06/03/2019 às 08h26min - Atualizada em 06/03/2019 às 08h26min

Lixo em lotes e animais peçonhentos têm incomodado moradores do bairro Vida Nova em Uberlândia

Reportagem encontrou vários terrenos com mato alto, cheios de entulhos, com depósito de material e lixo caseiro

DA REDAÇÃO
Chrystiane Akegawa pede que Prefeitura multe donos de lotes sujos no bairro Vida Nova | Foto: Diário De Uberlândia
Por ser um dos bairros mais novos de Uberlândia, lançado há 6 anos, o Vida Nova tem grande parte dos 750 lotes ainda vagos ou com casas em fase de construção. Em uma visita rápida pela região, nos altos da avenida Segismundo Pereira, próximo ao Ceasa, a reportagem do Diário de Uberlândia encontrou vários terrenos com mato alto, cheios de entulhos, com depósito de material e até com lixo caseiro, como marmitas jogadas pelos operários das obras. O cenário tem causado transtorno para quem já mora no local, que precisa conviver com pernilongos, aranhas, baratas, ratos, escorpiões e até com o mosquito Aedes aegypti.

O engenheiro agrônomo Marcos Paulo Volpato mora no Vida Nova há 6 meses e há pouco mais de uma semana, quando passeava com o enteado, Heitor, de 5 anos, na praça do Jacaré, a principal opção de lazer da vizinhança, disse ter visto mosquitos transmissores da dengue. A preocupação maior foi com a criança, mas foi ele quem, poucas horas depois, começou a apresentar os sintomas da doença. “É muito ruim ter dengue. É a segunda vez que eu tive. A gente que é adulto até aguenta, mas e uma criança? Sei que a cidade inteira está com índice alto de dengue, mas se cada um fizesse sua parte e tivesse respeito ao próximo, não teriam tantos casos. Tanto os donos dos lotes, quanto os construtores deviam se conscientizar”, disse Marcos.

Mesmo com o calor dos últimos dias, a publicitária e consultora de imóveis Chrystiane Akegawa, mãe de Manuela, de 9 anos, e Miguel, de 3, instalou telas de proteção nas janelas e mantém a casa totalmente fechada após uma vizinha encontrar um escorpião e o vizinho do lado ter sido infectado por dengue. Foi ela quem fez a denúncia das condições do bairro ao Diário de Uberlândia após solicitar à Prefeitura medidas para punir os donos dos terrenos sujos e com mato alto. “Aqui em casa já apareceram umas aranhas grandes. O pessoal da Zoonoses veio e disse que é tarântula, que a picada dela é muito dolorida e pode causar reações alérgicas”, disse Chrystiane.

Em uma visita pelos lotes, Chrystiane mostrou ao Diário a quantidade de resto de obra e lixo jogados no chão. Na rua onde ela mora, nenhuma construção tinha caçamba de entulho e, por outras partes do bairro, a reportagem encontrou poucos recipientes próprios para se jogar o material descartado. Tudo é jogado no lote vizinho. “[Em relação aos lotes] Está muito difícil. A gente encontra marmita, copo descartável, um monte de lixo jogado pelo pessoal das próprias obras”, disse Chrystiane.

ZOONOSES

A coordenadora do Programa de Agravos e Roedores da Unidade de Vigilância de Zoonose (UVZ), Juliana Junqueira, usa uma fórmula de “4 As” (acesso, abrigo, alimento e água) para explicar a infestação por roedores e animais peçonhentos dentro das casas. “Esses animais só estão dentro das casas porque lá encontram o que estão precisando. Como está chovendo muito, os escorpiões, por exemplo, que gostam de lugar úmido, mas não encharcado, sobem pelos canos e, se eles têm acesso, entram nas casas e se escondem atrás de armário e em entulhos que encontram no quintal”, afirmou.

Por isso, Juliana instrui os moradores a cortarem o acesso dos animais às casas, usando proteção nos ralos, pias e lavatórios das residências. “As telas de PVC para ralo são vendidas em lojas de material de construção e não são caras. Dá para colocar as peneirinhas nas pias da cozinhas e lavatório. Pode usar rodinhos de borracha por baixo da porta ou cobrinhas de areia para deixar vedado”, disse ela.

Para não abrigar esses animais, deve-se evitar armazenar material de construção no quintal. Também é recomendável deixar os objetos longe das casas, caso esteja do lado externo, porque escorpiões e aranhas, que gostam de ambiente escuro e úmido, usam esses lugares como esconderijo e podem subir pelos muros. “Se tiver que armazenar material, que deixe mais distante dos muros, em um lugar mais centralizado”, explicou Juliana.  

Já para cortar os alimentos e água, é importante que os moradores deixem as casas limpas, sem acúmulo de louça suja na pia, que coloquem o lixo para coleta nos dias corretos, que não deixem comida sobre o fogão e nem rações de animal doméstico  expostos no período da noite. Ainda é importante evitar outros animais, como baratas, por exemplo, pois são comida para escorpiões e aranhas.

Caso, os moradores encontrem animais peçonhentos e roedores em casa é importante comunicar ao Centro de Controle de Zoonoses para serem feitas vistorias e se iniciar ações específicas para cada tipo de caso.

LIMPEZA

Desde maio do ano passado, a Prefeitura de Uberlândia passou a ser a responsável pelos cuidados com a limpeza e arborização do Vida Nova, conforme previa o contrato feito com a urbanizadora que construiu o bairro. Desde então, os moradores reclamam do descuido, principalmente com a área verde, que corresponde a cerca de 50 mil m² e 12% de todo o bairro. 

A empresária Márcia Borges, que comprou três terrenos no Vida Nova, afirma que a diferença na manutenção é visível. Ela se depara com a sujeira principalmente próximo à praça do Jacaré, onde costuma passear com os cachorros no fim de semana. “Era muito limpinho e organizado e agora a gente já vê lixo jogado no chão e nos bueiros ”, afirmou.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico informou que a roçagem no bairro Vida Nova já está programada ainda para março e a limpeza e cercamento dos terrenos e imóveis são de responsabilidade do proprietário, tal como preconiza o Código de Posturas do Município. As multas aplicadas aos donos desses terrenos variam entre R$ 131,91 e R$ 1.264,34, de acordo com o tamanho da área a gravidade da infração e podem ainda dobrar de valor, em caso de reincidência.

Em relação aos focos do mosquito Aedes aegypti, a Secretaria de Saúde informou que o bairro faz parte do cronograma de vistoria do Programa de Controle da Dengue e reforçou que a eliminação do criadouro também é de responsabilidade da comunidade, já que muitos focos estão nos quintais das residências.
 
SERVIÇO

Para tirar mais dúvidas sobre infestação de  animais peçonhentos e roedores ligue no Centro de Controle de Zoonoses: 32131470.

Para denunciar lotes sujos e com mato alto ligue na Secretaria de Meio Ambiente pelos telefones 3239-2800, 3239-2707 ou 0800 940 1133.

Para solicitar os serviços de manutenção das áreas verdes, como capina, roçagem e limpeza, o ligue no Serviço de Informação Municipal (SIM), no número 3239-2800, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.
 
 
 
 
 
 
 
 
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