02/03/2019 às 10h00min - Atualizada em 02/03/2019 às 10h00min

Ipsemg deixa servidores sem opções para exames em Uberlândia

Clínicas desmarcam procedimentos por falta de pagamento do Estado

ALANNA GUERRA E NÚBIA MOTA
Professora da rede estadual sobre com a falta de cobertura do plano em Uberlândia | Foto: Arquivo pessoal
Além de continuarem recebendo os salários parcelados e de terem o 13º dividido em onze vezes, os servidores públicos do Estado seguem com dificuldades em conseguir atendimento pelo plano de saúde do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), sobretudo para a realização de exames em Uberlândia.

Parte das clínicas credenciadas na cidade não presta mais os serviços porque o Governo Estadual tem atrasado os repasses de valores às unidades.

Na quarta-feira (27), a professora de Matemática Leda Regina Morais recebeu a ligação da clínica onde marcou uma mamografia pelo Ipsemg. A atendente informou que não seria mais possível fazer o exame pelo plano de saúde público e, caso Leda Morais quisesse fazer o procedimento, teria de pagar R$ 200.

Como não foi a primeira vez que ocorreu o problema, Leda preferiu esperar até que o serviço se normalize. Ela contou ainda que, para conseguir consultas, é preciso ligar no início do mês, quando são abertas as cotas pelo Ipsemg, e esperar, às vezes, por mais de 30 dias pelo atendimento médico. “Eu pago R$ 105 de Ipsemg todo mês, para meu filho e para mim, mas desde 2016 estamos nessa dificuldade”, afirmou.

O Diário de Uberlândia ligou em outras duas clínicas da cidade, além da que a Leda iria fazer a mamografia, e em ambas os atendimentos pelo Ipsemg também foram suspensos por falta de pagamento. Uma funcionária do próprio Ipsemg, que preferiu não informar o nome, alegou que algumas clínicas estão escolhendo fazer os exames mais caros para cumprir a cota estabelecida.

“Ao invés de fazerem 10 ultrassons, eles fazem duas ressonâncias, porque a ressonância é mais cara, o médico atende e completa a cota. Eles estão escolhendo os exames mais caros e por isso atendem menos. Não tiro a razão deles, porque estão com o pagamento atrasado. Só do hospital que não está atrasado”, afirmou a funcionária.

O hospital referido é o Uberlândia Medical Center (UMC), único da cidade que atende pelo Ipsemg, desde 2017. A unidade não oferece consultas de ambulatório para os servidores e, no pronto-socorro, tem apenas cardiologista e ortopedista disponível. Segundo a atendente hospital, as cirurgias eletivas estão sendo feitas, apesar de terem diminuído.

Para conseguir se operar, o servidor tem primeiro que entrar em contato com o convênio para ver se há médicos credenciados naquela especialidade trabalhando no UMC, para depois o próprio profissional agendar o procedimento. No local, também não há atendimento para crianças e as gestantes são atendidas, de acordo com o Ipsemg, no Hospital Santa Clara.

O Diário de Uberlândia, no entanto, ligou no Hospital Santa Clara e foi informado que não há atendimento pelo convênio do Estado.

Em nota, a assessoria de comunicação do Ipsemg afirmou que não suspendeu os serviços prestados aos beneficiários em Uberlândia e que há clínicas realizando o atendimento normalmente. Ainda de acordo com a nota, o Ipsemg continua fazendo os pagamentos aos prestadores de serviço, de acordo com a disponibilidade financeira, uma vez que existem pendências deixadas pela última administração do Estado.
 
SERVIÇO
O Ipsemg disponibiliza a lista das unidades credenciadas em todo o Estado no site  www.ipsemg.mg.gov.br, em Guia Médico. Dessa forma, é possível entrar em contato para o agendamento de atendimento e para verificar quais serviços estão sendo oferecidos, no momento, por determinada unidade.

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