31/01/2019 às 07h00min - Atualizada em 30/01/2019 às 18h15min

Servidores organizam ato contra parcelamentos

Funcionalismo quer que Zema reveja forma para quitar benefício de 2018

MARIELY DALMÔNICA
Geraldo Henrique da Conceição, diretor do Sindpúblicos-MG, defende maior diálogo com a gestão Zema. | Foto: Divulgação
O governador do Estado, Romeu Zema (Novo), deve enfrentar, na sexta-feira (1º), protestos de servidores estaduais pela primeira vez em seu mandato. As manifestações ocorrerão na capital e foram organizadas depois que Zema informou, por meio das redes sociais, que o pagamento do 13º salário de 2018 será dividido em 11 parcelas, que serão pagas entre fevereiro e dezembro deste ano.

No vídeo, publicado na última segunda-feira (28), Zema informou que todos os 679.867 servidores terão o 13º salário parcelado. “O valor será pago sempre no primeiro dia útil após o dia 20 de cada mês. Vamos continuar trabalhando para tirar Minas do vermelho”, escreveu o governador nas redes sociais.

A medida desagradou o funcionalismo, que desde o início do mandato tentou negociar com o Governo. Na primeira semana do ano, por exemplo, a Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (Affemg) encaminhou um ofício ao governador pedindo por uma reunião, mas não houve resposta. “Estávamos esperando que o pagamento fosse dividido em, no máximo, três parcelas. A parte do Estado na cobrança do IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] é suficiente para cobrir uma folha, era uma solução negocial e razoavelmente viável”, disse Maria Aparecida Lacerda, presidente da associação.

Na sexta-feira (1º), a Affemg e outras entidades irão se reunir na Assembleia Legislativa às 14h. “Não aceitamos esse parcelamento, e temos motivos suficientes para estarmos insatisfeitos. Temos um coletivo de 23 entidades públicas e estamos nessa luta com a Polícia Militar”, afirmou Maria Aparecida.

Segundo Geraldo Henrique da Conceição, diretor político do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais (Sindpúblicos-MG), os servidores querem dialogar sobre a medida com o governador. “A gente está muito decepcionado com o modelo pelo qual foi colocado, principalmente por tratar desiguais de forma igual. Temos salários que chegam a mais de R$ 50 mil, e tem quem ganha salário mínimo [R$ 998]. Quem ganha até R$ 3 mil deveria receber um tratamento diferenciado”, afirmou.

A Subsede de Uberlândia do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) também se juntará com profissionais da saúde, do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, da Polícia Militar e da Polícia Civil em Belo Horizonte. “A primeira ação será a manifestação pelo pagamento imediato do décimo terceiro e a abertura de negociação. Se não conseguirmos, estaremos organizando uma assembleia”, disse Elaine Cristina Ribeiro, diretora do sindicato.

ATRASOS

Desde o início de 2016, sob a administração de Fernando Pimentel (PT), o salário dos servidores estaduais vem passando por atrasos e parcelamentos.

Guilherme Graciano é professor de sociologia na Escola Estadual Antônio Thomaz Ferreira Rezende, em Uberlândia, e no fim do ano passado recorreu a um empréstimo para ajudar a família com questões de saúde. “No governo Pimentel o salário foi dividido em até quatro vezes. Acreditamos que teríamos uma proposta melhor dessa vez”, disse o professor.

Para ele, a medida adotada por Zema é uma amostra de que a educação pode se tornar ainda mais desprestigiada nos próximos quatro anos. “Também percebemos que os movimentos de greve são muito penosos, para os alunos, os pais e o professor, aquele que não tem condições de trabalhar. Acabamos aderindo a uma greve e depois temos que repor com salário parcelado”, afirmou.

Até a publicação desta matéria, o Governo do Estado não havia se posicionado sobre o protesto dos servidores, nem sobre a possibilidade de negociar o parcelamento do 13º.
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