19/01/2019 às 01h05min - Atualizada em 19/01/2019 às 01h05min

Presos trabalham na restauração de prédios do Circuito Liberdade

Projeto aproveita a experiência de presos com experiência nas áreas da construção civil | Foto: Dirceu Aurélio/Agência Minas

O imóvel conhecido por Prédio Verde, situado na Praça da Liberdade, esquina com Rua Gonçalves Dias, em Belo Horizonte, passa por trabalhos de restauração com a contribuição da mão de obra de 20 presos, entre homens e mulheres, que cumprem pena no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto e da Casa do Albergado Presidente João Pessoa, ambos localizados na capital mineira. No prédio, passará a funcionar a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais.

Antes dos trabalhos, os presos atuaram na pintura das fachadas de outros imóveis do Circuito Liberdade: do Museu Mineiro e do Arquivo Público Mineiro, na Avenida João Pinheiro. Eles participaram de um curso de capacitação ministrado pelo Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e aprenderam técnicas de restauração, de preservação de fachada, técnicas de pintura e noções de segurança do trabalho.

Conhecer os prédios e o acervo do Circuito Liberdade também fez parte do programa do curso. “Passei a entender a importância do nosso patrimônio histórico e cultural. Jamais teria visitado tudo isto se não tivesse feito a capacitação”, conta Ademir Fernandes Vieira, 48 anos.

As mulheres também marcam presença nos trabalhos de pintura, já vislumbrando o retorno ao circuito acompanhadas dos parentes. É o caso da Luiza Aparecida Sobrinho, 45 anos, mãe de três filhos e avó de um neto. “Vou ter a maior alegria de voltar aqui (Prédio Verde) com minha família, para mostrar o que eu fiz. Tenho certeza que esta experiência de trabalho e o curso vão me ajudar a conseguir emprego, quando terminar de cumprir minha pena”, afirma Luiza.

DIVERSIDADE

O diretor de Trabalho e Produção da Secretaria de Administração Prisional (Seap), Felipe Oliveira Simões, explica que a força de trabalho destes presos está inserida em uma ação mais ampla, denominada Projeto Manutenir. Este projeto consiste na oferta de equipes multidisciplinares compostas por presos com experiência nas áreas de atuação como pedreiros, bombeiros hidráulicos, eletricistas e pintores, com o objetivo de realizar serviços para órgãos do executivo.

Atualmente, há frentes de trabalho com mão de obra prisional na Policia Militar, Policia Civil, Seplag, Intendência da Cidade Administrativa, Hospital Eduardo de Menezes e Hospital da Baleia. “As sinergias dentro do próprio Estado devem ser uma constante. O binômio criatividade e inovação é crucial para superarmos a escassez de recursos. Para os presos, além da remição de pena, a presença no projeto representa capacitação profissional e a possibilidade de reinserção social”, destaca Felipe Simões.

As verbas para a restauração do prédio são oriundas do Fundo Estadual de Defesa de Direitos Difusos (Fundif), programa criado para promover a reparação de danos causados ao meio ambiente, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. O recurso destinado à intervenção é da ordem de R$ 1,5 milhão.

A Casa do Patrimônio terá galerias para exposições, ateliê-vitrine de restauração de acervos documentais e tridimensionais protegidos e, ainda, núcleo de técnicas construtivas tradicionais. O prédio também prevê espaços de assessoria aos municípios, reuniões dos conselhos de cultura e patrimônio cultural do Estado, reuniões dos comitês de gestão do Circuito Liberdade e comitês das comunidades envolvidas na salvaguarda do patrimônio imaterial.


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