01/02/2019 às 08h11min - Atualizada em 01/02/2019 às 08h11min

Grafite vira estratégia socioeducativa

Mais de 60 internos do Centro Socioeducativo de Uberlândia participaram de oficinas de arte, nos dias 30 e 31

VINÍCIUS LEMOS
Oficinas ajudam na reaproximação dos internos com a sociedade e os ocupa com atividades diferentes | Foto: Araípedez Luz/Secom
Mais de 60 internos do Centro Socioeducativo de Uberlândia (Cseub) passaram por dois dias (30 e 31 de janeiro) de oficinas de grafite em parede e também em camisetas. Eles participavam de projeto que tem como objetivo apresentar a arte aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. A parceria entre Prefeitura e Estado, além de Justiça, ajuda ainda na reaproximação dos internos com a sociedade e os ocupa com atividade diferente da rotina da unidade.
 
Os jovens foram divididos em turmas para a personalização de camisetas e também para o painel que foi criado em um muro interno do alojamento dos internos. À frente da atividade, o coordenador de reinserção social do Município, Cleiton “Kakko” dos Santos explicou que a arte se insere como forma de sustentabilidade para os jovens e também de ocupação. O Projeto Novos Caminhos promove esse tipo de capacitação, mas o grafite em si passa por três projetos que vão às escolas e também a comunidades terapêuticas. “A gente troca ideias também. Já fomos jovens e passamos por problemas, por isso não se pode julgar antes de conversar com eles. Nada melhor que nós, que superamos os problemas, passarmos a experiência para eles. A política do medo não funciona e o caminho que eles seguiram quase não tem volta. Por isso, ajudamos”, disse.
 
Quatro artistas participaram da pintura do painel que traz personagens próprios e também um grafite com o rosto do poeta Carlos Drummond de Andrade. Os jovens puderam acompanhar desde o início o projeto. A obra de Drummond foi também disponibilizada aos internos em caixas afixadas no painel com pequenos papéis com trechos de poemas do autor. Além disso, camisetas foram customizadas com a mesma técnica do grafite aplicadas pelos próprios adolescentes depois da oficina mediada por Claiton Kakko.
 
“É interessante ver isso, adquirir conhecimento, pode ser uma profissão. Bom poder participar”, disse um dos internos, de 19 anos. “Via nas paredes, mas agora vou tentar aprender, é ter esforço”, disse outro jovem de 17 anos. “Já acompanhei uns trabalhos, mas nunca tinha feito. A gente vai perguntando e tendo uma experiência diferente”, afirmou um terceiro interno, de 17 anos. As identidades dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa não podem ser reveladas.
 
Ainda que a atividade não seja frequente no Cseub, o diretor da unidade, Gilson Gonçalves Rodrigues explicou que pretende incluir as oficinas na grade de atividades do Centro. “Não é primeira vez (que acontece), mas tentamos fazer um formato com maior frequência. Será mais uma atividade na nossa unidade. E é arte, o que estimula paz espiritual, melhora o ambiente e cria um clima positivo”, afirmou.
 
O PROJETO
 
O Município, por meio das secretarias de Cultura e de Prevenção às Drogas, Defesa Social e Defesa Civil, procurou a direção do Cseub, que uniu Estado e Justiça na ação, para que fosse possível a realização na área da unidade. “Aproveitamos o projeto Novos Caminhos e estimulamos criatividade e respeito à arte, o que envolve a preservação dos patrimônios público e privado. Recentemente, houve adaptação da Lei municipal para que seja regulamentado trabalho artístico nos espaços públicos, o que amplia esse mesmo trabalho”, disse o secretário Emerson Aquino.
 
Essa alteração da Lei permite, sob demanda, que artistas do grafite ocupem determinados pontos da cidade para que haja eventos comunitários e envolvam a população. “Já há demanda na secretaria de Cultura, mas ainda é um trabalho incipiente. É um ato de renovação para entender que o grafite dialoga com sua realidade, é uma possibilidade socioeducativa”, afirmou a diretora de igualdade racial, Pollyanna Fabrini.
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