25/01/2019 às 08h17min - Atualizada em 25/01/2019 às 08h17min

Uberlândia fecha ano com saldo positivo de vagas

Caged revela criação de 989 postos; número é menor que o de 2017

VINÍCIUS LEMOS
Foto: Cleiton Borges
A geração de emprego em Uberlândia fechou o ano de 2018 com saldo positivo, com a criação de 989 postos de trabalho, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta semana. Contudo, o resultado foi 54% menor do que o de 2017, quando o saldo de vagas criadas foi de 2.175. Ainda sobre 2018, o setor de serviços foi o de melhor resultado, enquanto a indústria teve o maior número de postos fechados. A análise para 2019, contudo, é de melhoria das perspectivas econômicas do País, desde que o governo aja rápido.

De janeiro a dezembro de 2018, 97.724 pessoas foram contratadas em Uberlândia, contra 96.735 demitidas no mesmo período. Em 2017 houve mais contratações no Município, sendo 99 mil delas. Isso foi determinante para o resultado se mostrar melhor do que no ano passado, mesmo que em 2017 tenha ocorrido mais demissões, com 96.825 desligamentos.

O resultado de dezembro de 2018, entretanto, fechou com saldo negativo de 1.388 vagas e segurou o compilado anual no Município. O mês se mostrou crítico para a geração de emprego, já que dos oito setores monitorados, cinco demitiram mais que contrataram. No geral, em 2018, quatro dos 12 meses tiveram mais demitidos que contratados.

SETORES

O setor de serviços foi responsável pelo melhor saldo de 2018 em Uberlândia, de acordo com o Caged, com abertura de 993 vagas no período. Ele foi seguido por construção civil e comércio, nessa ordem. Na outra ponta, a indústria foi o setor que mais fechou vagas, 696. Na análise do economista Leonardo Baldez, não é surpresa o setor de serviços estar à frente no levantamento do Caged, principalmente pelo potencial de Uberlândia em relação ao atendimento no setor de Tecnologia da Informação (TI) e nos contact centers. “Serviços têm investimentos consideráveis em Uberlândia. Recentes fusões de grupos de fora com empresas locais mostram isso”, disse.

Em relação à indústria, Baldez afirmou que em todo o País já há resultados de melhora em 2018, como foi o caso da indústria automobilística. “Mas como não temos esse ramo na indústria local, não percebemos por aqui a melhora. Na nossa região temos um setor diversificado e muito focado em pequenas indústrias”, explicou.

Para o presidente eleito da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Paulo Romes, o grande responsável pelo saldo negativo no setor industrial foi o fechamento de vagas em empresas de grande porte. “Ao meu ver isso [saldo negativo] se deve à decisão pontual de empresas maiores, que deslocaram unidades para outras cidades. Empresas de Uberlândia de menor porte não tiveram esse comportamento. Eu mesmo contratei mais do que demiti em 2018”, afirmou.

REFORMAS RÁPIDAS

A expectativa para 2019, entretanto, segundo ambos os entrevistados, é de maior geração de empregos e crescimento da economia. O que vai depender de reformas prometidas pelo Governo, como a tributária e da Previdência, que devem ocorrer até o fim do primeiro ano de governo. “A reforma da Previdência é meio que uma certeza que vai acontecer e isso já anima o mercado. Já a reforma tributária é um desafio que pode ser alcançado no segundo semestre” afirmou o economista Leonardo Baldez.

Já Paulo Romes reforça que o momento de confiança com o início de mandato do presidente Jair Bolsonaro deve ser aproveitado. “Existe neste momento uma expectativa positiva para 2019 em relação às mudanças políticas. Precisamos simplificar o Brasil. Com a reforma tributária haverá não só uma melhora em relação aos gastos com número de tributos, mas também segurança jurídica para o empresário. Mas tem que aproveitar esse primeiro ano para isso”, disse.
 
BRASIL
Formalidade cresce, mas País perde vagas

 
O Brasil registrou no ano passado o primeiro saldo positivo na geração de empregos formais desde 2014. Em 2018, o país criou 530 mil vagas registradas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em pouco mais de dois anos e meio de governo de Michel Temer, no entanto, o Brasil perdeu cerca de 384 mil vagas.

Quando o emedebista assumiu a Presidência, em maio de 2016, o estoque de empregos com carteira assinada no país era de 38,8 milhões. Em dezembro de 2018, mês de fechamento de seu governo, o número ficou em 38,4 milhões, estoque que compreende todos os dados enviados pelos empregadores, inclusive os entregues fora do prazo.

Após o impeachment de Dilma Rousseff, o país seguiu em forte trajetória de queda dos empregos. O movimento se atenuou em 2017 e iniciou um processo gradual de recuperação a partir de 2018. A melhora do saldo, porém, não foi suficiente para que Temer entregasse o governo com um estoque mais alto do que quando assumiu o posto. De acordo com o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, a política econômica adotada nos governos petistas se traduziu em uma redução drástica da criação de vagas de trabalho.

"O equívoco das políticas públicas ficou muito claro no conjunto dos dados dos últimos anos. Esses erros não podem se repetir no futuro." Marinho, que foi relator da reforma trabalhista aprovada em 2017 pela gestão Temer, afirmou que o governo quer retirar ainda mais a tutela do Estado sobre os empresários, facilitar a vida do empreendedor e desburocratizar o país.

"O presidente Jair Bolsonaro já anunciou que esta administração vai acentuar as conquistas adquiridas com a reforma trabalhista", disse. A equipe do novo governo trabalha com uma meta de criação de 10 milhões de empregos nos próximos quatro anos. Entre as ideias já apresentadas com esse objetivo está uma desoneração ampla da folha de pagamentos e a criação da chamada carteira de trabalho verde e amarela, que teria regras mais flexíveis e garantiria apenas os direitos previstos na Constituição, como férias remuneradas, 13º e FGTS.

Em 2018, o único registro de fechamento de vagas foi em dezembro, mês que usualmente tem saldo negativo. Foram 334 mil empregos cortados. O setor de serviços foi responsável por puxar o saldo do emprego para cima em 2018, com a criação de quase 400 mil vagas. O comércio abriu 102 mil postos. A indústria de transformação, por sua vez, criou apenas 2.600 vagas.

Em período de ajuste fiscal do governo, o único setor que reduziu o número de postos foi a administração pública. Por estado, houve perda de vagas só em Alagoas (-157), Roraima (-397), Acre (-961) e Mato Grosso do Sul (-3.104). Os maiores ganhos foram registrados em Minas (81.919) e em São Paulo (146.596).
 
Criação de emprego
Uberlândia – 2018
Janeiro a dezembro: 989 vagas abertas
2017: 2.175 vagas

Setores (jan – dez)
Serviços: 993 vagas abertas
Indústria: 696 vagas fechadas
 
 
 
 
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