10/01/2019 às 08h01min - Atualizada em 10/01/2019 às 08h01min

Rede pública precisa de mais 300 leitos de UTI

Ministério Público Estadual recebe 5 pedidos por dia para abertura de vagas

FERNANDA PARANHOS
Promotor Lúcio Flávio de Faria e Silva defende a criação de Hospital Regional em Uberlândia | Foto: Fernanda Paranhos

O Ministério Público Estadual (MPE) recebe, em média, cinco pedidos diários para abertura de vagas, por meio judicial, em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em Uberlândia. Os pedidos vêm de familiares de pacientes que estão internados nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) e que precisam, com urgência, de transferência para uma UTI na cidade. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e o Hospital Municipal são as únicas unidades públicas de saúde existentes para abraçar a demanda local, ainda assim, os leitos são insuficientes, 115 no total. Segundo o promotor de Justiça de defesa da saúde, Lúcio Flávio de Faria e Silva, para que a situação fosse contornada, 300 novos leitos deveriam ser criados na cidade.

O principal problema para a falta de leitos na cidade, de acordo com Silva, está no montante de pacientes da região que recorrem aos hospitais públicos de Uberlândia para atendimentos e tratamentos, além do próprio crescimento da cidade. Por esses motivos, o promotor acredita que a solução do problema se daria com a criação de um Hospital Regional. Esse pensamento é compartilhado pelo Procurador da República Cleber Eustáquio Neves, que encabeçou, em meados de 2018, uma ação civil pública para a construção de uma unidade de saúde regional.

Na avaliação do procurador, para a ideia vingar, seria necessário um esforço político. “[É preciso ter] uma vontade política, do governador do Estado, em parceria com o prefeito, para implantar o hospital. [A ação] foi julgada procedente, recentemente, mas o processo ainda cabe recurso, ainda está em tramitação”, disse.

Enquanto a ideia de um novo hospital não sai do papel, medidas paliativas são tomadas para que não se aumente a fila de pacientes que precisam de acompanhamento numa unidade intensiva. De acordo com Clauber Lourenço, assessor técnico da Secretaria de Saúde, o primeiro ponto positivo para amenizar o problema foi a total reativação dos leitos de UTI do Hospital Municipal, no início de 2017. Naquele período, dos 40 leitos de UTI adulto da unidade, apenas 27 estavam em condições de receber pacientes. Atualmente, todos os leitos estão funcionando.

Outra medida, segundo Lourenço, é o reconhecimento de que as UAIs, criadas inicialmente para atendimento ambulatorial e emergencial, precisavam passar por uma adaptação para atender pacientes com demanda de internação. Para tanto, de acordo com o assessor, as salas de emergências foram otimizadas e profissionais médicos foram contratados. Tais medidas permitem que os encaminhamentos de UTI sejam feitos sob uma ordem mais elaborada e imune a questionamentos.

O conserto do tomógrafo, no ano passado, também ajudou a melhorar os diagnósticos feitos no Hospital Municipal, bem como os tratamentos. Outro ponto determinante, segundo Clauber Lourenço, foi a montagem de uma equipe voltada para cirurgias de fratura de fêmur, que lotava os leitos de UTI. “Muitos pacientes que estavam indo para a UTI eram idosos com fratura de fêmur. O Hospital Municipal não recebe do Estado verba para cirurgia ortopédica de alta complexidade, mas elas são feitas com recurso próprio. Quando esse paciente é operado e bem tratado, deixa de ocupar a UTI”, reforça.

Além dos leitos do Municipal, os pedidos de encaminhamento dependem das vagas disponíveis no Hospital de Clínicas da UFU, que conta com 30 leitos de UTI adulto, além do neonatal e o coronariano.

Segundo o promotor Lúcio Flávio de Faria e Silva, outro fator que ajudou, em partes, a abrandar o impasse das vagas de UTI na cidade foi o lançamento, em julho do ano passado, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que opera em 26 cidades da região. Para o promotor, o recurso otimizou os atendimentos de emergência e evitou encaminhamentos desnecessários para as UTIs de Uberlândia. “[O Samu] para minha grata surpresa, tem funcionado relativamente bem. O paciente já é assistido desde o início e chega nos nossos hospitais em condições bem melhores e só vem os casos que efetivamente precisam vir. Assim a UFU, por exemplo, recebe apenas casos de média e alta complexidade”, completa.

PARCERIAS

Cleber Eustáquio acredita que a Prefeitura de Uberlândia deveria, com urgência, fechar parcerias com hospitais particulares para que possam ceder leitos para os usuários do SUS. Essa possibilidade pode tornar-se realidade se, como apurado pelo Diário de Uberlândia, o Hospital Santa Catarina, que fechou as portas em 2016, for reaberto dentro do prazo informado pelo gestor Ruy Adriano Muniz, em entrevista exclusiva, em dezembro de 2018. Na ocasião, o empresário disse que a partir da reinauguração, prevista para março, o hospital poderá separar 60% de seus leitos de UTI para atendimento no Sistema Único de Saúde.

Em Uberlândia, na rede particular, apenas o Hospital Dom Bosco atende o SUS em casos de internação pediátrica em UTI.

 

 

 

 

 

 

 

 


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