20/02/2019 às 08h10min - Atualizada em 20/02/2019 às 08h10min

Faemg prevê queda de até 20% em safra de grãos

Falta de chuva e altas temperaturas prejudicaram principalmente os produtores de soja

MARIELY DALMÔNICA
João Rodrigo Maroni, jornalista da Expedição Safra e produtores do Mato Grosso do Sul durante pesquisa | Foto: Michel Willian/Expedição Safra
A falta de chuva e as altas temperaturas entre os meses de dezembro e janeiro gerou prejuízo para produtores de Minas Gerais. A expectativa era que o estado, junto à São Paulo e Goiás colhesse 43,8 milhões de toneladas de grãos nas safras de verão e inverno entre 2018 e 2019, mas uma quebra de 15 a 20% está estimada para as regiões, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). O andamento da colheita de verão nesses estados foi acompanhado pela equipe de técnicos e jornalistas da Expedição Safra, projeto que faz um levantamento da produção de grãos da América do Sul à América do Norte e percorre 12 estados brasileiros nas etapas de plantio e colheita.

Anteriormente, a safra em Minas Gerais estava estimada em 5,4 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo informações da Expedição Safra, os produtores estão trabalhando para adiantar a colheita e evitar novas perdas devido ao clima. “Algumas lavouras sofreram mais, outras sofreram menos. A que teve mais prejuízo foi a da soja, no caso da primeira safra, plantada entre setembro e outubro do ano anterior, para ser colhida em fevereiro, março”, disse João Rodrigo Maroni, jornalista da Expedição Safra.

Os produtores foram pegos de surpresa, porque ao longo dos últimos 10 anos, o País registrou uma safra de grãos recorde, de acordo com Maroni. “Usaram as mesmas técnicas, mas aconteceu essa estiagem. Não tem muito o que fazer, mas uma sugestão é o plantio escalonado, procedimento indicado pelos agrônomos”, afirmou.

O milho é mais resistente que a soja, logo, deve ser menos afetado, segundo Maroni. A segunda safra foi plantada nos últimos dias pelos produtores e deve ser colhida entre maio e junho deste ano. Para Júlio César Pereira, produtor em Uberlândia e região, os reflexos não foram tão negativos para a colheita. “A nossa propriedade não teve uma queda muito grande, a gente colheu acima da média da região”, disse. Toda a soja já foi colhida pelo produtor, que está se preparando para a próxima etapa, a colheita de milho. “A gente conseguiu colocar a segunda safra dentro do prazo previsto, isso é muito bom”, afirmou Pereira.
 
BRASIL

Em todo país a expectativa é de uma produção de 230,7 milhões de toneladas de grãos, 4,2 milhões acima do colhido em 2018. A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve fechar 2019 com alta de 1,9% em relação à safra do ano passado. Apesar da alta prevista, a estimativa é 1,2% inferior ao terceiro prognóstico, realizado em dezembro do ano passado, quando o IBGE estimou uma safra de 233,4 milhões de toneladas. A redução da previsão do terceiro para o quarto prognóstico foi provocada principalmente por uma revisão da produção da soja. De um mês para outro, o IBGE previu a redução de 3,4% na safra da soja, que agora deve fechar o ano com produção 2,6% menor do que a do ano passado, apesar de um aumento de 2% na área colhida.  Por outro lado, os pesquisadores do IBGE aumentaram em 1,4% a expectativa de produção do milho do terceiro para o quarto prognóstico e, agora, espera-se que o produto feche 2019 com uma safra 9,9% superior ao ano passado.

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