério Silva, que convive com o problema na porta de seu estabelecimento.

A situação se agrava, segundo o trabalhador, porque naquele ponto existe uma pequena mina de água que cava, aos poucos, a terra abaixo do asfalto. O buraco começa a ameaçar a calçada, que está próximo de perder sustentação, com o paralelepípedo pendurado. “Já liguei para a Prefeitura, os vizinhos ligaram, mas não existe solução. Aqui jorra água o dia inteiro dentro do buraco e também mais à frente, na sarjeta, mas lá também, com a água constante correndo, os cantos do asfalto são quebrados”, disse Silva.

De acordo com relatos de vizinhos, o asfalto parece ceder por conta da infiltração da água no entorno do buraco. Os moradores e trabalhadores da vizinhança explicaram que, com o aumento das chuvas, a própria vazão da mina aumenta e como a enxurrada no trecho é forte, o pavimento se tornou irregular, criando outros buracos mais abaixo.

Outra via que apresenta uma série de buracos é a rua Coronel Ernesto, no bairro Tabajaras. Apesar da pequena extensão, a rua é muito utilizada por motoristas por ser parte do retorno para quem sai da avenida Rondon Pacheco e precisa pegar a rua General Osório, para ter acesso ao bairro Patrimônio ou seguir em sentido contrário na Rondon.

De acordo com o entregador Cleiton Mateus Silva, que presta serviço próximo à Coronel Ernesto, apesar de vários pequenos problemas, um grande buraco chama atenção por ter se agravado, nos últimos dias, mesmo sem chuvas fortes. “Tem carro grande que passa por aqui que não consegue desviar. Se tiver dois carros [na via], aí é que não tem jeito de sair dele”, afirmou.

DMAE

Mais próximo do hipercentro de Uberlândia, há aproximadamente uma semana, um corte que toma toda a rua Olegário Maciel, no cruzamento com a rua Professor Pedro Bernardo, trouxe um grande buraco e sujeira ao trecho. De acordo com um borracheiro próximo do local, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) precisou fazer uma manutenção, o que obrigou a abertura de um buraco. Apesar de tapado, o local, ainda na última semana, não tinha sido pavimentado novamente. A poeira e a dificuldade que buracos trazem para o tráfego eram perceptíveis.

Por meio de nota, o Dmae informou apenas que a reposição asfáltica na rua Olegário Maciel, esquina com a professor Pedro Bernardo, na região central, foi realizada na quarta-feira (6).
 
Vias recapeadas também têm problemas
 
A reportagem do Diário de Uberlândia constatou a presença de buracos em pelo menos duas vias que, recentemente, foram recapeadas, também na região central. A situação mais crítica é no cruzamento da rua Tenente Virmondes, na altura do cruzamento da rua Agenor Paes.

No lugar, há água correndo em dois pontos: de um prédio próximo e também da região da avenida Cesário Crosara. Isso, somado ao movimento de automóveis, causa um problema crônico de buracos e asfalto irregular para quem sai da Agenor Paes para cruzar ou acessar a Tenente Virmondes.

Morando em frente ao cruzamento, Mário Melazzo afirmou já ter avisado técnicos da Prefeitura sobre o problema. “Aqui tem essa água e um poço artesiano que quando tem vazão demais, precisa ser liberado para cá. Não adianta só jogar asfalto, a água e a enxurrada levam. É preciso fazer um canaleta de concreto”, disse.

Já na avenida Getúlio Vargas, no cruzamento com a rua Goiás, um buraco se abriu e também traz dificuldade de mobilidade não só para condutores de carros e motos, pois está bem em cima da faixa de pedestres no trecho. Cadeirantes e pessoas com dificuldade motora também são atrapalhados.

As duas vias fazem parte de um plano de recapeamento assinado em dezembro de 2017, quando foi dado o passo para melhoria de 28 km de ruas e avenidas em 15 bairros, incluindo o Centro. O custo foi de R$ 4,8 milhões.

BAIRROS

A avenida Nicomedes Alves dos Santos entrou no pacote. O trecho recapeado apresentou problemas anteriormente, embora os buracos estejam, agora, tapados. No entanto, problemas foram encontrados em um trecho próximo, já no cruzamento com a avenida Vinhedos, na região do bairro Gávea. Motoristas ouvidos pela reportagem afirmaram que é comum que o local apresente buracos, o que pode ser confirmado com os vários remendos no asfalto que o trecho apresenta.

Situação pior está na avenida Mário Faria, na altura do bairro Aclimação. O trecho inicial da via tem vários buracos, e como o trânsito no lugar é intenso, com pouco espaço entre estacionamento e as faixas de rolamento, é quase impossível que o motorista consiga desviar de todos os buracos. “Neste ano está bom, se você comparar com anos anteriores. Mas é só chover que abre um monte de buraco”, afirmou a moradora Marisa Coelho.
 
Secretaria mantém equipes trabalhando
 

O secretário de obras, Norberto Nunes, afirmou que as equipes de tapa-buraco continuam ativas, com sete delas executando o serviço atualmente. Cinco equipes atendem aos bairros, e duas, aos pedidos que chegam via Serviço de Informação Municipal (SIM).

A estimativa é que até o início de março mais de 11,1 mil buracos tenham sido tapados em 2019. Em todo o ano passado, foram 62 mil aproximadamente, número menor que em 2017, quando 74 mil deles receberam o serviço municipal.

“São pavimentos antigos e que estão desgastados”, explicou de maneira geral o secretário a respeito dos buracos tanto na região central, quanto nos bairros. Todavia, Nunes afirmou ainda que a situação do buraco na rua Duque de Caxias será avaliada de maneira particular.

Sobre as vias recentemente recapeadas, Noberto Nunes afirmou que o conserto desse problema não fica a cargo da Prefeitura, mas sim da empresa que fez o serviço anterior, como garantia do trabalho. “Esse número de pontos em que apareceu problema na área recapeada representa 0,02% do executado”, disse.

LICITAÇÃO

É aguardada ainda a finalização de uma licitação na qual a Prefeitura dará seguimento ao recapeamento em uma série de vias em toda a cidade. O gasto previsto é de R$ 60 milhões. Ainda que as ruas e avenidas que receberão o trabalho não tenham sido definidas, a expectativa é de recapear 263 km de pavimento.

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