15/01/2019 às 07h48min - Atualizada em 15/01/2019 às 07h48min

Cidade tem saldo positivo em abertura de empresas

Uberlândia fecha ano com 661 empreendimentos a mais em relação a 2017

VINÍCIUS LEMOS
Hélio Camargos Júnior abriu restaurante no ano passado | Foto: Vinícius Lemos
Uberlândia registrou, no último ano, saldo positivo em abertura de empresas, com mais 661 empreendimentos constituídos, segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg). Se comparado com 2017, porém, o percentual de negócios fechados teve um crescimento ligeiramente maior do que o percentual de abertura. De 2017 para 2018, houve alta de 25% no número de empresas extintas, contra 24% no de empresas abertas.

Em todo o ano de 2018, no município, 2.823 empresas foram constituídas. A maior parte foi criada no setor de serviços (1.839), e comércio, com 712 novos empreendimentos. A indústria foi o terceiro maior criador de novos negócios, com 272 constituições.

Para o analista de negócios Antônio Carlos de Oliveira, as empresas se multiplicaram na cidade em decorrência da realidade do mercado. Ele explicou que muitos microempreendedores individuais surgiram no último ano, seja em decorrência do quadro de desemprego ou mesmo por terem enxergado oportunidades para negócios. “O que acontece numa cidade como Uberlândia é que muita gente que perdeu emprego, constituiu MEIs [Microempreendedores Individuais]. Com a mudança trabalhista, houve possibilidade de contratar terceiros. Vou te dar um exemplo: o sujeito perdeu o emprego, mas o empregador diz que se ele abrir uma empresa, ele priorizará o serviço desse funcionário, por meio da empresa a ser criada, na condição de microempreendedor individual. Até o número de diaristas teve crescimento nesse sentido”, afirmou.

EXTINÇÕES

Ainda que se tenha registrado mais empresas abertas do que fechadas no Município no ano passado, proporcionalmente houve mais extinções do que constituições no comparativo entre os anos de 2017 e 2018. De acordo com a Jucemg, em 2017, 1.730 empresas foram fechadas em Uberlândia, ao passo que no último ano esse número chegou a 2.162 delas (25%). Já em relação às constituições, o crescimento foi de 2.273, em 2017, para 2.823, em 2018 (24%).

Para Antônio Carlos de Oliveira, a ligeira preponderância no número de extinções pode estar relacionada, em boa parte dos casos, a um recuo estratégico do empresariado. Segundo ele, tratam-se de empresários endividados que, para não terem suas dívidas aumentadas e seus custos reduzidos, fecham suas empresas maiores e constituem outras menores, como as MEIs citadas anteriormente, para que haja geração de renda e recuperação da saúde financeira. Também há casos de fechamentos por questões de crise ou desistência entre parte dos empresários. Ele ainda lembra que os principais fatores para extinção das empresas são a falta de planejamento e o desconhecimento de mercado.

PERSPECTIVA

Para este ano, o analisa de negócios espera que seja mantido o otimismo com que o mercado tem respondido à formação dos novos governos brasileiro e mineiro, desde que os mandatários façam por merecê-lo. “É preciso que nos próximos meses as reformas, principalmente a da Previdência, ganhem força e sejam feitas para sinalizar para onde o  Governo quer ir”, disse Oliveira. Segundo ele, se a situação política se mostrar estável e haver reforço em segurança e infraestrutura, haverá mais investimento internacional e do próprio empresariado brasileiro, o que poderá dar fôlego à economia em 2019.

 NOVO NEGÓCIO
Necessidade fez professor investir em restaurante

 
No setor de comércio, o ramo que mais abriu empresas em 2018 em Uberlândia foi o de restaurantes e similares. Dados da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg) mostram que 70 negócios do tipo foram constituídos no Município entre janeiro e dezembro passados. Uma dessas empresas foi o café e restaurante montado em novembro de 2018 por Hélio Camargos Júnior, junto a um sócio, na região central de Uberlândia.

Segundo o empresário, foi a necessidade de melhorar os ganhos que o levou a abrir a própria empresa. O investimento foi alto, mas hoje a dívida do negócio é baixa, já que os sócios usaram dinheiro próprio na maior parte da estruturação do restaurante. “Vendi quase tudo o que tinha e até refinanciei meu carro. Até agora o balanço é positivo”, afirmou.

Ele é professor na rede pública e disse que ainda não pode deixar a sala de aula, já que a renda ajuda a se manter e focar no crescimento do restaurante. Segundo Camargos, o investimento em um ano de incertezas políticas e econômicas como foi em 2018 foi motivado tanto pela necessidade, quanto pela inspiração dada pelos pais. “Precisava aumentar minha renda e como meus pais sempre foram empreendedores em nossa cidade [Campina Verde], resolvi tentar”, disse.
 
Abertura de empresas
2018 – 2.823 (+24%)
2017 – 2.273
 
Extinções de empresas
2018 – 2.162 (+25%)
2017 – 1.730
 
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