10/01/2019 às 08h08min - Atualizada em 10/01/2019 às 08h08min

Estudo propõe alternativa ao uso de agrotóxicos

NATÁLIA SPOLAOR | COMUNICAUFU

Em busca de uma solução alternativa para a contenção do uso de produtos químicos na agricultura, a mestranda Alinne Brandão Braga, orientada pelo professor Eloízio Júlio Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pesquisou o método de microencapsulação do fungo Trichoderma asperellum, com o objetivo de prolongar a vida útil de fungicidas microbiológicos.

A ideia do estudo surgiu da necessidade de se obter maior vida de prateleira e estabilidade para os produtos à base do Trichoderma asperellum, um fungo que, além de apresentar potencial de crescimento vegetal, é utilizado mundialmente para o controle de fitopatógenos - organismos que transmitem alguma doença ou causa problema infeccioso em plantas.

Porém, os produtos formulados com Trichoderma apresentam pouca durabilidade e viabilidade do agente biológico durante o armazenamento e aplicação no campo. Como alternativa, Brandão utilizou o processo de microencapsulação, que fornece uma barreira física para os conídios - esporos responsáveis pela reprodução de alguns fungos -, e outros componentes do meio externo, como umidade, oxigênio e calor, que afetam a estabilidade do fungicida.

“A maior motivação foi aplicar uma metodologia capaz de favorecer a produção e o armazenamento de fungicidas microbiológicos, uma vez que a população mundial está cada vez mais preocupada com o meio ambiente e com a pureza dos alimentos”, conta a pesquisadora.

Para isso, o primeiro passo foi realizar uma seleção, seguida de uma caracterização dos diferentes tipos de agentes protetores e aplicá-los no processo de microencapsulação a fim de identificar um agente encapsulante com potencial. Após a seleção do melhor material, foi necessário otimizar e validar modelos estatísticos para representar o processo de microencapsulação dos conídios.

Posteriormente, as micropartículas produzidas foram caracterizadas por testes de umidade, atividade de água, solubilidade em água, higroscopicidade (propriedade que certos materiais possuem de absorver água), conídios viáveis (CV), percentual de sobrevivência dos conídios (SP), microscopia ótica, microscopia eletrônica de varredura (MEV) e distribuição do tamanho de partículas.

Por fim, durante um período de sete meses, foram comparados três produtos: os conídios microencapsulados, uma amostra controle e um produto comercial a base de Trichoderma, em relação à estabilidade das micropartículas desidratadas ao longo do tempo.

Ao final do estudo, foi possível determinar a temperatura ideal do ar de secagem e concentração do agente protetor para produção das micropartículas, sendo que os conídios apresentaram alta viabilidade após 150 dias de armazenamento a 4°C. “Os resultados demonstraram que os conídios microencapsulados podem ser uma alternativa para alcançar maior vida de prateleira e estabilidade para os fungicidas, almejando assim obter metodologias para a agricultura sustentável”, explica Brandão.
 

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